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09 maio 2009

Planos de vôo



Andei pensando, depois de um post que li no Amálgama, e percebi que sou uma pessoa estranha para os padrões atuais. Tudo isso porque eu faço planos a longo prazo, e o que é pior, sigo eles a risca. Eu sonho.
Desde criança eu dizia umas coisas, como por exemplo, que iria me formar na universidade com 22 anos, e acho que esse foi o plano mais a longo prazo da minha vida. Tanto eu me lembro que ficava sentada fazendo os cálculos, só para ver se ia dar tudo certo... E eu só tinha uns seis anos e era (me achava) uma bobona de óculos aro marrom e sem amigos. Mas eu tinha um sonho, e isso pra mim era muita coisa. E no meio desse devaneio vinha tanta coisa, tanta vontade... De ser nutricionista só para cuidar da dieta da vovó; aeromoça e poder fazer conexão internacional para Paris; medica e viajar pro meio da Amazônia cuidando dos índios; jornalista (eu vi Watergate altas horas da noite no Corujão, escondida da mamãe) para desvendar todos os podres da política; designer para projetar coisas que facilitassem a vida das pessoas...
E foi tão engraçado quando eu percebi que meus planos eram cada vez mais reais, e que as coisas vão acontecendo no mesmo instante que você respira e, graças as todas as condições favoráveis que eu tive, vou fazer 22 anos em Agosto e caminho para me formar em Pedagogia. Ou seja, estou a beira de concretizar o maior plano da minha vida, já que tudo o que veio antes, durante, e tudo o que virá depois será por causa e efeito deste meu grande plano! Eba!

Mas, é daí Gerusa!? Tu vais te formar, parabéns... Só que até agora eu não entendi aonde tu quer chegar.

O problema é que muita gente me pergunta o que é que eu vou fazer depois que me formar, o que vai ser da minha vida. Varias pessoas me dizem que adiam a formatura ao máximo, ou que fazem varias graduações para não ter que sair do meio da universidade, pois, não saberiam viver ou ter amigos em outro lugar, e não entendem como eu, uma pessoa que teve todas as experiências legais e construtivas que essa meio proporciona, que fiz grandes amigos, participei de grandes movimentos, estive em festas sempre memoráveis, fui referência de curso... Como é que eu posso querer com tanto afinco sair dali?

E eu respondo que eu vou continuar fazendo o que eu sempre fiz: viver!

O grande lance em se fazer planos a longo prazo é que você sempre tem duas possibilidades: ou você se dá super bem, ou quebra a cara. E para que tudo dê certo é preciso fazer escolhas e arcar com a responsabilidade que elas trazem, o que, no meu ponto de vista, é o mais legal pois te faz crescer como gente, ter maturidade pra cair e levantar, e até perceber a tempo se por acaso tal escolha é mesmo a melhor pra sua vida. E por isso eu digo que me sinto diferente, porque não tive medo de fazer planos numa sociedade onde gente da minha idade, e com as mesmas oportunidades que eu tive e até mais, não sabem se calçam a luva ou colocam o anel. Sentem medo de pensar no futuro, afinal somos tão jovens.
Eu olho para minha mãe e penso que na minha idade ela já morava sozinha a um bom tempo, estudava enfermagem, trabalhava, namorava o meu pai... E com 23 anos já tinha o meu irmão mais velho. Vejo e fico pensando o quanto os jovens de hoje adiam a responsabilidade sobre as suas próprias vidas, como se quisessem viver em uma festa sem fim, com medo do estrago e da faxina do dia seguinte. Como certos amigos meus que planejam a sua vida por semana, no máximo por semestre, segurando nas arestas, com medo dos grandes saltos.

Posso até quebrar a cara, mas me jogo do ninho, pois, eu sei que sou um passarinho e posso voar. E você, que ainda está aí dentro olhando a casca que se rachou, pensa que é o quê?

Depois eu conto os meus novos grandes planos...

