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21 junho 2009

Minhas Revoluções Culturais

O Daniel fez um post de mesmo titulo, lá no Razbliuto, e propôs aos seus leitores que fizessem o mesmo em seus respectivos blogs. E cá estou eu, a montar uma cronologia que se segue abaixo, com as minhas pretensas revoluções culturais.

1993 - Eu fiz em um único ano as duas etapas da educação infantil. Tinha cinco anos, e já sabia ler e escrever muito bem para a minha idade, então a professora decidiu que eu estava perdendo tempo ficando ali, e me adiantou, no meio do ano, para a
turminha do Infantil III. Lembro que a minha mãe ficou toda orgulhosa, as professoras me adoravam e os alunos me odiavam... Mas o mais legal era que na escola do meu irmão mais novo tinha uma biblioteca, e toda semana ele trazia um livro diferente pra mim. Também lembro de quando ia a casa da minha tia, que era professora, eu gostava de ficar lendo os livros da Marina Colasanti, ao invés de ir brincar com os outros.

1995 - Começo a frequentar a
APAE, para tratamento de crises de ansiedade. E aos sete anos tinha como grande passatempo ler bulas de remédio e analisar os índices do meu eletroencefalograma, além é claro dos gibis da turma da Mônica, que eu fazia a minha mãe comprar sempre íamos as consultas.
A minha medica dizia que eu era normal, só precisava ser criança. Também
conheci gente da minha idade com Síndrome de Down e Hiperatividade, aprendendo desde cedo que todo mundo pode ser diferente, e nem por isso deixa de ser normal. Também começo a usar óculos, o que virou outro inferno na minha vida, pois além de ser chamada de perna longa (sempre fui maior que os outros) passo também a ser chamada de quatro olhos. Os problemas de ansiedade não afetam o meu rendimento escolar, ou seja, ainda sou odiada.
Outra parte legal era assistir Cavaleiros do
Zodíaco todas as tardes, e juntar dinheiro para enriquecer o cara da banca de revista comprando a Herói para saber tudo sobre os episódios.

1997 - Saio da escola particular e começo a estudar em uma escola pública da periferia da cidade (Anjo da Guarda é periferia,
Carlos!?). Por conta da minha altura sou mandada pela professora a sentar no fundo da sala, a fim de não atrapalhar a visão dos demais. Comecei a conhecer uns tipos interessantes, e toda semana a gente tinha um evento para comentar, tipo que tio de Fulano levou uma facada, ou irmão de Sicrano tinha roubado uma casa, e aprendo aos oito anos que maconha não se cheira e sim se fuma, graças aos moleques da 8ª serie que levavam baseado pra fumar escondido na hora do recreio. Minha mãe me ensina a dar graças a Deus todos os dias por ter uma família estruturada, pois sou a única na sala de aula que não tem país separados. E apesar de conviver com uma realidade totalmente diferente da qual eu estava acostumada, o meu rendimento escolar continua bom, e sou mais odiada ainda por que além de estudar, tenho uma família legal( e a essas alturas isso já tava ficando chato).

2001 - Começo a me interessar mais por literatura e parto para os grandes Clássicos. Amava Shakespeare do fundo do meu coração, e também ganhei do meu pai os três tomos de As mil e uma noites, que me tomaram bastante o tempo. Também tinha em casa
vários volumes das Edições Vaga Lume.
Outro fato interessante foi o surto das
boy-bands, o que me tornou uma consumidora assídua de Revista Capricho e telespectadora da MTV. Mas como fui sempre única mulher no meio de três homens (irmãos) e vários homens (amigos) e uma prima doidinha que gostava de Legião Urbana, não tive como escapar de ouvir as coisas clássicas do Rock, como Beatles, Led Zeppelin, AC/DC, Nirvana... E pra ajudar uma amiga a conquistar um namorado, comecei a ouvir uma banda que o cara gostava, chamada Red Hot Cili Peppers. ela não consegui o namorado, mas eu ganhei uma banda pra gostar, tanto que eu desesperei quando eles vieram no Rock in Rio e eu ainda não era uma mulher assim, dona do meu nariz.

2002- Eu começo a perceber que, além de inteligente, eu estava criando uns atributos
físicos interessantes (tipo super peitos) e que isso me seria muito útil algum dia. Entro no ensino médio e percebo que os óculos foram essenciais para a formação da minha identidade. Ouço pela primeira vez a História da Revolução Russa, através de um professor entusiasta de Lenin, Marx e Trotski, e resolvo que vou ser de Esquerda e admirar o Socialismo até o fim da minha vida.

2004 - Me mudo com os meus pais para o
município de São João dos Patos, onde até então só ia passar ferias, e acho tudo uma droga. Na escola todo mundo me acha estranha pelo fato de eu andar de sandália de dedo e calça rasgada. Aprendo sotaque piaiuense, a dançar forró e a beber "maranhense" sem fazer cara feia. Começo amar o Chico Buarque, o Guimarães Rosa, leio Franz Kafka pela primeira vez, e começo a odiar o Paulo Coelho. Faço amizade com os tipos mais esquisitos da cidade, que atendem pelo nome de Markyran, Dowglas e Raul, e aprendo a tirar sarro da cara dos outros, normas técnicas de aviação, fofocar... E me torno cada vez pior.

