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22 maio 2009

Encostos

Minha avó Mundoca, gosta de dizer que eu sou muito abusada (depois conto umas dela, e vocês decidem quem é quem), e que maltrato as pessoas, principalmente os meus ex-namorados... Mas vá lá meu povo!
Uma coisinha que requer a maior diplomacia do mundo é lidar com o seu/sua ex, e os meus são particularmente uma bênção (para não dizer o contrário). Sendo que, com exceção de um, vivo me perguntando até hoje onde diabos eu estava com a cabeça quando namorei esses fulanos.
Vamos a duas historinhas interessantes a serem destacadas no meio de tanta decepção:

Se eu não me engano era final de 2007, e eu estava feliz da vida como sempre passando ferias na casa da minha saudosa (para todo sempre) Geruza. Fazendo aquela social, comendo doce de buriti em casa alheia, revendo os meus amigos queridos, até que uma bela manhã não mais que de repente, me aparece o ditu-cujo na casa da minha avó, na maior cara de pau, querendo me ver.
Mas qual o problema Gerusa?! É o que você deve estar se perguntando, afinal todos somos seres humanos e civilizados podendo manter uma relação harmoniosa de amizade com um ex-namorado/ada. E até aí eu concordo plenamente e defendo, mas não quando uma das partes, durante todo o período do namoro vive tentando dividir você entre ele e o seu melhor amigo (onde já se viu mulher ter melhor amigo homem?), e ficar duvidando da sexualidade deste (então, nesse caso, esse teu amigo só pode ser veado) na sua frente. Sendo que você odeia mesmo gente com esses esteriótipos idiotas. Sem contar que o mesmo fulano, numa atitude de insensibilidade (que já deveria esperar) diante de todas as vezes que você fez a compreensiva quando ele te deixou esperando, para ir jogar Playstation com os amigos, ou quando a mãe dele te olhava de cara feia, ou quando o irmão dele dizia que você não prestava... Vai e termina contigo por telefone... E você descobre que ele já tinha outra.
Depois de toda a novela Mexicana, a pessoa vai à tua casa (uns três anos sem trocar uma palavra) e ainda faz a de ofendido por eu não ter avisado que estava por lá. Me diz, quem aguenta um negocio desse?

Mas o outro também foi interessante. E, só para inicio de conversa, era um bobo que só veio dizer pros amigos que a gente estava namorando depois de uns seis meses se vendo todos os dias, e pra piorar era possessivo, emocionalmente carente e cheio de umas conversas bestas. Como por exemplo, dizer que nós íamos nos formar, ele ia passar num concurso público, e eu trabalharia meio expediente, pois assim teria tempo para cuidar mais da casa, dos nossos filhos, e ficar sempre bonita para ele (Alô! Papo machista detected). Mas a gota d'água foi quando eu estava no auge do Movimento Estudantil, e ao invés dele me apoiar ficava reclamando que eu não tinha mais tempo pra gente ficar junto.
Quando, alguns meses atrás, eu encontro o ditu-cujo no ônibus (também depois de um bom tempo sem se falar), e ele me diz que eu traumatizei a vida dele...

Sabe qual é o problema desses dois? Eu sei que eles estão merecendo um tratamento de choque, ajuda psicológica... Mas o problema maior foi de não enxergar no momento certo que um relacionamento é uma via de mão dupla, e não se pode exigir demais do outro quando não se dá nada em troca. E esse outro, por mais que seja bonzinho (viu, avóMundoça) acaba vendo mais cedo, ou tarde demais que perdeu tempo precioso, e nesses casos não há diplomacia que dê jeito.
Certo que todo mundo, uma vez ou varias (como é o caso da tapada aqui) vai passar por uma coisa dessas na vida. E o bom disso tudo é que saindo com as pessoas erradas é que aprendemos a ser amados como devemos e merecemos. Sem contar no serviço de utilidade pública que prestamos para o resto da humanidade ao ter o prazer de demonstrar que pessoas assim existem aos montes, mas você as esquecerá o mais rápido possível.

