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28 agosto 2009

Sapatos e Homens


Sabe, eu tô muito "precisada" de falar um monte, e liberar varias coisas que estão rodando na minha cabeça... Então vamos lá.


Esses dias, pelo Twitter, vi um tweet da @ladyrasta sobre uma propaganda de comemoração dos 30 anos da marca Melissa. E curiosa (eu particularmente gosto muito do trabalho da marca, acho super criativo) fui dar uma olhada no vídeo promocional... E me decepcionei de uma maneira que vou tentar descrever aqui.

Sabe o que é aquele amontoado de clichés machistas? Eu nunca vi tantos em uma propaganda só, e fiquei horrorizada com os comentários das pessoas, em sua maioria mulheres, dizendo que adoraram a produção, que acharam fofo, lindo, essas coisas... Já eu não achei nada legal.

O mote da propaganda é uma garota/mulher que conta um pouco da história da sua vida, e de suas amigas, através das Melissas. E começa com duas pequenas amigas que se adoravam, mas que brigam por causa de um garoto. Oi!? espera um pouco pois é forçar muito a barra, vocês não acham? Meninas na idade de 5, 6 anos, não brigam por conta de garotos, elas brigam com os garotos. Já não é suficiente a sexualização precoce que acontece hoje em dia, me vem uma propaganda dizer que basta um garoto entrar no meio e uma grande amizade entre meninas vai a ruína, por estarem disputando o amor do bofinho.
Começou mal, e mal vai prosseguindo, pois na adolescência, apesar da superação da briguinha da infância as rusgas por conta de bofinhos continua, e desta vez por causa de um carinha do intercâmbio. E por conta disso, nada de emprestar Melissa uma pra outra durante um mês.


Bem, quando eu penso que as coisas vão melhorar, pois as amigas entram na faculdade e agora - deduzi eu antes da hora - vamos falar de carreira, conquistas profissionais? Que nada! relevante mesmo foi uma tatuagem, carnaval na Bahia, comprar um carro e perder a virgindade... Pronto! Somos agora as garotas livres e descoladas (odeio essa gíria), temos carro pra ir pra balada (também odeio essa) e não temos virgindade que nos impeça de atrair os homens que estão muito a fim de dar umazinha com a gente... Eba! temos tudo o que sempre sonhamos... Mas na verdade não, pois o que as garotas da propaganda sonham, e esperam, para depois da faculdade não é um bom emprego, nem experiências edificantes, ou não, mas sim um maridinho.

Aí nessa hora a minha
paciência com a propaganda foi pro chão. Juro que se eu encontrasse esse publicitário ia perguntar o que diabos ele tem na cabeça pra fazer uma droga dessas.

Não, e o mais "legal" de tudo é que a maior sortuda das amigas é aquela que se casa logo com o primeiro pretendente. Ai que invejinha, pois ela "alcançou o apíce do desejo feminino" que é casar. Nessa hora me lembrei de uma declaração infeliz de um amigo meu, quando falou que as pedagogas só se formam para ser donas de casa inteligentes e cuidarem bem dos filhos. Uma grande piada sem graça, como essa propaganda.

No final de tudo a conclusão que eu tirei foi que a Melissa acha que a vida de uma mulher se reduz a sapatos e homens, não necessariamente nesta ordem. E se você garota quer arranjar o seu (sapato ou homem) não deve perder tempo , e ir correndo comprar a sua. Sem contar que nunca vi amigas tão superficiais, que se deixam abalar por qualquer pinto que atravesse o seu caminho. Sinceramente, eu pensava que já tínhamos evoluído o bastante para não ter que ver a personalidade feminina retratada de uma maneira tão desrespeitosa, vazia e cheia de clichés machistas, onde sempre temos que nos manter desejáveis e atraentes (dentro de um padrão muito duvidoso) aos olhos dos homens.

Mas quando eu vi os comentários das meninas dizendo que amaram a propaganda percebi que o problema não estava só na cabeça do publicitário idiota que pensou nisso, afinal ele só está fazendo o que a maioria faz. Só que ele, e todos os outros reveriam suas ideias em relação a mulher se nós, mulheres, e homens também por quê não, parássemos de achar esse tipo de coisa bonitinho só pelo fatos de ter sapatinhos de plástico fofos no meio.