2005- Depois de pensar em ser advogada,
designer, Professora de Literatura e Jornalista... Além de uma crise existencial que quase me fez desistir do vestibular, passo em ultimo lugar para o Curso de Pedagogia da UFMA. E ao entrar na universidade fico cada vez pior (na concepção da minha ), largo de ir a Igreja, entro para o Movimento Estudantil e, graças a esta experiência, me torno de vez a pessoa que todos conhecem hoje.
As minhas notas cairam (finalmente!), mas eu não me importei, pois não deveria deixar a vida academica atrapalhar a minha formação, o que no fim deu certo, já que mesmo não tendo o melhor coeficiente, andava aprendendo coisas muito mais uteis. Mais tarde compro o meu computador e começo a fazer o que eu mais gosto: baixar filmes, livros e músicas.

2007 - Entro na Plataforma Blogger e crio este blog que você lê no momento. Conheço um cara chamado Daniel, através do blog do
Dowglas, e começo uma relação muito vantajosa com ele, que me vende livros em francês a preço de banana. Sem falar nos momentos de notivagos no msn, falando besteira.
Conheço o
Professor Romildo Silva, meu futuro orientador, e arranjo além de alguém para admirar na Universidade, um grande amigo e colaborador. Faço parte da Organização do 27º Encontro nacional de Estudantes de Pedagogia, e tenho o meu primeiro esgotamento físico e mental, ficando de cama por semanas.

2008 - Viajo pelo interior do Maranhão em pesquisa sobre o fenomêno da Violência Sexual Infanto - Juvenil, através de um projeto do Governo Federal. Ando pelos municipios onde há bairros em que tudo falta, vou a povoados distantes e aprendo, na prática como as coisas funcionam por aqui. Percebendo de perto as causas que fazem do Maranhão o Estado mais pobre do Brasil. Tenho o meu segundo esgotamento físico e mental, não conseguindo pensar em nada durante dias.

2009- Vivo o que chamo de desespero
acadêmico, estudando e fazendo o meu trabalho de conclusão de curso. O que me tomou um pouco da minha vida pessoal.


09 maio 2009

Planos de vôo



Andei pensando, depois de um post que li no Amálgama, e percebi que sou uma pessoa estranha para os padrões atuais. Tudo isso porque eu faço planos a longo prazo, e o que é pior, sigo eles a risca. Eu sonho.
Desde criança eu dizia umas coisas, como por exemplo, que iria me formar na universidade com 22 anos, e acho que esse foi o plano mais a longo prazo da minha vida. Tanto eu me lembro que ficava sentada fazendo os cálculos, só para ver se ia dar tudo certo... E eu só tinha uns seis anos e era (me achava) uma bobona de óculos aro marrom e sem amigos. Mas eu tinha um sonho, e isso pra mim era muita coisa. E no meio desse devaneio vinha tanta coisa, tanta vontade... De ser nutricionista só para cuidar da dieta da vovó; aeromoça e poder fazer conexão internacional para Paris; medica e viajar pro meio da Amazônia cuidando dos índios; jornalista (eu vi Watergate altas horas da noite no Corujão, escondida da mamãe) para desvendar todos os podres da política; designer para projetar coisas que facilitassem a vida das pessoas...
E foi tão engraçado quando eu percebi que meus planos eram cada vez mais reais, e que as coisas vão acontecendo no mesmo instante que você respira e, graças as todas as condições favoráveis que eu tive, vou fazer 22 anos em Agosto e caminho para me formar em Pedagogia. Ou seja, estou a beira de concretizar o maior plano da minha vida, já que tudo o que veio antes, durante, e tudo o que virá depois será por causa e efeito deste meu grande plano! Eba!

Mas, é daí Gerusa!? Tu vais te formar, parabéns... Só que até agora eu não entendi aonde tu quer chegar.

O problema é que muita gente me pergunta o que é que eu vou fazer depois que me formar, o que vai ser da minha vida. Varias pessoas me dizem que adiam a formatura ao máximo, ou que fazem varias graduações para não ter que sair do meio da universidade, pois, não saberiam viver ou ter amigos em outro lugar, e não entendem como eu, uma pessoa que teve todas as experiências legais e construtivas que essa meio proporciona, que fiz grandes amigos, participei de grandes movimentos, estive em festas sempre memoráveis, fui referência de curso... Como é que eu posso querer com tanto afinco sair dali?

E eu respondo que eu vou continuar fazendo o que eu sempre fiz: viver!

O grande lance em se fazer planos a longo prazo é que você sempre tem duas possibilidades: ou você se dá super bem, ou quebra a cara. E para que tudo dê certo é preciso fazer escolhas e arcar com a responsabilidade que elas trazem, o que, no meu ponto de vista, é o mais legal pois te faz crescer como gente, ter maturidade pra cair e levantar, e até perceber a tempo se por acaso tal escolha é mesmo a melhor pra sua vida. E por isso eu digo que me sinto diferente, porque não tive medo de fazer planos numa sociedade onde gente da minha idade, e com as mesmas oportunidades que eu tive e até mais, não sabem se calçam a luva ou colocam o anel. Sentem medo de pensar no futuro, afinal somos tão jovens.
Eu olho para minha mãe e penso que na minha idade ela já morava sozinha a um bom tempo, estudava enfermagem, trabalhava, namorava o meu pai... E com 23 anos já tinha o meu irmão mais velho. Vejo e fico pensando o quanto os jovens de hoje adiam a responsabilidade sobre as suas próprias vidas, como se quisessem viver em uma festa sem fim, com medo do estrago e da faxina do dia seguinte. Como certos amigos meus que planejam a sua vida por semana, no máximo por semestre, segurando nas arestas, com medo dos grandes saltos.

Posso até quebrar a cara, mas me jogo do ninho, pois, eu sei que sou um passarinho e posso voar. E você, que ainda está aí dentro olhando a casca que se rachou, pensa que é o quê?

Depois eu conto os meus novos grandes planos...