Mas elas vão lembrar de você, e da besteira que fizeram, pelo resto da vida.

03 maio 2009

Merci Fani

A Stephanie me mandou um depoimento no orkut. E pra quem não sabe, ela é a minha melhor amiga física (pois é, tenho grandes amigos físicos e virtuais) a três anos, e como acho que devo responder o seu "depô" a altura, eu resolvi que vou comentar esta loucura aqui.

Olá! Não sei se preciso mesmo escrever algo(Claro que não! A três anos que somos super amigas, e só agora que tu me mandas um depoimento no Orkut, sua palhaça).
Já disse que és a minha irmã mais velha, meu superego(Esse negocio de superego é só pra enfatizar a minha suposta mania de controlar tudo ao meu redor... Só sou super metódica oras, vocês que são relaxados demais). Mas o fato é que dividimos a tua mãe (e seus beijús) :D (Fazer o que, não é?! Todos os meus amigos gostam da minha mãe, por que ela insiste em fazer beijú com leite condensado quando esses folgados aparecem aqui em casa).

Adoro lembrar ...
... Que se eu não puder dormir em casa por ter esquecido a chave na casa de alguém, poderei bater na tua porta( e olha que nesse dia nós só bebemos umas três cervejas, uma meiota de cachaça de abacaxi e outra meiota de cachaça de goiaba, que compramos lá no Batista, onde ao todo éramos quatro...) ;
... Que se eu aparecer com fome e sede na tua casa, serei recebida com o maior carinho de toda a família ;
... Que se eu tiver uma crise, eu poderei chegar aos prantos na tua casa e tu só perguntará o porquê depois de sentir que já estou melhor pra falar(Isso não é nada, pois tu faz o mesmo por mim) ;
... Que se eu quiser levar meu namorado pra apresentá-lo a tua mãe, ela o recebe caprichando no almoço e ainda te pergunta por que tu não faz o mesmo - hahaha( Eu mereço! Isso tudo é por que Dona Dezi não é tua mãe... E só pra que tu tenhas uma ideia da minha família, outro dia ela ficou resmungando que vira e mexe o Daniel me manda um livro, e que não sabe o que ele quer comigo. Ah! Teve a minha tia também, que disse que o nariz do Dowglas é muito feio... Agora o detalhe: nenhum dos dois aqui mencionados namora a minha pessoa. Só daí tu imagina o caos...) ;
... Que tu me dá os melhores conselhos, mas que não sou a única a não conseguir segui-los ;) ( Só pra constar que, se por acaso está se referindo a mim, ando seguindo os meus conselhos muito bem) ;
... Que por mais que te ache doida como pedagoga, tu será minha comadre (Meus amigos são assim... Não satisfeitos em denegrirem minha imagem pessoal, ainda aproveitam pra jogar pedra na imagem profissional. E ai de ti, palhaça, se eu não for a madrinha do teu baby) .

Quero mesmo é agradecer todo o carinho e confiança que me passaste. Te guardarei sempre comigo, longe (Já que um dia essa maluca volta pra França) ou perto fisicamente. Mas toda distância será passageira !

Merci Fani.

27 fevereiro 2009

Melãozinho

Eu estou aqui em THE (vulgo Teresina). Ando foragida da minha ex-chefe, da minha monografia, passando uns dias na casa da Sanara, minha amiga de São Luis, que acabou de se mudar. Desliguei o telefone, não disse nada pra ninguém (isso não abarca os meus pais), comprei a passagem e vim. Estou agora entre caixas mal desempacotadas, com um notebook no colo, me impressionando do simples fato de que esta cidade é um ovo...

Mais cedo eu pensava só na minha vontade de beber; no abafado da cidade; do por que diacho eu vim bater perna nesse Riverside, que nem ar condicionado tem.
Paro numa revistaria (mas eu tava mesmo era com fome!), dou uma folheada na nova edição da Caros amigos, dou uma olhada nos vestidos do Oscar na CARAS...

- Péssima troca... Me disse um cara que estava ao lado.

