03 junho 2008

Diga por quanto tempo haveremos de esperar por você?


Não foi proposital, mas terminei com ele este mês, depois de muitas idas e vindas, pois vocês devem compreender que trabalho e estudo atrapalham muito esse tipo de coisa...Atrapalham a leitura pelo simples ato de ler. A propósito estou falando do livro O amor nos tempos do cólera.
Esse que desde o inicio me deu muito trabalho.
Lembro de estar sentada na banqueta da livraria e ter olhado ele por acaso, até com certo desdém, só que depois de ler sua orelha eu o queria a todo custo, porém não pude te-lo. Então foi uma saga a procura dele, já que na volta a livraria, dinheiro na mão, ele já não mais estava. O Dowglas procurou pra me dar de presente e não achou, eu liguei e pedi mais de cinco vezes pra varias livrarias e nunca vinha, até que um dia minha amiga francesa chega aqui em casa com ele na mão, pra mim.
E isso tudo é muito engraçado porque a pergunta que te martela a cada folha do livro é " por quanto tempo você sabe esperar por aquilo que deseja mais que tudo?".
E eu não me arrependi de ter esperado, pois me parece que são poucos os autores que sabem explorar o humano de uma maneira fantástica, e Garcia Marquez é um destes. Contudo nesta história os supostos personagens principais - Florentino, o homem que espera meio século pela mulher amada; Fermina, a mulher altiva que desmancha o compromisso firmado por cartas com aquele que ela chama de "pobre homem"; e Juvenal, medico que venceu a epidemia do cólera e casou com Fermina fazendo dela a mulher mais invejada da cidade - são apenas meros coadjuvantes dentro dessa teia, onde na verdade o Amor é o personagem principal.
É o Amor, ou a ausência dele, que move a vida destas pessoas.
Foi por amor que Florentino arquitetou uma rede de telégrafos cúmplices para se comunicar com sua amada onde quer que ela estivesse, levada pelo pai inescrupuloso para o mais longe possível dele. E mesmo quando ela o dispensou de seu compromisso, sem mais explicações, ele ainda esperou a morte do seu marido para lhe rejurar seu amor eterno.
Foi por amor a sua vaidade que Juvenal tratou de conquistar uma mulher arisca, e de enfrentar toda uma sociedade para te-la como esposa e fazer dela sua companheira perfeita aos acontecimentos sociais de um medico respeitado.
E foi por não saber de certo se era amor ou capricho que Fermina disse não a Florentino, foi por não saber o que era se amar que ela aceitou um casamento de conveniência, cheio de vexames e humilhações internas de um mundo que nunca foi seu, de um homem que só lhe amava oficialmente, de filhos que não lhe apraziam, e as vezes se odiava ao se ver pensando naquele "pobre homem", que segundo sua prima e confidente Hildebranda "era puro amor".
Todos desta história, sem excessão, foram pegos por este sentimento traiçoeiro, só que dentre todos Florentino foi o seu maior representante, pois por ele fez questão de vencer tudo, a pobreza, o preconceito, a idade, a fraqueza dos atos, resistiu ao tempo por uma mulher, e quando teve a oportunidade teve de reconquista-la, de convence-la que ela também o amava, e na senilidade construir um amor novo, que não precisaria passar pelas amarguras dos primeiros anos, pelo comodismo dos seguintes e tão pouco pelas necessidades carnais. Um amor que se encerra nele mesmo, e que traz a ambos o enlevo que deveria trazer a todos.
Esse livro não conta uma história surreal, já que é inspirado na vida dos pais do autor. Todavia ele é menos surreal não por isso, e apenas pelo simples fato de que todos nós esperamos pelo amor em nossa vida e buscamos ele com toda força sem jamais desistir um instante da certeza de que virá. Ele me ensinou que se realmente é amor ele saberá fazer o momento e a hora de florescer, nem que seja no ultimo instante, no ultimo suspiro, ele vai saber dizer que foi amor.
Por isso digo a todos os namorados, esposos, amantes, os que amam sem serem correspondidos, os que já foram e que hoje não são, mas que acima de tudo ainda amam, que vivam com essa certeza dentro de si.

11 maio 2008

Eita Tia!


No dia das Mães o Alex (meu sobrinho) me perguntou se não tinha um dia das Tias pra que eu também pudesse ganhar presente.
Eu disse que não.
Mas por que tia? Tia também é legal, ele disse.
É... Ser tia é bem legal!

PS: Essa de biquinho é nosso novíssimo xodó, Emile (cassulinha da titia).

08 maio 2008

Responde ai!

O Daniel me mandou este questionário pra que eu respondesse e postasse aqui no blog.Confesso que fiz um exercício de memoria em algumas questões, mas foi muito bom responde-lo.


1 - Qual o seu começo de livro inesquecível?
"Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfoseado num monstruoso insecto."
Franz Kafka, A Metamorfose

2 - Qual foi o livro da sua infância?
Não lembro bem, mas eu gostava muito da Cecília Meireles.

3 - Qual o livro que mais o perturbou?
Crime e Castigo, do Dostoiévski, pela grande satisfação que senti quando ele matou aquela maldita velha, e a culpa que me veio logo depois.Eu quase adoeci só de pensar nas condições insalubres em que Rodion vivia, e como seu grande ego estava o levando a ruína.Chegava a me sentir tísica.

4 - Qual o livro que você mais releu?
De literatura não cheguei a reler nenhum, mas tenho vontade de reler Cem anos de solidão, pois nunca me senti tão intima de um livro como me sinto deste.

5 - Que livro considerado clássico você abandonou antes do fim?
O vermelho e o Negro, de Stendhal.Olha que tentei ler três vezes mas minha paciência se foi sempre.

6 - Que livro você acredita que deveria ser conhecido por um maior número de leitores e não é?
As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano.Um livro ímpar que conta a História de exploração de um povo que não conhece sua própria historia, ou esqueceu dela diante de tanto sofrimento.

7 - Cite um título de livro inesquecível
A sangue Frio, do Truman Capote.

8 - Que livro prometia uma coisa pelo título e, ao ler, você percebeu que era outra coisa?
Sei lá minha gente! Eu procuro não ir com muita expectativa em cima das coisas.

9 - Que livro você gostaria de ter escrito?
Felicidade Clandestina, da Clarice Lispector.

10 - Que livro você está lendo agora?
O Amor nos tempos do Cólera, do Garcia Marques.

" Espero que nos comentários vocês também respondam, ou coloquem nos seus respectivos blogs!"