30 março 2009

Falando do falo


Depois de uma conversa que tive ontem pelo msn (esse povo que fica falando besteira ao invés de ir dormir), me senti no dever de defender esta classe tão subestimada.
Se você é daqueles que se sente chateado com certos spans no seu email, que prometem aumentar o tamanho do seu pênis, este post é para você querido amigo.
Grande maioria de 14, 17 cm... Sintam-se amados e homenageados por esta pessoa que vos fala, e por todas as mulheres que lhes usam diariamente, oh! Sejam felizes.
Tudo isso porque eu já estou de saco cheio dessa história de que pênis grande, de 20cm pra cima(sem trocadilhos, ou com, se você quiser), é que faz bem o caqueado. E eu só queria saber quem foi o megalômaniaco que deu início a essa história, e com isso deixou um bando de homens inculcados com uma coisa nada a ver.
O homem nasce feliz, sente-se vitorioso quando aprende a fazer xixi
sem molhar a beirada do vaso sanitário (e tem gente que não consegue nunca), e em certo momento quando está brincando com a priminha se dá conta do seu diferencial. Aí quando ele tá naquela fase de voz fina, voz grossa, voz fina, voz grossa... Entra um pentelho no banheiro na hora do recreio, e diz que o pênis dele é do tamanho do seu dedo mindinho. Aí acabou-se a graça.
Por essas e outras que muitas vezes eu penso que quem realmente gosta de pênis grande são os homens. Ou você nunca foi brechado num banheiro público? Nunca me lembro de mulher falando no banheiro "tu viu os grandes lábios dela!?" ou "nossa, que depilação legal"... Essas coisas são típicas de homens que acham o máximo menosprezar o outro e ficar afirmando sua masculinidade centímetro a centímetro. Grande bobagem.
Como eu estava dizendo ontem, no fim das contas o tamanho não é nada se você não souber fazer um bom uso da coisa. Afinal me diga homem super dotado(?!), quantas vezes você já perguntou pra sua namorada se ela gosta do seu pênis? Ou você acha ele tão fantástico que tem certeza absoluta que ela possui um altar onde venera a foto do seu amigão?! Atitudes como estas só deixam a mulher irritada. E eu confesso que esse mito também é muito alimentado por nós... Vamos falar sério, quantos Príncipes Zulus você já pegou na vida? E ainda anda falando por aí do que não sabe, menosprezando o nosso arroz com feijão de cada dia, que satisfaz tão bem...
Se você chegar em uma roda de 10 mulheres, e pedir pra elas falarem sinceramente a sua preferência de tamanho vai ouvir coisas do tipo "normal, que proporcionam um encaixe perfeito, que me deixam confortável". Pois o que interessa mesmo pra gente é a atenção que você homem dá a nós, e não a que você dá ao seu pênis. O carinho e a performance sim, são os essenciais e não abrimos mão deles.
Mas sempre terão aquelas que gostam dos pênis grandes, pois, como diria uma amiga minha " toda mulher tem o pinto que lhe convêm".

Update: mudei o titulo do post, de A você, querido amigo para Falando do falo, pelo simples fato de ter lembrado do nosso amigão Freud.

Update 2: essa imagem ficou perfeita!


28 janeiro 2009

Talvez...

- Eu vou sentir sua falta...
- Eu também vou sentir falta de nós.
- Tua acha que algum dia a gente vai ficar junto novamente?
- Pra te dizer a verdade eu não sei... Talvez, depende de certas circunstancias.

Por que será que um mundo inteiro cabe dentro de um talvez? Qual a necessidade de requerer todo este espaço? Todo este vazio, em uma única palavra. Todo um pesar da incerteza.

Tudo em nossa vida deveria requerer clareza nas expressões, e alimentar a teoria de que tudo tem dois lados. No caso aqui o sim, ou não. Mas o talvez é para turvar, como o encontro de dois rios de coloração distinta, e você lá, se afogando na onda que se forma na sua mente, depois da palavra ecoada em sons metálicos. Vai e volta, vai e volta, como na beira de praia.

Ouvi uma vez, não sei aonde, que o acaso é o que há de mais justo neste mundo, pois está livre dos pré-julgamentos, e tudo vai girar em torno da sua sorte. Se ventou pro oeste, se você deu uma topada na pedra, se decidiu sair ao invés de ficar, ou então se a lua do seu signo está em Saturno (?). Que acaso cruel.Que dor para quem se deixa tragar por esta roda-viva. Que dó de não saber o que virá.

Pois com o sim você fica feliz, e segue sua vida. Com um não você chora e se desfaz, porém você é forte e junta os seus pedaços que te fazem outro, e sendo assim, mesmo não sendo mais(eu, tu, nós, você), você segue sua vida. Mas quando o outro abre a boca, com um talvez ele te acorrenta e , estacionado, não podemos provar nem luz, nem de sobra. O limbo... É, o talvez é o limbo para todas as partes.