-Ãh? Não entendi! - E levantei um pouco o rosto pra tentar ver suas feições, mas ele se mantinha de cabeça baixa, olhando uma revista, a qual não pude distinguir.

- Muito ruim você ter largado a Caros Amigos e pegar essa CARAS aí. Perda de tempo por página folheada...

- Hahahahahaha! Ah é!? Quer dizer que tu não és o tipo de pessoa que perde tempo com essas coisas?

- Não - E levantou o rosto com uma expressão um tanto quanto debochada.

- Bom saber que... Espera um pouco, tua cara não me é estranha...

- Bem, tenho certeza que na CARAS você nunca viu minha cara! hahahahaha

Olhei os olhos dele...
- Daniel!?

- De onde eu te conheço? Tu estudou comigo?

- Não idiota! Sou eu, Gerusa...

-Reconheci a partir da palavra idiota... Ele parou de olhar a revista, colocando-a em cima das outras, afim de me dar um pouco mais de atenção. Migrou do ar de deboche para o de leve espanto.
- O que tu anda fazendo por aqui?

- Olhando vestidos do Oscar na CARAS, oras!hahahahaha

- Sem graça! Quero saber o que tu andas fazendo aqui em THE... trabalho, passeio...

- Fuga! Disse eu, também largando a revista em cima das outras.

- Sabia que um dia tu ainda matava alguem. Espera só um pouco, enquanto eu vou pagar a revista, e ai a senhorita me explica direitinho que delitos cometeu.

Olhei pro relógio, eram quase seis da tarde, e a San me disse que ia sair um pouco mais tarde do trabalho, pra gente passar lá naquele bar mexicano, que eu sempre me esqueço o nome...

- Então me diga, quem foi a vitima!? Disse o Daniel com a sacola da revista na mão.

- Foi o tédio... Minhas ferias estavam acabando, minha amiga me convidou... E eu vim pra este braseiro, que agora com esses dias chuvosos tá mais pra ferro a vapor!

- Hahahaha! E fica até quando na chaleira? perguntou enrolando as alças da sacola entre os dedos e deixando a cabeça ir atrás de uma menina bonita que acabou de passar...

- Tem jeito mesmo não pequeno! Disse dando um tapa na cabeça dele.

- Eita que já levei porrada! que diacho foi que eu fiz?

- Ficou olhando pra bunda da pobre... E voltando a pergunta, não me demoro muito não. Coisa de três dias já pego o caminho de volta.

- Hum, sei. E o que tu vai fazer mais tarde?

- Vou com a minha amiga num bar que tem temática mexicana, sei lá...

- Sua cachaceira! Sempre procurando uma coisa pra beber. Mas, eu tava pensando em te levar lá em casa...

- E que diacho eu vou fazer na tua casa Daniel? Olha que essa conversa furada de mostrar os teus livros não cola comigo!

Ele me olhou com um ar de riso, e as feições de deboche foram ressurgindo no seu rosto.

- Eu sei sua doida, e não tô querendo te passar conversa. Só que hoje é meu aniversário e...

- Ai meu Deus! Desculpa Dan, eu não tava me lembrando...

- Então, como eu dizia, hoje é meu aniversário, e a minha mãe, que gosta de inventar coisinhas, chamou um pessoal pra jantar lá em casa...

Convencida, entrei no ônibus, e sem muita demora cheguei na casa onde somos recepcionados por gatos quando abrimos o portão. O Daniel disse que eu podia colocar a minha bolsa em cima do sofá, sem problemas, e foi até o quarto deixar a sacola com a revista.


- Vêm ver a minha humilde biblioteca - Me disse ele entrando em uma sala onde havia uma mesa um tanto quanto desarrumada, em contraste com a estante com livros impecavelmente alinhados.

- Onde é que estão os teus pais? E a tua irmã, aquela santa que te livrou de uns tapas por achar aquele presente que eu te dei, e tu perdeste?

- Não sei. devem ter saído pra resolver alguma coisa...

- Palhaço! Mas, infelizmente não vou poder ficar mais para conhece-los, pois minha amiga está me esperando.