30 março 2009

Falando do falo


Depois de uma conversa que tive ontem pelo msn (esse povo que fica falando besteira ao invés de ir dormir), me senti no dever de defender esta classe tão subestimada.
Se você é daqueles que se sente chateado com certos spans no seu email, que prometem aumentar o tamanho do seu pênis, este post é para você querido amigo.
Grande maioria de 14, 17 cm... Sintam-se amados e homenageados por esta pessoa que vos fala, e por todas as mulheres que lhes usam diariamente, oh! Sejam felizes.
Tudo isso porque eu já estou de saco cheio dessa história de que pênis grande, de 20cm pra cima(sem trocadilhos, ou com, se você quiser), é que faz bem o caqueado. E eu só queria saber quem foi o megalômaniaco que deu início a essa história, e com isso deixou um bando de homens inculcados com uma coisa nada a ver.
O homem nasce feliz, sente-se vitorioso quando aprende a fazer xixi
sem molhar a beirada do vaso sanitário (e tem gente que não consegue nunca), e em certo momento quando está brincando com a priminha se dá conta do seu diferencial. Aí quando ele tá naquela fase de voz fina, voz grossa, voz fina, voz grossa... Entra um pentelho no banheiro na hora do recreio, e diz que o pênis dele é do tamanho do seu dedo mindinho. Aí acabou-se a graça.
Por essas e outras que muitas vezes eu penso que quem realmente gosta de pênis grande são os homens. Ou você nunca foi brechado num banheiro público? Nunca me lembro de mulher falando no banheiro "tu viu os grandes lábios dela!?" ou "nossa, que depilação legal"... Essas coisas são típicas de homens que acham o máximo menosprezar o outro e ficar afirmando sua masculinidade centímetro a centímetro. Grande bobagem.
Como eu estava dizendo ontem, no fim das contas o tamanho não é nada se você não souber fazer um bom uso da coisa. Afinal me diga homem super dotado(?!), quantas vezes você já perguntou pra sua namorada se ela gosta do seu pênis? Ou você acha ele tão fantástico que tem certeza absoluta que ela possui um altar onde venera a foto do seu amigão?! Atitudes como estas só deixam a mulher irritada. E eu confesso que esse mito também é muito alimentado por nós... Vamos falar sério, quantos Príncipes Zulus você já pegou na vida? E ainda anda falando por aí do que não sabe, menosprezando o nosso arroz com feijão de cada dia, que satisfaz tão bem...
Se você chegar em uma roda de 10 mulheres, e pedir pra elas falarem sinceramente a sua preferência de tamanho vai ouvir coisas do tipo "normal, que proporcionam um encaixe perfeito, que me deixam confortável". Pois o que interessa mesmo pra gente é a atenção que você homem dá a nós, e não a que você dá ao seu pênis. O carinho e a performance sim, são os essenciais e não abrimos mão deles.
Mas sempre terão aquelas que gostam dos pênis grandes, pois, como diria uma amiga minha " toda mulher tem o pinto que lhe convêm".

Update: mudei o titulo do post, de A você, querido amigo para Falando do falo, pelo simples fato de ter lembrado do nosso amigão Freud.

Update 2: essa imagem ficou perfeita!


08 fevereiro 2009

Sobre fogão e panelas


Eu acho tudo muito engraçado nessa vida (quem me conhece sabe, que eu vivo sorrindo até quando apresento seminário). Acho que são os meus genes provindos de uma família, no minímo, estranha. E muito culpa dos meus pais, que me deixaram ir por ai com a cabeça solta, inventando um monte de teoria doida, para explicar as coisinhas mais triviais.
Era a minha brincadeira favorita inventar teoria pra tudo. E eu nunca larguei de fazer isso, já que não me importa muito se para os outros minhas teorias tem lógica. Afinal eu não estou defendendo uma tese, mas apenas falando pelos cotovelos.
E foi assim , sem mais e sem pensar que, na quitinete (é assim que se escreve?) da minha amiga Fani, eu falei:

-Meu irmão comprou um fogão completo... Acho que ele vai casar...


-Só por que ele comprou um fogão, não significa que vai casar Gerusa! hahahaha


- Ah é! Então significa o quê? Me diz?


- Ora... Significa que ele pode estar pensando em se mudar da casa dos teus pais, ir morar sozinho...


- Ai ele vai e compra um fogão, pra morar sozinho?


- É oras! Como ele vai cozinhar a própria comida sem um fogão?!


- Pois pra mim, quem pensa em fogão e panelas é porque vai se casar. Ninguém fala nisso antes de pensar em se casar oras!

-Gerusa! Larga de tu ser doida pequena! Eu comprei um fogão, e panelas, e panos de prato, mas não casei e...


- Ah! Stephanie! Tu é francesa porra! Ai não vale!


- ?


- Minha mãe não é francesa, e fez a mesma coisa.


- Mas eu aposto como ela tava querendo casar...


(Pois o ato de cozinhar não é uma coisa solitária. É algo que você faz com carinho, pensando em alimentar alguem, como num ritual sagrado. E quem mora sozinho não compra grandes apetrechos de cozinha, pensando apenas na sua alto suficiência. Fogão e panelas significam coletividade. Cozinhamos para receber amigos, parentes, para nutrir aqueles que amamos. A gente pouco importa na cozinha, tão tal que quando estamos sós temos preguiça de fazer qualquer coisa, mesmo com fome.)


- Tá, tá certo. Então a minha mãe tava advinhando que um mochileiro francês iria aparecer derepente na vida dela?!
hahahahaha

-Ah! Sei lá Fani. Só sei que, pra mim, as coisas são assim... E "vumbora" que a gente já tá é atrasada.