Então me diz qual é o problema com o sim e o não. Somos tão irredutíveis que não podemos voltar atrás? Ou somos tão fracos que não podemos impor a palavra dada?

Eu sei que que doí ouvir certas coisas. Sei também que muitas vezes não sabemos nem o que dizer, então não diga. Cale-se!
Mas se o momento te puxa respostas não hesite. Volte ou vá embora, e, se achar que deve, volte novamente.

- Então, o que me diz agora?


21 janeiro 2009

Toda mulher é meio Jessica Rabbit


Eu lembro de quando tinha uns 7 anos, e adorava quando passava "Uma cilada para Roger Rabbit" na Sessão da Tarde. Pois é uma coisa muito lúdica e fantástica a idéia de desenhos convivendo com gente de verdade... E eu cheguei até a imaginar que em Hollywood era assim.
Mas o mais interessante disso tudo é que, enquanto minhas amiguinhas e primas sonhavam em ser a Cinderella e todas as outras Princesas de Wall Disney, eu desejava fervorosamente ser Jessica Rabbit.E pensando nisso agora percebo que Jessica Rabbit é a melhor! E diz muito sobre a personalidade de muitas mulheres hoje.

Eu assistia as Princesas Disney, com suas carinhas angelicais, sua vozes aveludadas e líricas... E sua vida sofrida pra burro! Mais que saco! Eu pensava com meus botões. Porque elas eram muito bobinhas, muito boazinhas, e oh! Como sofriam na mão de qualquer transeunte, e dependiam sempre de um príncipe pra salvá-las.
E eu na frente da tevê pensando - Mais que chato ficar esperando alguem pra te salvar. Se fosse eu já tinha dado um jeito. E assim eu ia sendo criada com a idéia de umas garotas que dependiam dos outros pra viver. Até que conheci a Jessica.
Ela sim é garota esperta, como diriam os cariocas. Daquelas que não tem rostinho angelical, é sexy, poderosa, inteligente e sabe se virar, sem medo de usar o que tem de melhor a seu favor. Pois Jessica não espera que ninguem a salve... Na verdade e ela que salva o Roger, seu coelho-marido!E isso reflete que, na realidade os homens precisam tanto da gente quanto podemos precisar deles, assim como Roger e Jessica foram feitos um pro outro, apesar de aparentemente nada em comum.
E mesmo tendo a forma física inimaginável (sim, pois esse não é, nem de longe um filme para ser considerado infantil) Jessica tem lá seu defeitos,o que a torna mais humana e proxima de nós. E por essas e outras está na cabeça de todos os homens, e na alma de varias mulheres que, como eu, um dia desejaram estar dentro daquele tubinho longo e vermelho causando por ai. Mas que mesmo sem ele ainda batem um bolão.

Viva Jessica!

21 dezembro 2008

Flash Back

Esse post consiste em flash backs das situações mais simples, mais estranhas, tristes ou engraçadas que vivi neste ano, que como os outros foi rápido, e deixou aquele desejo de querer parar um pouco no tempo, ou voltar e viver tudo de novo. Não vão estar todas aqui, mas algumas que vem na retina eu vou escrevendo.

"Por quê bêbado sempre dá vexame? E por quê mulher bêbada sempre fala mal dos homens?... Eu e minha amiga (depois de ter bebido muito) fomos comer uma cachorro-quente no Sousa(uma entidade fast-food ludoviscense), e dentro do silêncio sagrado da refeição ela dispara aos berros- Poxa Gerusa! Por quê tu deixou que fulano brincasse com a minha cara! Por quê tu não deu umas porradas nele? - E eu me recuperando do susto - calma, as coisas não são assim- até que do nada o cara da mesa ao lado grita - fica assim não minha filha! Homem nenhum presta! Eu digo isso, pois eu mesmo não presto! Abaixa a cabeça não mulher! Te valoriza! ele não te merece...
Só depois eu percebi que ele também estava bêbado. E essa foi a gafe etilica do ano."

" O melhor do meu Carnaval foi ser abordada pela policia (era proibido beber em garrafas de vidro) e ver o Raul descadeirado depois de descer até o chão dançando o creú."

" Eu ganhei de presente do Mark o livro da minha vida. E o li de novo, e encontrei novas mensagens, e chorei com ele. E, creio eu, vai ser assim a cada nova leitura."