19 junho 2009

Boas intenções com pessimas aplicações


Sinceramente, eu ainda não entendi onde todo mundo que está envolvido quer chegar com essa história de não obrigatoriedade de diploma para Jornalista.
Tudo bem que tem muita gente boa por aí, que escreve super bem e está muito melhor gabaritada para atuar no ramo do que certas pessoas que tem diploma na área. A exemplo de vários blogs e sites de mídia independente que transmitem as informações com com maior qualidade e de maneira mais aprofundada, se valendo de boas analises dos fatos, do que muitos meios do jornalismo dito "oficial" que você vê em grandes sites, e corporações de comunicação que possuem um grande alcance na sociedade. O que serve para ilustrar que certificações não são o suficiente para atestar que você é um bom profissional.
Já ouvi gente dizendo que essa medida vai melhorar e muito a liberdade de imprensa em nosso país, facilitando a distribuição de informação produzida de forma independente. E me desculpem, mas eu não vejo as coisas por essa ótica (otimismo em certos aspectos não é o meu forte). E há também a justificativa dada, se eu não me engano, pelo STF, de que o curso não necessita de diploma por não necessitar de habilidades tecnicas.
Como assim? Habilidades tecnicas... O que o STF entende por isso? Tudo bem que os cursos das áreas sociais e humanas são conhecidos por valorizar mais teoria do que a tecnica, mas ela não se extingue dentro da área, já que toda teoria necessita ser viável para ganhar o status de. Ou então o Gilmar Mendes acha que todo mundo já nasce sabendo fotografia, tecnicas de edição e tantas outras coisas que se aprende em varias cadeiras oferecidas no curso de comunicação, porquê se for assim essas habilidades ainda não se afloraram na minha pessoa. Quem sabe, se eu fizer uma forcinha, elas aflorarão subitamente. Mas se bem que ele comparou os Jornalistas com os Cozinheiros, só que até onde eu sei, tecnica é o que mais se precisa para estar dentro de uma cozinha.
Então, se for assim, daqui a pouco, cursos como Sociologia, Letras, Pedagogia, tão não terão diploma obrigatório. Afinal, como cursos das áreas humanas e sociais, a tecnica não é o mais importante, certo? Eu sei que tem muita gente achando isso tudo maravilhoso, e seria, se não vivessemos em um país chamado Brasil, onde atraso é o nome do meio.
O Daniel estava até comparando que, em países como a França, o diploma de jornalista não é mais obrigatório. Só que a França é a França mon ami! Vamos pensar em quanto tempo o jornalismo de lá levou para evoluir até chegar a este patamar em que certificações são dispensáveis. Sem contar que lá as pessoas compreendem que um jornal não deve apenas informar sobre o acontecimento de um fato, mas sim ser opinativo. E também tem a história que, não é qualquer um que vai sair por lá dizendo que é jornalista, já que não precisa de diploma. E tudo bem, eu sei que essa decisão não deveria impedir que uma pessoa que queira exercer a profissão de procurar a formação adequada para tanto. Só que aqui no Brasil o tiro vai sair pela culatra, pois, ao invés de abrir espaço para a mídia independente, irá apenas legitimar as merdas que a gente vê por aí na mídia "oficial". Por isso creio que a decisão, neste momento, foi equivocada pelo seguinte aspecto de que o Brasil precisava caminhar muito para chegar a este ponto. Pois a maioria das pessoas não tem consciência do que é Joralismo de verdade, já que os guetos (sim, a internet ainda é um gueto em nosso país) de midia independente não podem concorrer em pé de igualdade com a Globo e a Record da vida. E a nossa cultura é besta o suficiente para desvalorizar ainda mais o profissional, independente do que ele saiba e da qualidade do seu trabalho, só porque ele não tem um papel bobo, chamado diploma.

Pois é, como sempre lá fomos nós metendo (na minha opinião) os pés pelas mãos de novo. E se a luta por um jornalismo de qualidade já era bem árduo, agora mesmo é que os prifissionais serios do ramo, com diploma ou não, devem dormir de olhos abertos a fim de impedir que essa decisão se configure realmente em um retrocesso, dando mais poder ainda as grandes corporações de alcance maciço do público de decidir que faz ou não a noticia.

22 maio 2009

Encostos

Minha avó Mundoca, gosta de dizer que eu sou muito abusada (depois conto umas dela, e vocês decidem quem é quem), e que maltrato as pessoas, principalmente os meus ex-namorados... Mas vá lá meu povo!
Uma coisinha que requer a maior diplomacia do mundo é lidar com o seu/sua ex, e os meus são particularmente uma bênção (para não dizer o contrário). Sendo que, com exceção de um, vivo me perguntando até hoje onde diabos eu estava com a cabeça quando namorei esses fulanos.
Vamos a duas historinhas interessantes a serem destacadas no meio de tanta decepção:

Se eu não me engano era final de 2007, e eu estava feliz da vida como sempre passando ferias na casa da minha saudosa (para todo sempre) Geruza. Fazendo aquela social, comendo doce de buriti em casa alheia, revendo os meus amigos queridos, até que uma bela manhã não mais que de repente, me aparece o ditu-cujo na casa da minha avó, na maior cara de pau, querendo me ver.
Mas qual o problema Gerusa?! É o que você deve estar se perguntando, afinal todos somos seres humanos e civilizados podendo manter uma relação harmoniosa de amizade com um ex-namorado/ada. E até aí eu concordo plenamente e defendo, mas não quando uma das partes, durante todo o período do namoro vive tentando dividir você entre ele e o seu melhor amigo (onde já se viu mulher ter melhor amigo homem?), e ficar duvidando da sexualidade deste (então, nesse caso, esse teu amigo só pode ser veado) na sua frente. Sendo que você odeia mesmo gente com esses esteriótipos idiotas. Sem contar que o mesmo fulano, numa atitude de insensibilidade (que já deveria esperar) diante de todas as vezes que você fez a compreensiva quando ele te deixou esperando, para ir jogar Playstation com os amigos, ou quando a mãe dele te olhava de cara feia, ou quando o irmão dele dizia que você não prestava... Vai e termina contigo por telefone... E você descobre que ele já tinha outra.
Depois de toda a novela Mexicana, a pessoa vai à tua casa (uns três anos sem trocar uma palavra) e ainda faz a de ofendido por eu não ter avisado que estava por lá. Me diz, quem aguenta um negocio desse?