08 janeiro 2009

Jogo de Bola no domingo



Olha que imagem mais comum, de dois garotos rindo lado a lado. E seria até banal se um não fosse Israelense e o outro Palestino.
Essa imagem, e as cenas e relatos do documentário "Promessas de um Novo Mundo", ficaram na minha cabeça durante muito tempo, e tem me ajudado a compreender o por quê desta Guerra estar se arrastando a tanto tempo. E para além me mostrou que, apesar de todo horror e insegurança que é viver naquele território, os seus habitantes sabem ter os seus momentos e levam as suas vidas. Para eles o estado de perigo é mais vivo e mais real que uma possível paz.
Esse documentário me pareceu interessante por ir buscar um outro lado, que não alcançamos nos noticiários, e tirar das crianças a imagem de vitimas, e coloca-las em frente a câmera para dar-lhes voz. E assim tentar saber o cotidiano de uma infância que está em constante ameaça.
É assustador perceber a carga de ódio na fala de alguns. De ver como ambos, Israelenses e Palestinos aprendem a defender e reivindicar um pedaço de terra com tanto sangue derramado como seu, seja pelo direito divino, seja pelo direito ancestral. A força com que juram vingança pela vida do colega de escola, que foi usurpada durante os conflitos, e a disposição de muitos, principalmente dos Palestinos, em dar a sua vida pela sua causa. E confesso que os depoimentos das crianças Palestinas foram os que mais me marcaram, pela força da convicção, pelo sofrimento que transmitem.
Não estou dizendo aqui que as crianças Israelenses não sintam a Guerra, mas devemos concordar que estão em maior vantagem pelos muros e soldados que as protegem. E você vai me dar razão se for procurar o saldo de mortos e feridos de cada lado nesses últimos
Eu também sei que os meninos e meninas de Israel tem medo de pegar um ônibus e ser surpreendida por um homem bomba. Mas estes pequenos não foram tirados de suas casas, e tão pouco participam de uma Guerra onde sua única defesa são paus e pedras.
Só que fugindo de todo esse ressentimento, o Diretor do documentário propõe um encontro entre essas crianças. E esses sorrisos que você vê na foto são de infâncias que resistem dentro de corações de meninos assustados, mas que são apenas meninos. Que gostam das mesmas brincadeiras, mesmas comidas, e que sonham com a mesma coisa: Paz para o seu povo.
E eu desejo que seus sonhos, e o de milhares de outras crianças desta zona de conflito, sejam impulso suficiente para que toda essa barbaridade conduzida pelos adultos de hoje não vá adiante com as novas gerações.

21 dezembro 2008

Flash Back

Esse post consiste em flash backs das situações mais simples, mais estranhas, tristes ou engraçadas que vivi neste ano, que como os outros foi rápido, e deixou aquele desejo de querer parar um pouco no tempo, ou voltar e viver tudo de novo. Não vão estar todas aqui, mas algumas que vem na retina eu vou escrevendo.

"Por quê bêbado sempre dá vexame? E por quê mulher bêbada sempre fala mal dos homens?... Eu e minha amiga (depois de ter bebido muito) fomos comer uma cachorro-quente no Sousa(uma entidade fast-food ludoviscense), e dentro do silêncio sagrado da refeição ela dispara aos berros- Poxa Gerusa! Por quê tu deixou que fulano brincasse com a minha cara! Por quê tu não deu umas porradas nele? - E eu me recuperando do susto - calma, as coisas não são assim- até que do nada o cara da mesa ao lado grita - fica assim não minha filha! Homem nenhum presta! Eu digo isso, pois eu mesmo não presto! Abaixa a cabeça não mulher! Te valoriza! ele não te merece...
Só depois eu percebi que ele também estava bêbado. E essa foi a gafe etilica do ano."

" O melhor do meu Carnaval foi ser abordada pela policia (era proibido beber em garrafas de vidro) e ver o Raul descadeirado depois de descer até o chão dançando o creú."

" Eu ganhei de presente do Mark o livro da minha vida. E o li de novo, e encontrei novas mensagens, e chorei com ele. E, creio eu, vai ser assim a cada nova leitura."

" Eu fui ao Teatro ver um cara fazendo um tributo a Chico Buarque. Me empolguei, cantei a maioria das músicas e quase cheguei ao ponto de subir na cadeira e dançar... Tudo isso enquanto um senhor de uns 60 anos me fitava, de vez em quando, espantado. Talvez ele ache incrível gente jovem gostar de música boa, ou só estivesse me achando uma louca mesmo."

" Eu rodei dançando 'Madalena' no show do Ivan Lins."

" Eu disse pra minha vó, que a veria de novo no final desta ano. Ela faleceu antes disso, e deixou muitas saudades."

"Eu sentei no ônibus (que faz linha pra UFMA) e espirrei, quando um cara do meu lado falou - saúde. Obrigado, eu respondi, e então ele chegou mais perto e começou a perguntar meu nome e a dizer que eu parecia ser interessante. Até que eu disse que não estava afim de conversar com um estranho - É incrível como a pós-modernidade torna as pessoas tão individualistas ao ponto de recusarem a chance de interagir com pessoas interessantes- essa foi a resposta dele..."

"Encontrei a minha Professora de Química do 2º ano, dando aula na Escola onde eu estava fazendo o meu estágio. Ela se emocionou ao me ver, e ao saber que já estou prestes a me formar."

" Eu acompanhei pela televisão um país massivamente concervador, puritano e racista eleger um homem negro."

" Me emocionei ao ver que o Nelson está dando continuidade a um ciclo de engajamento estudantil, do qual, daqui a uns meses, não farei mais parte. E de saber que de alguma forma eu contribui pra isso."