- Tudo bem, ao menos fostes apresentada aos gatos.

- Pois é... Vou indo, senão me atraso mais. Amanhã eu te ligo e a gente se fala direitinho . Beijos, e boa noite.

- Besos, e que os anjos te cuidem!

- Essa é boa! se tu acreditasse em anjos...

- Mas eu acredito em Bellow e Coetzee... Eles velam meu sono todas as noites.






Isso é ficção viu, meu povo!







05 fevereiro 2009

Selos e amigos

Eu ganhei outro selo da Di (tão fofo quanto o primeiro). E achei engraçado os dizeres "este blog investe e acredita na proximidade", pois foi justo pelo blog (do Dowglas) que conheci essa pequena fofa.
A Dianne é realmente inacreditável, e faz a gente acreditar em coisas como amizade, carinho, bondade. Sentimentos tão gostosos que dão a nós duas a sensação de que brincava-mos juntas no parquinho da escola, e de que contamos uma pra outra quando demos o primeiro beijo naquele carinha tão desejado. Tudo isso sem nunca ter visto a outra pessoalmente. Mas sei que se um dia ela andar perambulando pelas bandas daqui, eu dou casa e comida, sem nem piscar, pois pessoas maravilhosas sempre enchem tua casa de alegria.
A Di traz na bagagem dela essa sensação de proximidade, de braços abertos que estão só esperando você chegar perto para poder te envolver em um abraço gostoso, bem arrochadinho assim.

E como eu quero retribuir todo o carinho que ela tem por mim a altura, além de aceitar e colocar o selinho no meu blog, vou dar outro pro blog dela, que de quebra diz muito sobre a Di...


Encontrei esse selo lá no blog da Ju Dacoregio (muito bom, recomendo), e achei uma graça. Tanto que além de passar pra Dianne, também quero oferecer pro Dowglas, e para a Camilinha (linda do meu coração) que são pessoas muito queridas na minha vida, e me divertem e emocionam com seus respectivos blogs.

Um cheiro grande em todos eles.

21 dezembro 2008

Flash Back

Esse post consiste em flash backs das situações mais simples, mais estranhas, tristes ou engraçadas que vivi neste ano, que como os outros foi rápido, e deixou aquele desejo de querer parar um pouco no tempo, ou voltar e viver tudo de novo. Não vão estar todas aqui, mas algumas que vem na retina eu vou escrevendo.

"Por quê bêbado sempre dá vexame? E por quê mulher bêbada sempre fala mal dos homens?... Eu e minha amiga (depois de ter bebido muito) fomos comer uma cachorro-quente no Sousa(uma entidade fast-food ludoviscense), e dentro do silêncio sagrado da refeição ela dispara aos berros- Poxa Gerusa! Por quê tu deixou que fulano brincasse com a minha cara! Por quê tu não deu umas porradas nele? - E eu me recuperando do susto - calma, as coisas não são assim- até que do nada o cara da mesa ao lado grita - fica assim não minha filha! Homem nenhum presta! Eu digo isso, pois eu mesmo não presto! Abaixa a cabeça não mulher! Te valoriza! ele não te merece...
Só depois eu percebi que ele também estava bêbado. E essa foi a gafe etilica do ano."

" O melhor do meu Carnaval foi ser abordada pela policia (era proibido beber em garrafas de vidro) e ver o Raul descadeirado depois de descer até o chão dançando o creú."

" Eu ganhei de presente do Mark o livro da minha vida. E o li de novo, e encontrei novas mensagens, e chorei com ele. E, creio eu, vai ser assim a cada nova leitura."

" Eu fui ao Teatro ver um cara fazendo um tributo a Chico Buarque. Me empolguei, cantei a maioria das músicas e quase cheguei ao ponto de subir na cadeira e dançar... Tudo isso enquanto um senhor de uns 60 anos me fitava, de vez em quando, espantado. Talvez ele ache incrível gente jovem gostar de música boa, ou só estivesse me achando uma louca mesmo."

" Eu rodei dançando 'Madalena' no show do Ivan Lins."