Mas o outro também foi interessante. E, só para inicio de conversa, era um bobo que só veio dizer pros amigos que a gente estava namorando depois de uns seis meses se vendo todos os dias, e pra piorar era possessivo, emocionalmente carente e cheio de umas conversas bestas. Como por exemplo, dizer que nós íamos nos formar, ele ia passar num concurso público, e eu trabalharia meio expediente, pois assim teria tempo para cuidar mais da casa, dos nossos filhos, e ficar sempre bonita para ele (Alô! Papo machista detected). Mas a gota d'água foi quando eu estava no auge do Movimento Estudantil, e ao invés dele me apoiar ficava reclamando que eu não tinha mais tempo pra gente ficar junto.
Quando, alguns meses atrás, eu encontro o ditu-cujo no ônibus (também depois de um bom tempo sem se falar), e ele me diz que eu traumatizei a vida dele...

Sabe qual é o problema desses dois? Eu sei que eles estão merecendo um tratamento de choque, ajuda psicológica... Mas o problema maior foi de não enxergar no momento certo que um relacionamento é uma via de mão dupla, e não se pode exigir demais do outro quando não se dá nada em troca. E esse outro, por mais que seja bonzinho (viu, avóMundoça) acaba vendo mais cedo, ou tarde demais que perdeu tempo precioso, e nesses casos não há diplomacia que dê jeito.
Certo que todo mundo, uma vez ou varias (como é o caso da tapada aqui) vai passar por uma coisa dessas na vida. E o bom disso tudo é que saindo com as pessoas erradas é que aprendemos a ser amados como devemos e merecemos. Sem contar no serviço de utilidade pública que prestamos para o resto da humanidade ao ter o prazer de demonstrar que pessoas assim existem aos montes, mas você as esquecerá o mais rápido possível.

Mas elas vão lembrar de você, e da besteira que fizeram, pelo resto da vida.

17 abril 2009

As chuvas de São Luis

Aqui em São Luis chove, desde a quinta-feira santa, sem parar, com pequenas alternações entre torô e garoa. Um espanto, pois, foi uma coisa que veio assim do nada... Sol quente na moleira e de repente... Dizem por aí que é a tal de zona de convergência inter tropical (?), mas eu não sei não, já que minha mente trabalhou muitos fatores.

A chuva forte encheu galerias, encontrou valas cheias de lixo, transbordou esgotos, transformou ruas sem asfalto em ringues de lama, mães com medo da dengue, febre amarela, rotavirus. A chuva deixou a cidade fedendo, precipitando algo de podre que estava escondido por detrás das belas palmeiras da Avenida Daniel de LaTouche, deu sentido a podridão que brota da Lagoa da Jansen, fez a urina das ruas e becos da Praia Grande rescender e fazer engulhar até o mais sujo cachorro. Só que ninguém percebeu os sinais, e continuávamos na frente da televisão vendo a previsão do tempo, formando musgo, e acreditando na zona de convergência.

Até que ontem a chuva parou por completo, mas o sol não saiu um instante. Céu cinza, de dar medo... Gritos, choros, palmas... A cavalaria abre caminho no meio da multidão convulsa em frente ao Palácio, dando passagem a ela... Só que a multidão não era nada, não éramos nós.

O maranhense não grita mais, e dos seus olhos nem uma lagrima e apenas a expressão atônita da descrença na vida, como quem se entrega pra morrer, pois seu jumento caiu de sede, e 40 km caminhando o individuo não acha mais força nas pernas. Fecha os olhos e não quer mais abrir, com medo do amanhã. Já que sensação que dá é que o nosso Estado é um quadrado fechado, e todos os seus habitantes claustrofóbicos arranham as paredes sem saída... Quando alguém estende a mão o maranhense, cansado de sofrer acredita e vai, mas não depois de muito tempo descobre que a luz era um artifício... Formiga sendo queimada com a lupa... Preferimos acreditar na zona, nossa esperança de que o cheiro podre vinha da chuva transbordando as fezes dos esgotos.

Ela veio de cabelo corte chanel, sorriso amarelo, oca por dentro... Veio com a pá de cal, com a benção do seu pai todo poderoso. Veio triunfante com o epitáfio do povo na mão.


Mas Esperança, sem a ultima, há de erguer a mão da terra para puxar o seu pé.