" Eu acompanhei o Alex entrando no ensino fundamental, e senti uma satisfação pessoal ao ver ele lendo o primeiro de muitos livros que eu vou dar a ele."

" Acompanhei todas as rodadas da serie A do campeonato brasileiro de futebol. Xinguei com o meu pai assistindo os jogos, vi o São Paulo subir na tabela e se tornar outra vez campeão, o Vasco ser rebaixado e o Corinthians subir... Mas o que foi aquela contratação do Ronaldo 'fofômeno' ?"

" O Daniel definitivamente virou meu amigo. Daqueles cheio das intimidades e palhaçadas, de confiar certas coisas que não se confia aos outros, de me decepcionar por não ter trinta anos, não ser formado e barrigudo, não ter emprego chato e morar sozinho... Ele é tão inteligente, e não sei por que diabos me dá corda.Com aquele olho verde chato dele, que ainda por cima não quer me dar (os olhos). Mas o mais interessante da nossa amizade você não sabe - nós NUNCA nos vimos pessoalmente."

" A Dianne é muito engraçada, adoro ela. E a gente resolveu outro dia que ela vai no meu casamento."

" No shopping tinha um cercadinho com balões e uma casinha cor de rosa - Ai, vamos entrar!? - Eu virei perguntando pro Dowglas, e ele me olhando com aquela cara de ' a Flávia é mesmo doida varrida', disse - Tá, eu sou um crianção, mas num shopping não dá - Esses homens sem coragem..."

"Ado! Aado! Cada um no seu quadrado."

" Cara! Era pro sapato acertar bem na venta do Bush, mas mesmo assim já fechei meu ano com chave de ouro.Beijo de despedida é a mãe!"


Bom, agora eu creio que eu vou entrar de ferias, e este blog também. Final de Janeiro estou de volta, e como diz a mamãe "ano novo, vida nova", com certeza vai ter muito assunto novo, e muita coisa encaminhada.

Beijo e me liga.



02 dezembro 2008

Todos os anos, todos os erros

Já é Dezembro, e aquela sensação de fim de ano, tão incomôda, está chegando. Assim como chega os resfriados, devido a mudança térmica causadas pelas chuvas do período aqui em São Luis, e tão certo como as propagandas de natal, os chocottones ,e a música mais-que-repetitiva da Simone.
Dai começam os pseudos sentimentos solidários, a preocupação da mamãe com os presentes, o inferno de pessoas na Rua Grande, as avaliações da sua vida medíocre... E você vê que tudo gira, e volta pro mesmo lugar no fim do ano.
Aqui em casa tá uma bagunça, pois acharam uma boa ideia empreender uma reforma. Aliás, meu pai achou que já era hora de eu ter um quarto só meu, mas eu acho que já é tarde pra isso na casa dos meus pais, como já é tarde pra muitas coisas. Mas reformas são sempre bem-vindas, pois nunca se sabe quando o filho vai se separar e voltar pra casa, ou quando a filha vai cair numa fúria insana de ir embora...Nunca se sabe, mas deve-se estar preparado. Este ano, por exemplo, eu não estava preparada pra perder duas avós, e deixar ir embora da minha vida, sem suspeita de possível volta, alguém que se tornou todas as coisas do mundo. Eu não estava preparada.
Mas você não pode se abater querida! Pois o mundo está girando, e você tem que deixar o seu cabelo crescer, fazer os exames rotineiros, pintar as unhas na cor vinho reserva, entregar os relatórios, pagar o cartão de credito, comprar um vestido pro casamento do irmão (de novo), contribuir com as contas da casa, beber com os amigos, fazer aulas de frânces, usar creme facial com filtro solar, acordar cedo, tirar a maquiagem do rosto depois da festa, rir, ser sociavel, não dar uma de periguete, ouvir os conflitos amorosos das amigas, mediar as discussões (?) dos pais, levar os sobrinhos na exposição de arte contemporânea, ir a palestras, dar palestras, brigar, não cair do salto, estar presente nas aulas, ler os textos, fazer projetos... Você tem que ser querida, você tem que ser... Tudo em 365 dias, e as vezes você não dá conta.
E sempre tem aquelas horas em que você não aguenta ser quem é, ou quem você se fez ser, e quer mais é chutar tudo, t-u-d-i-n-h-o-m-e-s-m-o. Então você caminha com os pés descalços na areia, chora bicas e diz "como eu queria voltar atrás". E será que voltar atrás iria adiantar de alguma coisa? Continuaríamos cometendo erros, senão os já cometidos, outros diversos, mas sempre erros, sempre irá ter uma magoa. É um fato que não podemos evitar, e como diz um amigo meu " é fazendo merda que se aduba a vida".
Tão certo como o ar que eu respiro (aleluia) 2009 vai chegar, e vamos dizer "ano novo, vida nova", mas no Dezembro que virá estaremos aqui lamentando os infortúnios inúmeros que tivemos.
E vai ser tão gostoso quanto está sendo agora reclamar de todas as cagadas que fizemos, ou que fizeram com a gente, e de como esta vida sufoca, mas é nossa. E de como não erraremos mais, de como seremos bons, justos, autruistas, lindos-de-capa-de-revista. Remendados e prontos para os novos erros, ou os já velhos, mas em edição de luxo, com capa dura.