" Eu disse pra minha vó, que a veria de novo no final desta ano. Ela faleceu antes disso, e deixou muitas saudades."

"Eu sentei no ônibus (que faz linha pra UFMA) e espirrei, quando um cara do meu lado falou - saúde. Obrigado, eu respondi, e então ele chegou mais perto e começou a perguntar meu nome e a dizer que eu parecia ser interessante. Até que eu disse que não estava afim de conversar com um estranho - É incrível como a pós-modernidade torna as pessoas tão individualistas ao ponto de recusarem a chance de interagir com pessoas interessantes- essa foi a resposta dele..."

"Encontrei a minha Professora de Química do 2º ano, dando aula na Escola onde eu estava fazendo o meu estágio. Ela se emocionou ao me ver, e ao saber que já estou prestes a me formar."

" Eu acompanhei pela televisão um país massivamente concervador, puritano e racista eleger um homem negro."

" Me emocionei ao ver que o Nelson está dando continuidade a um ciclo de engajamento estudantil, do qual, daqui a uns meses, não farei mais parte. E de saber que de alguma forma eu contribui pra isso."

" Eu acompanhei o Alex entrando no ensino fundamental, e senti uma satisfação pessoal ao ver ele lendo o primeiro de muitos livros que eu vou dar a ele."

" Acompanhei todas as rodadas da serie A do campeonato brasileiro de futebol. Xinguei com o meu pai assistindo os jogos, vi o São Paulo subir na tabela e se tornar outra vez campeão, o Vasco ser rebaixado e o Corinthians subir... Mas o que foi aquela contratação do Ronaldo 'fofômeno' ?"

" O Daniel definitivamente virou meu amigo. Daqueles cheio das intimidades e palhaçadas, de confiar certas coisas que não se confia aos outros, de me decepcionar por não ter trinta anos, não ser formado e barrigudo, não ter emprego chato e morar sozinho... Ele é tão inteligente, e não sei por que diabos me dá corda.Com aquele olho verde chato dele, que ainda por cima não quer me dar (os olhos). Mas o mais interessante da nossa amizade você não sabe - nós NUNCA nos vimos pessoalmente."

" A Dianne é muito engraçada, adoro ela. E a gente resolveu outro dia que ela vai no meu casamento."

" No shopping tinha um cercadinho com balões e uma casinha cor de rosa - Ai, vamos entrar!? - Eu virei perguntando pro Dowglas, e ele me olhando com aquela cara de ' a Flávia é mesmo doida varrida', disse - Tá, eu sou um crianção, mas num shopping não dá - Esses homens sem coragem..."

"Ado! Aado! Cada um no seu quadrado."

" Cara! Era pro sapato acertar bem na venta do Bush, mas mesmo assim já fechei meu ano com chave de ouro.Beijo de despedida é a mãe!"


Bom, agora eu creio que eu vou entrar de ferias, e este blog também. Final de Janeiro estou de volta, e como diz a mamãe "ano novo, vida nova", com certeza vai ter muito assunto novo, e muita coisa encaminhada.

Beijo e me liga.



27 novembro 2008

Nem te conto!