30 março 2009

Falando do falo


Depois de uma conversa que tive ontem pelo msn (esse povo que fica falando besteira ao invés de ir dormir), me senti no dever de defender esta classe tão subestimada.
Se você é daqueles que se sente chateado com certos spans no seu email, que prometem aumentar o tamanho do seu pênis, este post é para você querido amigo.
Grande maioria de 14, 17 cm... Sintam-se amados e homenageados por esta pessoa que vos fala, e por todas as mulheres que lhes usam diariamente, oh! Sejam felizes.
Tudo isso porque eu já estou de saco cheio dessa história de que pênis grande, de 20cm pra cima(sem trocadilhos, ou com, se você quiser), é que faz bem o caqueado. E eu só queria saber quem foi o megalômaniaco que deu início a essa história, e com isso deixou um bando de homens inculcados com uma coisa nada a ver.
O homem nasce feliz, sente-se vitorioso quando aprende a fazer xixi
sem molhar a beirada do vaso sanitário (e tem gente que não consegue nunca), e em certo momento quando está brincando com a priminha se dá conta do seu diferencial. Aí quando ele tá naquela fase de voz fina, voz grossa, voz fina, voz grossa... Entra um pentelho no banheiro na hora do recreio, e diz que o pênis dele é do tamanho do seu dedo mindinho. Aí acabou-se a graça.
Por essas e outras que muitas vezes eu penso que quem realmente gosta de pênis grande são os homens. Ou você nunca foi brechado num banheiro público? Nunca me lembro de mulher falando no banheiro "tu viu os grandes lábios dela!?" ou "nossa, que depilação legal"... Essas coisas são típicas de homens que acham o máximo menosprezar o outro e ficar afirmando sua masculinidade centímetro a centímetro. Grande bobagem.
Como eu estava dizendo ontem, no fim das contas o tamanho não é nada se você não souber fazer um bom uso da coisa. Afinal me diga homem super dotado(?!), quantas vezes você já perguntou pra sua namorada se ela gosta do seu pênis? Ou você acha ele tão fantástico que tem certeza absoluta que ela possui um altar onde venera a foto do seu amigão?! Atitudes como estas só deixam a mulher irritada. E eu confesso que esse mito também é muito alimentado por nós... Vamos falar sério, quantos Príncipes Zulus você já pegou na vida? E ainda anda falando por aí do que não sabe, menosprezando o nosso arroz com feijão de cada dia, que satisfaz tão bem...
Se você chegar em uma roda de 10 mulheres, e pedir pra elas falarem sinceramente a sua preferência de tamanho vai ouvir coisas do tipo "normal, que proporcionam um encaixe perfeito, que me deixam confortável". Pois o que interessa mesmo pra gente é a atenção que você homem dá a nós, e não a que você dá ao seu pênis. O carinho e a performance sim, são os essenciais e não abrimos mão deles.
Mas sempre terão aquelas que gostam dos pênis grandes, pois, como diria uma amiga minha " toda mulher tem o pinto que lhe convêm".

Update: mudei o titulo do post, de A você, querido amigo para Falando do falo, pelo simples fato de ter lembrado do nosso amigão Freud.

Update 2: essa imagem ficou perfeita!


27 fevereiro 2009

Melãozinho

Eu estou aqui em THE (vulgo Teresina). Ando foragida da minha ex-chefe, da minha monografia, passando uns dias na casa da Sanara, minha amiga de São Luis, que acabou de se mudar. Desliguei o telefone, não disse nada pra ninguém (isso não abarca os meus pais), comprei a passagem e vim. Estou agora entre caixas mal desempacotadas, com um notebook no colo, me impressionando do simples fato de que esta cidade é um ovo...

Mais cedo eu pensava só na minha vontade de beber; no abafado da cidade; do por que diacho eu vim bater perna nesse Riverside, que nem ar condicionado tem.
Paro numa revistaria (mas eu tava mesmo era com fome!), dou uma folheada na nova edição da Caros amigos, dou uma olhada nos vestidos do Oscar na CARAS...

- Péssima troca... Me disse um cara que estava ao lado.

-Ãh? Não entendi! - E levantei um pouco o rosto pra tentar ver suas feições, mas ele se mantinha de cabeça baixa, olhando uma revista, a qual não pude distinguir.

- Muito ruim você ter largado a Caros Amigos e pegar essa CARAS aí. Perda de tempo por página folheada...

- Hahahahahaha! Ah é!? Quer dizer que tu não és o tipo de pessoa que perde tempo com essas coisas?

- Não - E levantou o rosto com uma expressão um tanto quanto debochada.

- Bom saber que... Espera um pouco, tua cara não me é estranha...

- Bem, tenho certeza que na CARAS você nunca viu minha cara! hahahahaha

Olhei os olhos dele...
- Daniel!?

- De onde eu te conheço? Tu estudou comigo?

- Não idiota! Sou eu, Gerusa...

-Reconheci a partir da palavra idiota... Ele parou de olhar a revista, colocando-a em cima das outras, afim de me dar um pouco mais de atenção. Migrou do ar de deboche para o de leve espanto.
- O que tu anda fazendo por aqui?

- Olhando vestidos do Oscar na CARAS, oras!hahahahaha

- Sem graça! Quero saber o que tu andas fazendo aqui em THE... trabalho, passeio...

- Fuga! Disse eu, também largando a revista em cima das outras.