25 agosto 2008

Devaneios e Creme de Galinha

Hoje acordei com uma certeza em meu coração: sou uma falsa otimista.
Eu posso até enganar as pessoas, mas infelizmente não sou tão ardilosa comigo mesma, e isso é triste pois eu queria realmente sempre enxergar o lado bom das coisas. E o mais engraçado de tudo é que estas síncopes fatalistas sempre tem data marcada para acontecer - 25 de Agosto, dia que completo anos de vida.
Não, meus poucos(porém prestimosos) leitores, isso vai passar e com certeza amanhã estarei bem feliz, só que os aniversários tem um quê de revival melancólico, e coisas deste tipo me deixam mais sensibilizada que de costume com minhas propias mazelas.Eu abro meu orkut e vejo minha caixa de mensagens cheia de votos de felicidades e muitos anos de vida, todas vindas de grandes amigos, de companheiros de luta, de alguns amores, ex-amores e quem sabe alguns futuros amores...Mas sempre me pego pensando, se este fosse o meu ultimo aniversário?
Fui ajudar minha mãe no almoço, cozinhar me relaxa e hoje nós duas decidimos experimentar fazer creme de galinha(aliás um beijão pra Dona Eurides, que é com certeza um amor de pessoa, e quem gentilmente me cedeu esta receita). E enquanto desfiávamos os pedaços de peito de frango cozido, eu pensava em tudo o que me aconteceu até eu estar ali, naquele momento corriqueiro na cozinha, minha mãe lavando o arroz...Minha mãe, será que ela estava pensando que eu finalmente cresci? Será que eu finalmente cresci?
Só sei que cada vez que o tempo passa eu me sinto mais confortável, pois finalmente posso assumir meu estado de espírito favorito, alheio e distante, cerebral, com uma pitada de humor esdrúxulo, que muitas vezes beira o ridículo. Ainda me preocupo, mas estou cada vez menos ligada aos pensamentos das outras pessoas. Talvez isso possa ser a definição de crescer - ter cada vez mais consciência de si.
Afirmo com toda certeza que me sinto bem melhor agora do que na minha adolescência. Que época pavorosa onde você necessita ser aceito, estar em um grupo, ser o tal, e isso é muito cruel.
Lembrei de quando eu tinha 16 anos e comprei uma revista, e nela tinha uma entrevista(que me marcou muito, tanto que me veio na memoria hoje) com uma banda de rock que eu gosto bastante. A repórter perguntou ao vocalista o que eles sentiam ao saber que tinham fãs na faixa dos 16 anos, e estes responderam que achavam gratificante ver que a música que fazem ultrapassa uma barreira de idades. Então a repórter emenda e pergunta se eles se consideram eternos adolescentes...Já pensou que pesadelo?Diz o vocalista - você ficar eternamente preso a uma idade e não ter a possibilidade de crescer com as experiências que a maturidade pode te proporcionar, me parece mais um filme de terror...
Pega o molho e bate no liquidificador junto com a maisena... Minha mãe me dá um abraço, deseja que todos os meus sonhos se realizem. Já pensou minha filha - me diz ela - que poucos estão onde você está com 21 anos?
Não quis pensar nisso... põe o molho junto com o frango desfiado no fogo, acrescente meia lata de creme de leite e uma lata de milho verde...Olhei para o quintal e as borboletas amarelas estavam voando em grande quantidade. Meu primo me disse que uma borboleta vive no máximo duas semanas, dai pensei o quanto deve ser intensa a vida destes seres, que passam um bom tempo se rastejando na forma de largatas, e depois de um tempo de maturação saem lindas voando pelo mundo, polenizando as flores,ajudando a vida a seguir seu curso.
Me indaguei como pode haver tanta filosofia de "carpe diem" dentro de um ser tão frágil? Me indaguei também de onde eu tirei tanta força em certas horas pra lutar, resistir ao cansaço. De onde vem essa certeza de um dia realizar grandes feitos? Mais perguntas ao vento...
Já tá no ponto mãe, será que ficou bom?Prova aqui Alex, vê se ficou gostoso... Meu amigo me diz que eu só tenho 21 anos mal feitos, sinal de muito tempo pra tudo, inclusive pra acertar na receita.

08 agosto 2008

Saindo do sério com Seu Luis...

Quinta- feira, dia 7. A Gerusa chegou em casa às 21h, vindo da aula, morta de cansada pra variar.
Largou o caderno em um sofá, a bolsa na poltrona. Passou em frente a televisão, todo mundo vidrado na novela.
Mas antes de chegar a cozinha foi nem tanto surpreendida por Seu Luís, que sentado no sofá só conseguiu abraçar sua perna...Ela, Gerusa, passando um ar de cansaço do alto dos seus 1,73. Ele, Luís, nos seus 1,59 muito menor sentado, sorrindo...
- O quê foi pai? Deixa eu ir beber água, que coisa!
-Não posso mais nem te abraçar? Quando tu eras pequenininha, se eu chegasse do trabalho e não te abraçasse, tu ficava com um bico deste tamanho (mostra então o comprimento do braço).
-Mas naquela época eu achava o senhor o maior homem do mundo, por me carregar com um braço só...
- E hoje não acha mais não?
-Ah pai, já tenho 20 né! Sou até mais alta que o senhor!
- Isso é só porque já arranjou namorado e não quer mais saber de mim. As vezes quando sai nem dá mais beijo, nem diz "tchau velho"...
Gerusa desiste, senta no colo do pai
-Ponto! Tá satisfeito?
- Quase, agora só falta o abraço!
Gerusa abraça Seu Luís, e passando a mão na cabeça branca deste preto velho diz:
- Seu palhaço! Quero ver se até quando eu for velha, depois de parir uns três galalaus(exageros...), ainda vais querer que eu sente no teu colo. Imagina!?Todo mundo vai mangar de mim!