Era sempre a mesma frase, quando eu entrava pelo corredor e ia bater no quarto do Mark. E ele ficava lá sentado no chão só de bermuda, rindo das minhas loucuras... Uma risada tão legal, munida de uma satisfação tão grande. Não demorou muito para sermos inseparáveis, e pro meu ex-namorado ficar com ciúmes da quantidade de tempo que passavamos juntos.
Eu lembro da primeira vez que nos vimos, cada um sentado em extremidades opostas da sala de aula. Eu calada, um pouco assustada, ele fazendo perguntas triviais para a professora. Só queria que não me notassem, não queria falar com ninguem, odiava a escola, não suportava a ideia de viver naquela cidade. Queria minha escola antiga, meus amigos antigos, minha vida antiga tão feliz.
Foi um trabalho de português eu acho, e descobrimos que tinhamos algo em comum: não gostavamos nenhum pouco daquela cidade. Passar ferias era até divertido, mas morar era uma joça sem fundo. O nosso tédio causado pelo clima mormaçado de São João dos Patos nos uniu, e o que era pra ser uma equipe virou uma panela, facção, sociedade secreta (sem o extremo do pacto de sangue) e amor(sem o sexo).
Os trabalhos na biblioteca, ouvir o CD da T.A.T.U, assistir Small Ville, jogar play station 2, ou simplesmente ficar com a cara no tempo, tudo era motivo.Mas sim, tinhamos um esporte preferido em particular: tirar sarro da cara das pessoas, constrangimento público e pequenas desordens com a vida alheia patoense. Uma verdadeira critica de costumes.
Eu amava (ainda amo!). Como no dia que chamei uma menina de energúmena na sala de aula, por simplesmente me esquecer que não estava mais brincando do jogo de dicionário, e ele deu uma daquelas risadas medonhas que só ele sabe dar, pra quebrar o gelo. Ou no dia que caí de uma bicicleta e fui parar na casa dele com o joelho todo ensanguentado, a mãe dele nervosa e nos dois na sala rindo a vera do meu desastre pessoal. Posso entrar? eu perguntava sempre - vai, entra, senta e liga som, abre a geladeira, bebe meu refrigerante e come meu pudim - era o jeito dele de dizer que eu era de casa.
Mas geralmente coisas assim acabam quando a escola acaba, e ai são apenas rostos estranhos na multidão, que quando se encontram esboçam um oi desconcertado. Eu fui embora, demorou pouco ele foi também. Mas qual o quê! Sempre voltamos felizes pra cidade que nos dava tédio, e ainda nos dá, mas voltamos felizes, não pra reviver histórias do passado, e sim para novos risos, pois amizade duradoura não vive apenas do que já se foi.

Alô ?! Mark, nem te conto!

...

18 novembro 2008

O sal do amor


Ontem, em um clima bem descontraido depois do almoço, eu e meus amigos, assim sem mais, resolvemos ir ao shopping ver um filme. Vicente com uma Bravo! na mão, com o Woody Allen na capa... E não é que tinha um filme dele em cartaz!
E são esses mesmos ímpetos impulsivos que levam pessoas ao cinema em plena segunda - feira que movem as personagens principais de Vicky Cristina Barcelona. Um filme que não se deve deixar de assistir por uma serie de razões.
A primeira, e o que nos levou a assistir, é ser um filme do Woody. Não vou dizer que sou uma fã do trabalho dele, pois se dissesse estaria sendo leviana, porém também não digo que não gosto e afirmo que ele se sai muito bem no estilo que criou.
A segunda é que o filme se passa em Barcelona, o que me chamou atenção pois geralmente os filmes dele se passam na atmosfera novaiorquina (se bem que as personagens do titulo são de Nova Iorque). Essa locação empresta cores quentes as cenas, você sente um certo calor. Uma bela fotografia.
A terceira, mas que pode muito bem ser primeira para muitos, são os atores em performances otimas. A Scarlett Johansson continua linda, Rebeca Hall incorpora muito bem os conflitos da sua personagem, mas para mim os melhores são Javier Barden, que encarna tão bem seu papel a ponto de acharmos sexy o seu nariz esdrúxulo, e Penélope Cruz como uma hilaria e psicotica ex-esposa.
Mas o que realmente me chamou atenção durante todo o filme foi a relação tecida entre as personagens Cristina, Juan Antonio, Vicky e Maria Helena, e o que estas visualizam do amor. Fica claro que as visões são distintas, mas no fundo todos estão procurando uma coisa só: o sal do amor.
Essa foi uma expressão utilizada por Juan Antonio para explicar o porque do seu casamento com Maria Helena não ter dado certo. Eles, se amavam, na verdade ainda se amam e são significativos na vida um do outro, mas faltava algo na dosagem da vida a dois para a relação ir bem. O que segundo Maria Helena tornava o amor dos dois algo romântico, e por isso impossível de dar certo.
Vicky e Cristina também procuram este sal. A primeira achava que era feliz com o noivo , até conhecer Juan Antonio e ficar balançada e por em xeque o seu futuro até então certo. E Cristina só sabe o que não quer, um homem fabricado em série, nem uma vida pacata, epor isso se joga nos braços de Juan, e por consequência no de sua ex-esposa.
Este filme procura mostra que no fim de tudo só queremos realmente momentos bons, aproveitar a vida e buscar no amor a sua dosagem mais gostosa, aquilo que nos dá mais prazer, a pessoa que nos dá mais êxtase. O que pode ser uma verdade, ou não. Só depende da quantidade de tempero que colocamos.