- Sabia que um dia tu ainda matava alguem. Espera só um pouco, enquanto eu vou pagar a revista, e ai a senhorita me explica direitinho que delitos cometeu.

Olhei pro relógio, eram quase seis da tarde, e a San me disse que ia sair um pouco mais tarde do trabalho, pra gente passar lá naquele bar mexicano, que eu sempre me esqueço o nome...

- Então me diga, quem foi a vitima!? Disse o Daniel com a sacola da revista na mão.

- Foi o tédio... Minhas ferias estavam acabando, minha amiga me convidou... E eu vim pra este braseiro, que agora com esses dias chuvosos tá mais pra ferro a vapor!

- Hahahaha! E fica até quando na chaleira? perguntou enrolando as alças da sacola entre os dedos e deixando a cabeça ir atrás de uma menina bonita que acabou de passar...

- Tem jeito mesmo não pequeno! Disse dando um tapa na cabeça dele.

- Eita que já levei porrada! que diacho foi que eu fiz?

- Ficou olhando pra bunda da pobre... E voltando a pergunta, não me demoro muito não. Coisa de três dias já pego o caminho de volta.

- Hum, sei. E o que tu vai fazer mais tarde?

- Vou com a minha amiga num bar que tem temática mexicana, sei lá...

- Sua cachaceira! Sempre procurando uma coisa pra beber. Mas, eu tava pensando em te levar lá em casa...

- E que diacho eu vou fazer na tua casa Daniel? Olha que essa conversa furada de mostrar os teus livros não cola comigo!

Ele me olhou com um ar de riso, e as feições de deboche foram ressurgindo no seu rosto.

- Eu sei sua doida, e não tô querendo te passar conversa. Só que hoje é meu aniversário e...

- Ai meu Deus! Desculpa Dan, eu não tava me lembrando...

- Então, como eu dizia, hoje é meu aniversário, e a minha mãe, que gosta de inventar coisinhas, chamou um pessoal pra jantar lá em casa...

Convencida, entrei no ônibus, e sem muita demora cheguei na casa onde somos recepcionados por gatos quando abrimos o portão. O Daniel disse que eu podia colocar a minha bolsa em cima do sofá, sem problemas, e foi até o quarto deixar a sacola com a revista.


- Vêm ver a minha humilde biblioteca - Me disse ele entrando em uma sala onde havia uma mesa um tanto quanto desarrumada, em contraste com a estante com livros impecavelmente alinhados.

- Onde é que estão os teus pais? E a tua irmã, aquela santa que te livrou de uns tapas por achar aquele presente que eu te dei, e tu perdeste?

- Não sei. devem ter saído pra resolver alguma coisa...

- Palhaço! Mas, infelizmente não vou poder ficar mais para conhece-los, pois minha amiga está me esperando.

- Tudo bem, ao menos fostes apresentada aos gatos.

- Pois é... Vou indo, senão me atraso mais. Amanhã eu te ligo e a gente se fala direitinho . Beijos, e boa noite.

- Besos, e que os anjos te cuidem!

- Essa é boa! se tu acreditasse em anjos...

- Mas eu acredito em Bellow e Coetzee... Eles velam meu sono todas as noites.






Isso é ficção viu, meu povo!







05 fevereiro 2009

Selos e amigos

Eu ganhei outro selo da Di (tão fofo quanto o primeiro). E achei engraçado os dizeres "este blog investe e acredita na proximidade", pois foi justo pelo blog (do Dowglas) que conheci essa pequena fofa.
A Dianne é realmente inacreditável, e faz a gente acreditar em coisas como amizade, carinho, bondade. Sentimentos tão gostosos que dão a nós duas a sensação de que brincava-mos juntas no parquinho da escola, e de que contamos uma pra outra quando demos o primeiro beijo naquele carinha tão desejado. Tudo isso sem nunca ter visto a outra pessoalmente. Mas sei que se um dia ela andar perambulando pelas bandas daqui, eu dou casa e comida, sem nem piscar, pois pessoas maravilhosas sempre enchem tua casa de alegria.
A Di traz na bagagem dela essa sensação de proximidade, de braços abertos que estão só esperando você chegar perto para poder te envolver em um abraço gostoso, bem arrochadinho assim.

E como eu quero retribuir todo o carinho que ela tem por mim a altura, além de aceitar e colocar o selinho no meu blog, vou dar outro pro blog dela, que de quebra diz muito sobre a Di...


Encontrei esse selo lá no blog da Ju Dacoregio (muito bom, recomendo), e achei uma graça. Tanto que além de passar pra Dianne, também quero oferecer pro Dowglas, e para a Camilinha (linda do meu coração) que são pessoas muito queridas na minha vida, e me divertem e emocionam com seus respectivos blogs.

Um cheiro grande em todos eles.

21 dezembro 2008

Flash Back

Esse post consiste em flash backs das situações mais simples, mais estranhas, tristes ou engraçadas que vivi neste ano, que como os outros foi rápido, e deixou aquele desejo de querer parar um pouco no tempo, ou voltar e viver tudo de novo. Não vão estar todas aqui, mas algumas que vem na retina eu vou escrevendo.