" Eu fui ao Teatro ver um cara fazendo um tributo a Chico Buarque. Me empolguei, cantei a maioria das músicas e quase cheguei ao ponto de subir na cadeira e dançar... Tudo isso enquanto um senhor de uns 60 anos me fitava, de vez em quando, espantado. Talvez ele ache incrível gente jovem gostar de música boa, ou só estivesse me achando uma louca mesmo."

" Eu rodei dançando 'Madalena' no show do Ivan Lins."

" Eu disse pra minha vó, que a veria de novo no final desta ano. Ela faleceu antes disso, e deixou muitas saudades."

"Eu sentei no ônibus (que faz linha pra UFMA) e espirrei, quando um cara do meu lado falou - saúde. Obrigado, eu respondi, e então ele chegou mais perto e começou a perguntar meu nome e a dizer que eu parecia ser interessante. Até que eu disse que não estava afim de conversar com um estranho - É incrível como a pós-modernidade torna as pessoas tão individualistas ao ponto de recusarem a chance de interagir com pessoas interessantes- essa foi a resposta dele..."

"Encontrei a minha Professora de Química do 2º ano, dando aula na Escola onde eu estava fazendo o meu estágio. Ela se emocionou ao me ver, e ao saber que já estou prestes a me formar."

" Eu acompanhei pela televisão um país massivamente concervador, puritano e racista eleger um homem negro."

" Me emocionei ao ver que o Nelson está dando continuidade a um ciclo de engajamento estudantil, do qual, daqui a uns meses, não farei mais parte. E de saber que de alguma forma eu contribui pra isso."

" Eu acompanhei o Alex entrando no ensino fundamental, e senti uma satisfação pessoal ao ver ele lendo o primeiro de muitos livros que eu vou dar a ele."

" Acompanhei todas as rodadas da serie A do campeonato brasileiro de futebol. Xinguei com o meu pai assistindo os jogos, vi o São Paulo subir na tabela e se tornar outra vez campeão, o Vasco ser rebaixado e o Corinthians subir... Mas o que foi aquela contratação do Ronaldo 'fofômeno' ?"

" O Daniel definitivamente virou meu amigo. Daqueles cheio das intimidades e palhaçadas, de confiar certas coisas que não se confia aos outros, de me decepcionar por não ter trinta anos, não ser formado e barrigudo, não ter emprego chato e morar sozinho... Ele é tão inteligente, e não sei por que diabos me dá corda.Com aquele olho verde chato dele, que ainda por cima não quer me dar (os olhos). Mas o mais interessante da nossa amizade você não sabe - nós NUNCA nos vimos pessoalmente."

" A Dianne é muito engraçada, adoro ela. E a gente resolveu outro dia que ela vai no meu casamento."

" No shopping tinha um cercadinho com balões e uma casinha cor de rosa - Ai, vamos entrar!? - Eu virei perguntando pro Dowglas, e ele me olhando com aquela cara de ' a Flávia é mesmo doida varrida', disse - Tá, eu sou um crianção, mas num shopping não dá - Esses homens sem coragem..."

"Ado! Aado! Cada um no seu quadrado."

" Cara! Era pro sapato acertar bem na venta do Bush, mas mesmo assim já fechei meu ano com chave de ouro.Beijo de despedida é a mãe!"


Bom, agora eu creio que eu vou entrar de ferias, e este blog também. Final de Janeiro estou de volta, e como diz a mamãe "ano novo, vida nova", com certeza vai ter muito assunto novo, e muita coisa encaminhada.

Beijo e me liga.