-Isso não importa não! Ter pai não tem idade. Além do mais tu vai ser sempre minha caçulinha, mesmo formada, casada ou com uma renca de filhos!
-Credo pai!Retruca Gerusa.Uma renca também não, que assim o senhor me acaba!

A consequência de viver ao lado de Seu Luís é sempre uma penca de risos!
Te admiro muito pai.

13 julho 2008

Fetiche intelectual


Eu gosto de cérebros! Pronto, falei. Acho que as coisas que nos atrai para as pessoas vão se formando com o tempo, como por exemplo a minha predileção por homens magrelos, meio desajeitados e com cara de cachorro chutado na rua foi se formando com as experiências destes meus curtos 20 anos...Mas desde que me entendo como um ser que pode gostar de outros, já tinha comigo uma atração irressistivel por massas cinzentas musculosas.
Se fossemos agora fazer como Bourdieu e categorizar a aquisição de conhecimentos científicos e culturais como um capital igual a aquisição de bens econômicos, poderíamos dizer que sou atraída por homens dotados de cérebros bem ricos de inteligência. Assim eu seria uma verdadeira intelectual interesseira! Credo!hahahahaaha.
Mas vamos falar a verdade...Não sei as outras que gostam de músculos mais visíveis, só que gosto mais daqueles que me façam desafios mentais, que me mostrem perspectivas novas, coisas fora do comum. Adoro ficar vendo quantos livros nos lemos, quanto temos a capacidade de explicar as coisas um pro outro. Também gosto quando eles falam sobre as noticias dos jornais e dos assuntos do cotidiano embasando sua conversa teoricamente, citam exemplos de livros enormes, tiram poemas da manga, ou cantam (muito mau admito) musicas otimas. Só eles tem um humor fino, umas sacadas únicas, uns trocadilhos infames (porém não idiotas), contando piadas que poucos entendem. E mesmo assim travam brigas diárias com a timidez, incompreensão alheia e propia, e muitos até lutam para conseguir músculos visíveis... Pra quê? Vocês são lindos assim!
Acho que respondi por que não ando suspirando por todos os homens convencionalmente bonitinhos... Só depois de uma hora de conversa quem sabe?

11 maio 2008

Eita Tia!


No dia das Mães o Alex (meu sobrinho) me perguntou se não tinha um dia das Tias pra que eu também pudesse ganhar presente.
Eu disse que não.
Mas por que tia? Tia também é legal, ele disse.
É... Ser tia é bem legal!

PS: Essa de biquinho é nosso novíssimo xodó, Emile (cassulinha da titia).

12 abril 2008

Mudança de Habito


Nossa pequena como tu tá sumida!

...É realmente estou sumida...

Esse dialogo tem sido algo constante em minha vida ultimamente, sinal de que consegui colocar em pratica algo que me prometi na virada do ano...Sumir.
Sabe quando você sente a necessidade de se afastar de muitas coisas pra poder priorizar outras? Pois é, antes você me encontrava facilmente pelos corredores da Universidade, sempre disponível para uma conversa trivial antes da aula.Mas agora você só me encontra indo ou voltando, meus momentos de conversa estão mais raros, meus risos mais contidos, meu cansaço mais visível.
As pessoas não entendem que eu não tenho mais o mesmo pique de trabalhar a manhã inteira, estudar a tarde e a noite ( nesse meio tempo entre a tarde e a noite articular, militar e coisas afins) e no final da aula rumar para o Reviver e encarar a cerveja da Faustina. Chega um momento em que as coisas se apertam tanto que podem te sufocar, e você tem que fazer uma escolha, para poder ser bom e dar conta com total responsabilidade de suas tarefas. Mesmo abdicando de muitas coisas ainda não consegui ser boa no que estou me propondo a fazer, ou talvez eu esteja exigindo muito de minha pessoa, por conta disso só estou aceitando o que minhas pernas alcançam, pra não cair mais tarde.
Só que existem coisas boas em se dar um chá de sumiço, como você conseguir um pouco de paz pra pensar em tudo o que tem feito de sua vida e ver que certo vazio que você sente mesmo estando no meio de tanta gente é totalmente compreensível, explicável quando você para pra senti-lo como ele merece.Eu descobri nesse meio tempo o sentido do meu vazio, e descobri também que tenho um bando de amigos que sentem muita falta de mim, e outras pessoas que eu nem conheço direito mas que se sentiram no dever de notar minha ausência, de reclamar meu sorriso de volta, e nessas horas você se dá conta de que todas as suas atitudes refletem instantaneamente em alguém.Incrível né!?
Vou continuar sumida por um bom tempo creio eu, resolvendo tudo que tenho a resolver, aparecendo só quando estritamente necessário.A certas mudanças que se operam de maneira lenta e quase imperceptível, mas que são boas para preservar as coisas importantes que temos e muitas vezes não enxergamos na ânsia de abraçar o mundo com as pernas.Experimenta sumir também, tenho certeza de que vai notar muita coisa que antes não via.

18 março 2008

Dona Dezi voltou!