"Por quê bêbado sempre dá vexame? E por quê mulher bêbada sempre fala mal dos homens?... Eu e minha amiga (depois de ter bebido muito) fomos comer uma cachorro-quente no Sousa(uma entidade fast-food ludoviscense), e dentro do silêncio sagrado da refeição ela dispara aos berros- Poxa Gerusa! Por quê tu deixou que fulano brincasse com a minha cara! Por quê tu não deu umas porradas nele? - E eu me recuperando do susto - calma, as coisas não são assim- até que do nada o cara da mesa ao lado grita - fica assim não minha filha! Homem nenhum presta! Eu digo isso, pois eu mesmo não presto! Abaixa a cabeça não mulher! Te valoriza! ele não te merece...
Só depois eu percebi que ele também estava bêbado. E essa foi a gafe etilica do ano."

" O melhor do meu Carnaval foi ser abordada pela policia (era proibido beber em garrafas de vidro) e ver o Raul descadeirado depois de descer até o chão dançando o creú."

" Eu ganhei de presente do Mark o livro da minha vida. E o li de novo, e encontrei novas mensagens, e chorei com ele. E, creio eu, vai ser assim a cada nova leitura."

" Eu fui ao Teatro ver um cara fazendo um tributo a Chico Buarque. Me empolguei, cantei a maioria das músicas e quase cheguei ao ponto de subir na cadeira e dançar... Tudo isso enquanto um senhor de uns 60 anos me fitava, de vez em quando, espantado. Talvez ele ache incrível gente jovem gostar de música boa, ou só estivesse me achando uma louca mesmo."

" Eu rodei dançando 'Madalena' no show do Ivan Lins."

" Eu disse pra minha vó, que a veria de novo no final desta ano. Ela faleceu antes disso, e deixou muitas saudades."

"Eu sentei no ônibus (que faz linha pra UFMA) e espirrei, quando um cara do meu lado falou - saúde. Obrigado, eu respondi, e então ele chegou mais perto e começou a perguntar meu nome e a dizer que eu parecia ser interessante. Até que eu disse que não estava afim de conversar com um estranho - É incrível como a pós-modernidade torna as pessoas tão individualistas ao ponto de recusarem a chance de interagir com pessoas interessantes- essa foi a resposta dele..."

"Encontrei a minha Professora de Química do 2º ano, dando aula na Escola onde eu estava fazendo o meu estágio. Ela se emocionou ao me ver, e ao saber que já estou prestes a me formar."

" Eu acompanhei pela televisão um país massivamente concervador, puritano e racista eleger um homem negro."

" Me emocionei ao ver que o Nelson está dando continuidade a um ciclo de engajamento estudantil, do qual, daqui a uns meses, não farei mais parte. E de saber que de alguma forma eu contribui pra isso."

" Eu acompanhei o Alex entrando no ensino fundamental, e senti uma satisfação pessoal ao ver ele lendo o primeiro de muitos livros que eu vou dar a ele."

" Acompanhei todas as rodadas da serie A do campeonato brasileiro de futebol. Xinguei com o meu pai assistindo os jogos, vi o São Paulo subir na tabela e se tornar outra vez campeão, o Vasco ser rebaixado e o Corinthians subir... Mas o que foi aquela contratação do Ronaldo 'fofômeno' ?"

" O Daniel definitivamente virou meu amigo. Daqueles cheio das intimidades e palhaçadas, de confiar certas coisas que não se confia aos outros, de me decepcionar por não ter trinta anos, não ser formado e barrigudo, não ter emprego chato e morar sozinho... Ele é tão inteligente, e não sei por que diabos me dá corda.Com aquele olho verde chato dele, que ainda por cima não quer me dar (os olhos). Mas o mais interessante da nossa amizade você não sabe - nós NUNCA nos vimos pessoalmente."

" A Dianne é muito engraçada, adoro ela. E a gente resolveu outro dia que ela vai no meu casamento."

" No shopping tinha um cercadinho com balões e uma casinha cor de rosa - Ai, vamos entrar!? - Eu virei perguntando pro Dowglas, e ele me olhando com aquela cara de ' a Flávia é mesmo doida varrida', disse - Tá, eu sou um crianção, mas num shopping não dá - Esses homens sem coragem..."

"Ado! Aado! Cada um no seu quadrado."

" Cara! Era pro sapato acertar bem na venta do Bush, mas mesmo assim já fechei meu ano com chave de ouro.Beijo de despedida é a mãe!"


Bom, agora eu creio que eu vou entrar de ferias, e este blog também. Final de Janeiro estou de volta, e como diz a mamãe "ano novo, vida nova", com certeza vai ter muito assunto novo, e muita coisa encaminhada.

Beijo e me liga.