09 dezembro 2008

Timidez


Na verdade, eu sempre quis dizer que, pra mim, o sorriso dela era o céu ,sabe? Eu sempre dizia que o sorriso dela era bonito, mas na verdade comparar ao céu fazia mais efeito do que dizer que era simplesmente bonito. Bonito era muito pouco pra ela, e todo mundo sabe o efeito que o céu me causa, e se tivesse tido coragem teria feito ela entender o quanto o sorriso dela significava pra mim.
Coragem... Dizem que se vende coragem em qualquer buteco, e agora me pergunto por que não me embriaguei. Ao invés disso eu tomei razão, pensei horas no melhor pra nós dois...eu e ela.
Não me olhe assim! Não, não, eu sei que você não disse nada, mas seus olhos. Eu queria que ela tivesse me olhado assim, que ela até me fitasse com raiva, pois eu sou um idiota. Eu queria que você estivesse lá comigo e, veja bem, eu lhe juro que não estou devaneando, e na verdade nem sei mais se não estou, eu não sei mais o que fiz, ou o que me fizeram.
Só lembro que disse que não podíamos mais. E para que estas palavras saíssem de minha boca foram como facas. E também sei que você queria saber o por que, e se disser que nem eu sei ai terás a confirmação de que sou um idiota completo. Só digo que, depois da frase proferira me vi num redemoinho de lembranças, tão lindas e tão vivas dela. Me afagando os cabelos, me jurando amor, me beijando com uma mistura de doçura, segurança e leviandade como ela é, uma mistura dessas três coisas.
Agora eu te pergunto por que disse aquilo, se no fundo eu não queria estas sensações só como lembranças? Eu queria ela, eu queria a sua carne, sem o peso de ter, pois isso era algo custoso, já que ela era ora grandiosa, cheia de atos de coragem, de força e decisão, e ora era pequena, e só queria chorar jogada ao chão da cozinha, e se levar por desejos mesquinhos. E até aquele momento, em que fui tomado por uma sensação incomoda, não tinha tido a consciência do quanto a amava.
E quando emergi daquelas lembranças só pude olhar pra ela, que estava lá de pé com os olhos marejados, porém firmes a me olhar. Não sei, talvez esperava que eu dissesse mais alguma coisa, e eu te juro que falei o quanto estava me sentido incomodado por deixar meus sentimentos de fraqueza me dominarem, a ponto de joga-la fora. Ela que tão bem me quis, que sempre se fez quando precisei, que sempre estava... E qual não foi o meu espanto, que me mantêm atônito até este instante, quando percebi que som algum transformava em palavras o meu pensar,
de querer falar-lhe e não poder, e levei minha mão a boca notando que não tinha a forma dos lábios.
Estava mudo e disforme, vendo os olhos dela crescerem sobre mim juntamente com minha agônia.
Tentei segurar seus braços, e notei que minhas mãos se desfaziam como areia, e minhas lágrimas como espuma, até que me desfiz como o mar entre suas pernas,e fugi,acuado e oprimido pela minha timidez invencível.

15 novembro 2008

O problema do Agressor

Eu deveria ter parado pra pensar nisso a muito mais tempo, só que muitas vezes certas coisas te incomodam mesmo que só no pensamento. Isso porque certos questionamentos não são facilmente explicáveis se utilizando apenas o campo das idéias. É preciso agir em cima destas questões, e na maioria das vezes o mais rápido possível, pois fazem parte de um problema muito grande.
E nesta semana que passou, a grande questão que veio na minha cabeça foi suscitada pela triste noticia da menina que foi violentada sexualmente, morta e encontrada esquartejada dentro de uma bolsa de viajem, na lixeira de uma rodoviaria.
Não me questionei quanto a crueldade do ato, quanto ao sofrimento da mãe, e tão pouco a necessidade de se fazer justiça perante o crime. O meu questionamento surgiu a partir das suspeitas da policia em relação a quem teria cometido o ato, onde a suspeita recaia em certo individuo que já havia sido preso por crimes semelhantes, e que no momento estava em liberdade. Tendo-se a noticia de que após sair da penitenciaria já haveria molestado sexualmente de um garoto.
Violência sexual contra crianças e adolescentes se tornou uma grande chaga no nosso país. O que se torna ainda mais caótico quando em contra partida temos uma legislação primorosa no que diz respeito a garantia de Direitos e proteção deste segmento da sociedade. A exemplo do Estatuto da Criança e do Adolescente que comemora 18 anos de existência, porém sem efetividade alguma.
Trabalho a uma ano e meio com o tema, e posso afirmar que a Rede de Atendimento e Proteção das Crianças e Adolescentes não funciona como tal. Suas falhas em estruturação, capacitação de agentes e planejamento de ações são visíveis. Mas o que isso tem haver com o possível assasino?
O fato é que a Justiça pode até tentar se manifestar de maneira eficiente no que diz respeito a punição dos agressores. Quando há denuncia, e o processo não se perde em meio a interrogatórios infrutíferos e exposição inapropriada da vitima, pode-se de fato caminhar para uma punição de acordo com a gravidade do caso. Contudo o investimento na recuperação destes agressores é nulo.
O que se pode notar desde o principio é que se o agressor não for logo linchado pela população raivosa (afinal Violência sexual infanto-juvenil é algo que choca, criando de imediato o sentimento de repulsa e revolta contra quem o pratica) ele será com certeza estuprado e até morto na cadeia, onde os códigos paralelos não perdoam tal ato. E isso seria um alivio na mente da maioria da população, já que pessoas como estas, se é que podem ser chamadas de pessoas diriam uns, merecem mesmo é morrer de uma morte bem sofrida. Só que o sistema do Bode Expiatório em tese se acabou com o advento da Lei, e não podemos mais levar as coisas no olho por olho.
Todo crime, pela sua natureza de atentado contra a liberdade do outro, não pode ser encarado como algo comum. E em se tratando da Violência sexual infanto-juvenil se torna ainda mais grave, pois a vitima é alguém a priori incapaz de defender-se do outro de alguma forma. Por esta razão, assim como a vitima necessita de acompanhamento e tratamento para ter a chance de recuperar-se do trauma, o agressor também necessita de acompanhamento e tratamento especifico para livrar-se dos intentos que o levaram a cometer o ato. E pesquisas mostram que apenas 2 % dos agressores não manifestam recuperação após o tratamento. Geralmente pessoas que possuem alguma patologia detectada, o que são casos raros.
O caso desta menina poderia virar um exemplo do que seria evitado caso investimentos na recuperação de criminosos dessa espécie fossem aplicados em nossos presídios. O Sistema penintenciario de nosso país precisa de uma grande reforma neste sentido, e a boa noticia é que já há vários estudos e projetos com intuito de tratar e recuperar criminosos para uma possível ressocialização. Porém a falta de recursos entrava a continuidade de tais trabalhos.
Só espero que o Governo e sociedade não demorem tanto a enxergar e pensar sobre esta necessidade, pois o nosso tempo é curto e o trabalho a ser feito é muito para evitar que mais crianças e adolescentes tenham suas vidas desrespeitadas.