05 novembro 2008

Para Thais


A Thais fez aniversário, e eu mandei esse texto como depoimento pra ela no Orkut. Ela é uma grande amiga, sabe muito das minhas coisas, alegrias e desilusões.


Não precisamos contar os amores, nem os anos que passam. Não vamos nos ater as lágrimas roladas, aos risos dados. Vamos recordar, mas nunca vamos viver o que passou. As experiências asfaltam o pedaço novo do caminho e só cabe a nós dizer se haverá espaço para o florescer das rosas e gerânios, que trarão borboletas e beija-flores. A certeza única que fica é que sempre haverá uma menina, uma nêga dançadeira...Ou será ela a princesa da Andaluzia?
Ela baila com agulhas nas mãos tricotando uma teia de corações amigos. Corações que saem de sua boca junto com um hálito de alcaçuz. Ela vai sovando a massa fofa dos bolinhos de chuva, vai deixando saudade e certeza de amizades duradouras para além do mar - sem- fim.
Borboleta do meu girassol, fábula das minhas crianças. Amo-te imensamente amiga Thais.


29 junho 2008

Cinco anos...


Ando eu cheia de Saudade.
Sim! Saudade com maiuscula, como nome propio pois ela é um ser presente, atuante, torturante. Só não estou cheia dela, se é que me entendem...Gosto muito de ter Saudade, de sentir que as vezes o peito vai arrebentar e que vamos nos afogar em nossos propios sentimentos, de relembrar as coisas lindas, de sentir que o pensamento muda de cor quando pensamos em alguem que amamos muito, mas que está longe e por isso sentimos saudades.
Sinto falta dos meus dezesseis anos, das coisas que vivi e como tudo era tão mais intenso e colorido, como havia mais sangue nas lagrimas choradas na casa da minha vó a noite, meus pais lá longe...512 quilometros longe. Levei minha primeira surra da vida aos dezesseis anos. Foi ai que aprendi a brigar, a ser desaforada, a ser leoa. Bem mais doida, um pouco vadia de ficar até uma da manhã na rua.
Hoje estou até bem, mas sinto falta dos porres homericos, de pegar o carro de uma hora pra outra e ir pra Nova Iorque sem dizer nada, sem planejar...Quando dá umas quatro horas de uma tarde qualquer dar na veneta de subir o morro e olhar a cidade do alto pra se sentir um pouco no ceú.
Mas o que me dá mais falta é não ter meus amigos hoje aqui comigo, depois do 3 ano cada um pro seu lado, porém ainda se gostando muito, sentindo muito um pelo outro.
Saudades das tardes no farol, pretexto pra encontros, de se juntar os mesmos, sempre, pra fazer trabalho na casa do MarK, ou pra assistir video na casa da Mônica. Saudades dos arrastões, de ir buscar o João na Igreja.
Falta dos primeiros horarios que eu sempre chegava atrasada, ou sempre dormia, e sempre era aula do Hugo Neto (Alcool isopropilico!), do suco de goiaba da lanchonete, das tentativas de fazer o André vomitar com historias escabrosas...Já vai fazer cinco anos que vim embora.
Ela sempre vem nesses momentos pra lembrar das pessoas legais que moram longe, contudo não se distanciam um instante. Se até hoje seus amigos de escola continuam sendo seus amigos queridos, tenha certeza de que és uma pessoa de sorte...São poucos que tem a certeza de amigos pra toda vida,