15 novembro 2008

O problema do Agressor

Eu deveria ter parado pra pensar nisso a muito mais tempo, só que muitas vezes certas coisas te incomodam mesmo que só no pensamento. Isso porque certos questionamentos não são facilmente explicáveis se utilizando apenas o campo das idéias. É preciso agir em cima destas questões, e na maioria das vezes o mais rápido possível, pois fazem parte de um problema muito grande.
E nesta semana que passou, a grande questão que veio na minha cabeça foi suscitada pela triste noticia da menina que foi violentada sexualmente, morta e encontrada esquartejada dentro de uma bolsa de viajem, na lixeira de uma rodoviaria.
Não me questionei quanto a crueldade do ato, quanto ao sofrimento da mãe, e tão pouco a necessidade de se fazer justiça perante o crime. O meu questionamento surgiu a partir das suspeitas da policia em relação a quem teria cometido o ato, onde a suspeita recaia em certo individuo que já havia sido preso por crimes semelhantes, e que no momento estava em liberdade. Tendo-se a noticia de que após sair da penitenciaria já haveria molestado sexualmente de um garoto.
Violência sexual contra crianças e adolescentes se tornou uma grande chaga no nosso país. O que se torna ainda mais caótico quando em contra partida temos uma legislação primorosa no que diz respeito a garantia de Direitos e proteção deste segmento da sociedade. A exemplo do Estatuto da Criança e do Adolescente que comemora 18 anos de existência, porém sem efetividade alguma.
Trabalho a uma ano e meio com o tema, e posso afirmar que a Rede de Atendimento e Proteção das Crianças e Adolescentes não funciona como tal. Suas falhas em estruturação, capacitação de agentes e planejamento de ações são visíveis. Mas o que isso tem haver com o possível assasino?
O fato é que a Justiça pode até tentar se manifestar de maneira eficiente no que diz respeito a punição dos agressores. Quando há denuncia, e o processo não se perde em meio a interrogatórios infrutíferos e exposição inapropriada da vitima, pode-se de fato caminhar para uma punição de acordo com a gravidade do caso. Contudo o investimento na recuperação destes agressores é nulo.
O que se pode notar desde o principio é que se o agressor não for logo linchado pela população raivosa (afinal Violência sexual infanto-juvenil é algo que choca, criando de imediato o sentimento de repulsa e revolta contra quem o pratica) ele será com certeza estuprado e até morto na cadeia, onde os códigos paralelos não perdoam tal ato. E isso seria um alivio na mente da maioria da população, já que pessoas como estas, se é que podem ser chamadas de pessoas diriam uns, merecem mesmo é morrer de uma morte bem sofrida. Só que o sistema do Bode Expiatório em tese se acabou com o advento da Lei, e não podemos mais levar as coisas no olho por olho.
Todo crime, pela sua natureza de atentado contra a liberdade do outro, não pode ser encarado como algo comum. E em se tratando da Violência sexual infanto-juvenil se torna ainda mais grave, pois a vitima é alguém a priori incapaz de defender-se do outro de alguma forma. Por esta razão, assim como a vitima necessita de acompanhamento e tratamento para ter a chance de recuperar-se do trauma, o agressor também necessita de acompanhamento e tratamento especifico para livrar-se dos intentos que o levaram a cometer o ato. E pesquisas mostram que apenas 2 % dos agressores não manifestam recuperação após o tratamento. Geralmente pessoas que possuem alguma patologia detectada, o que são casos raros.
O caso desta menina poderia virar um exemplo do que seria evitado caso investimentos na recuperação de criminosos dessa espécie fossem aplicados em nossos presídios. O Sistema penintenciario de nosso país precisa de uma grande reforma neste sentido, e a boa noticia é que já há vários estudos e projetos com intuito de tratar e recuperar criminosos para uma possível ressocialização. Porém a falta de recursos entrava a continuidade de tais trabalhos.
Só espero que o Governo e sociedade não demorem tanto a enxergar e pensar sobre esta necessidade, pois o nosso tempo é curto e o trabalho a ser feito é muito para evitar que mais crianças e adolescentes tenham suas vidas desrespeitadas.

28 outubro 2008

Zero

Eu não tenho bons pressentimentos, e isso é tudo tudo que eu posso dizer depois do processo eleitoral de São Luis, e o seu desfecho em um segundo turno previsível.
Eu também não tenho mais o que pensar, quando realmente não temos opções verdadeiramente antagônicas, seria realmente melhor se entregar ao carrasco conhecido? Mas será que realmente conhecemos o carrasco?
Considerações a serem feitas, uma coisa que me surpreendeu foi o número de pessoas que não foram votar neste segundo turno, quase alcançando a marca de 200 mil pessoas. Isso sem contar votos brancos e nulos... O TRE não conta votos brancos e nulos... Mas não são votos? Por que então colocar uma tecla na urna que no fim de tudo não irá servir para nada? Eu entendo que o que leva uma pessoa a votar em branco seria a falta de uma opção concreta, e neste caso ela estaria expressando sua opinião. Mas a opinião de quem vota em branco não conta ... Democracia.
Mas ver as pessoas na rua festejando por terem eleito um ex-governador do período da Ditadura Militar pra mim foi surreal. Não que eu fosse partidária do outro candidato, pois quem bem pesquisa sabe que na eleição para Governador eles estavam lá juntinhos, mesma ideologia travestida de nomenclaturas diferentes, farinha do mesmo saco. Contudo o que me doeu foi ver o povo tão desiludido - Ladrão por ladrão, voto no ladrão velhinho, pois já sei que ele vai roubar - Quem não tem mais ilusões e sonhos, pra mim já morreu.
Estava vendo um documentário que se passava no México, e no fim de tudo tirei conclusões propias de que nosso pais é sem duvida dotado da população mais apática e conformada da América Latina.
E não estou me achando superior não, isso também é uma critica a minha pessoa.