Minhas duas ultimas semanas foram um caos.Tudo isso porque minha mãe viajou pra São João dos Patos, já que uma coisa é você viajar, outra e sua mãe viajar e te deixar em casa. Terrível minha gente.
Logo de cara digo que não sei passar café, o que é um sacrilégio pra uma viciada na bebida, mas eu não sei, e o café de papai não é igual ao café dela.Resultado: duas semanas no achocolatado. Sem falar no problema ao acordar de manhã, já que meu despertador toca, porém é Dona Dezi que vai lá e me dá uns cascudos pra eu levantar da cama na hora.Resultado:duas semanas chegando atrasada no trabalho.
As roupas amontoaram e eu tinha preguiça de cozinhar feijão e todo mundo reclamava da falta dele nas refeições, sem contar que o esquema da "janta" ficou cada um por si.Resultado: o estoque de miojo acabou.
Sempre admiti que não sei nada sobre minha casa, já que esse reino é exclusivo da minha mãe.Ela odeia que a gente se meta na cozinha, que mude as coisas de lugar, comanda tudo e briga com todo mundo se as coisas não saem do jeito dela. É por isso que nem eu, nem ninguém, consegue viver aqui civilizadamente sem te-la por perto pra dizer o que fazer. Talvez quando eu tiver a minha casa eu vá agir de forma diferente, mas aqui o negocio é com Dezimar.
Isso tudo é culpa dela que estragou a todos nós com aquelas coisas que só mãe faz, como separar o teu pedaço preferido do frango ou fazer doce de leite e pudim quando tu faz aquela cara de manhoso.Preparar almoços maravilhosos e gostar de todos os teus amigos e aturar eles na sua casa rindo das doidices que a gente diz.
Eu estava analizando e cheguei a conclusão que pra competir com a minha mãe de igual pra igual só mesmo a Dona Eurides que é muito fofa. Mas mesmo assim ainda voto na mamãe.
Que bom que ela já chegou e fez feijão pro almoço.

14 março 2008

E ele a beijou enquanto segurava um tomo de Fausto

Estava eu na Biblioteca procurando um livro do Garcia Marques, e tão absorvida me encontrava nesta busca que só depois de muito tempo percebi um casal que se encontrava na sessão de literatura francesa e alemã.
Então comecei a observar de soslaio suas ações. Eles não falavam, não cheguei a ouvir suas vozes, mas se olhavam tão cheios de cumplicidade, se tocavam com uma sutileza como se ambos fossem os livros velhos e amarelecidos pelo tempo que estavam naquela prateleira.
O silencio que jazia naquela parte da Biblioteca, a ultima e esquecida sessão de literatura deve ser o palco das maiores manifestações de enlevo amoroso. Onde todos andam com calma e sem peso, onde todos deixam-se estar alheios ao tempo, se faz sol ou chove ninguém vê ou se interessa. Apenas passam suas mãos nos livros, pinçam um poema. Foi lá na sessão de literatura francesa e alemã que encontrei um trecho de Kundera a respeito de amar uma mulher e deitar-se com ela. Não lembro com exatidão as palavras, ele diz que o ato de deitar e fazer amor pode ser feito com qualquer mulher sem discriminação, mas o desejo do sono compartilhado só se manifesta diante da mulher que amamos.
Olhando aquele casal eu compreendi o que Kundera quis dizer. Aprendi que o amor não precisa de palavras para ser revelado. Ele só precisa do breve instante do olhar, da intensidade do toque, das ações que sem premeditar se complementam, onde já lhe dá contentamento estar ao lado. Tem coisa mais linda, pensei eu depois de ler ao trecho, do que o seu amor com a expressão serena dada pelos sonhos?!Todo amor precisa do silencio e do lirismo de uma Biblioteca. Recomendo a todos a sessão de literatura francesa e alemã.

25 janeiro 2008

O que é? O que é?


Não sei o que acontece, mas também digo que é muito engraçado.
Cena 1: estou eu saindo do CCSo (Centro de Ciências Sociais da UFMA) e andando pelo estacionamento quando dentro de um carro eu avisto uma guria de cabelo cacheado me olhando incessantemente. Do nada ela começou a sorrir e me deu tchau.Nunca tinha visto ela em toda minha vida...
Esta mesma cena ( com algumas variações ) aconteceu comigo mais duas vezes só esta semana. as crianças ficavam sorrindo pra mim...Do nada, apenas sorriam.
Ai fiquei intrigada...O que foi que deu nesses guris?Mas depois pensei:

Não é nada!

Na verdade o problema tenho eu, você e todos nós que na maior parte do tempo esquecemos o quando é bom sorrir...Sabe aquele negocio que movimenta uns 17 músculos faciais...Tão poucos...Tão simples e fácil.Como diria um louco (muito sábio como todos eles) que encontrei por ai, o negocio mesmo é rir até rachar o bico!
Mas por que não nos dedicarmos a esse gesto tão simples de olhar as pessoas com um sorriso?Por que não fazemos o mínimo de olhar para as pessoas? Até aposto que você pega o mesmo ónibus todos os dias com as mesmas pessoas a tempos e nem sequer deu um bom dia algum dia desses a qualquer uma delas.É capaz de nem saber o nome do porteiro do predio onde trabalha. Nós fazemos varias descortesias com varias pessoa todos os dias e achamos isso normal...Isso sim é loucura.
Nesta sociedade que se arrota Pós- Moderna, que se diz quebrando todos os paradigmas deveria ter era muita vergonha na cara de não ser como as crianças.Sou a favor da quebra de paradigmas sim, porém um que nunca deveria ser quebrado era o sentimento de irmandade, a solidariedade...A boa educação que trata as pessoas com respeito.
Um simples sorriso pode recuperar a dignidade de muitos, pode até devolver a vida a quem não tem esperança em mais nada.É por isso que gosto dos bêbados, dos loucos, dos marginalizados, das crianças.Por que nessa sociedade onde se insiste nos valores individuais, no desrespeito aos direitos do outro, na banalização da violência, são eles e apenas eles, a quem ninguém dá atenção, a quem todos escorraçam e aos que ninguém quer, que realmente enxergam as verdades do mundo.
Como diria Gonzaginha..."Eu fico com a pureza da resposta das crianças".