18 agosto 2008

"Também te amo"

Depois de um bom tempo incomunicável (confesso que estava adorando dar um perdido em todo mundo que queria saber de mim.), enfim ganhei um celular novo. Bonitinho como estes celulares que tem por ai, que eu tratei logo de mexer em todas as funções, até que no ícone das mensagens encontro uma pasta com o nome modelos.
Esses modelos são mensagens rápidas que você pode mandar quando está sem tempo de redigir um sms. São curtos e grossos, com coisas do tipo "estou ocupado", ou "estou em reunião", tem também o "te ligo depois" e explicações baratas para enrolar quem está do outro lado. Só que entre os vários "ligue para" eu encontro um "também te amo"...
-Mas que droga é essa!? Me perguntei horrorizada. Será que não temos mais tempo nem de dizer "também te amo", "obrigado", "feliz aniversário", e outras coisas que fazem bem as pessoas que supostamente amamos? Vamos lá nos modelos, selecionamos, apertamos enviar e pronto! Seguimos nossa vida sem mais esse estorvo de se preocupar em parar para retribuir a mensagem ou ligação carinhosa que recebemos.
Esse post aqui é pura e simplesmente para agradecer o gênio que criou os modelos, por nos dar um grande incentivo a falta de lirismo, de cuidado com o outro, de consideração e respeito. Nós somos "sortudos" de viver em uma sociedade do "tudo pronto", e por essas e outras que poetas bons, escritores bons, amigos de verdade, estão com certeza cada vez mais raros (já ouviu falar no personal friend?!).
Por isso quando receber um "também te amo" no celular desconfie. Devemos aprender que o tempo jamais deve ser escasso para que gostamos.

03 agosto 2008

Algumas considerações...


-Ando com muito, muito trabalho pois por um grande infortúnio NÃO estou de ferias...

-Acabei de fazer um artigo e da minha cabeça não sai mais nada.

-Estou sofrendo de abstinência de Reviver, e isso está acabando comigo
.

-Até quinta-feira minha vida está um grande inferno...Do jeito que as coisas andam já perdi o medo de reprovar nesta maldita cadeira de Alfabetização. O diacho desta professora está me fazendo pensar duas vezes em trabalhar com crianças.


-Isso é mau...Muito mau...


-Quando a sexta-feira chegar vou direto da aula para um bar e vou encher a cara. Dane-se a lei seca, eu não dirijo mesmo!


-No sábado vou estar de ressaca, mas provavelmente encherei a cara de novo!


-Não leve em consideração as duas afirmações acima!!!


-Mas que sexta-feira eu vou sair...Ah se vou!





16 abril 2008

Tipinhos Inuteis

Estavamos nós, em plena tarde de domingo, andando pela rua do Sol deserta, em direção a Praia Grande, no Centro Histórico de São Luis, falando da vida, do jogo entre Flamengo e Botafogo, de quem matou Isabela, de como a Universidade e o trabalho está nos matando, quando um dos meninos, meu querido amigo Jorge nos contou um caso.
Essa pessoa maluca é acadêmico de Direito, um dos poucos que salva a droga daquele Curso lotado de pessoas idiotas que estão pouco ligando para coisas muito interessantes e enriquecedoras como os Direitos Humanos, Assessoria Jurídica Popular, "Direito Alternativo", dentre muitas outras coisas que tornam a pratica do Direito menos tecnicista e mais voltada para o que realmente deve ser.Mas enfim...
Ele nos contou que tem uma professora que é formada em Filosofia e está dando a cadeira de Ética...

"Vocês precisam ver gente, ela viaja e vai fazendo varias referências", dizia ele. E justamente nessas aulas ele ficava "cada vez mais convencido de que aquele povo do Direito só tem merda na cabeça."

"Outro dia ela tava falando da gritante desigualdade social que existe na sociedade, e como o homem tem a capacidade de consumismo tão grande, enquanto outros não tem nada"

"Enquanto alguns desperdiçam comida, existem outros que retiram seu alimento do lixo...". Dizia ela muito exaltada, como ele nos relatou.

Então neste momento foi o ponto alto da aula, quando um outro estudante (mas acho que esse merece ser chamado de aluno) se manifestou e falou...

"Realmente professora isso é uma vergonha!Meus pais sempre me ensinaram a nunca desperdiçar a comida que botamos no prato, pois tem muito gente que não tem o que comer"...

E então o individuo fecha com chave de ouro...

"É por isso que acho que quando fossemos jogar a comida no lixo deveríamos guarda-las em saquinhos plásticos para que os pobres não os recolhessem em condições insalubres."

...

Isso é verdade por incrível que pareça...



PS: A foto do jornalista Diogo Mainardi veio parar nessa postagem por ser uma grande inspiração para estas "pessoas de bem".