03 novembro 2008

Formigas e pensamentos esdruxulos


Coisas estranhas estão acontecendo comigo, e tem como principais protagonistas as formigas. Sim esses seres minusculamente extraordinários tem chamado, e muito, minha atenção de uns tempos pra cá.
Tudo começou quando, não mais que derrepente, olho para o monitor do meu celular e lá encontro andando serelepe uma formiga. Tentei chuta-lá delicadamente para fora dali com meu dedo, mas qual não foi a minha surpresa ao constatar que ela estava não em cima, e sim dentro do monitor.

Questionamento 1 - como essa louca entrou ai?

Questionamento 2 - e agora como eu vou tirar essa louca dai?

Sim, eu me importei com a formiga gente, sempre tenho a mania de pensar se por acaso fosse eu ali pressa, e essa historia de se colocar no lugar dos outros faz você analisar pacientemente cada atitude a ser tomada, e também por que os outros fazem certas coisas. Como o meu professor de Antropologia gostava de dizer - Descolorir nossas lentes, e recolorir com as cores do outro.
Então tentei desmontar o celular, só que que não consegui abrir o vidro - Diacho de formiga doida! - e ela andava de um lado para o outro - Caraca o oxigênio ai deve ser mínimo! - a luz do monitor devia estar lhe incomodando, ou ela também estava procurando um meio de sair.
Foram quase duas horas de agônia (creio que mais dela do que minha) até que um certo momento ela parou num canto, e eu percebi que aquele era o fim. E até hoje ela está lá no canto, transformando o meu celular em um ataúde tecnológico. E sempre que eu atendo uma ligação vejo ela, um cadáver no meu telefone, e me sinto uma completa inútil por não saber desmontar um aparelho. Mas será que se fosse eu no lugar dela, ela sentiria tanto assim? Pra mim toda vida tem uma função e um significado, e a morte desta formiga asfixiada no meu monitor me fez pensar se pra todo ser humano a vida faz realmente algum sentido.
As vezes não sabemos por que cargas d'água estamos neste mundo, se estamos realmente para além dos fins de procriação, se estamos com essa bola toda, ou se na realidade somos um bando de babacas. Muitas vezes até temos oportunidade de fazer algo que realmente importe e faça a diferença para além dos nossos interesses, só que preferimos ficar mega confortáveis no nosso sofá, na frente do nosso computador. Nós, como a pobre formiguinha, estamos cercados de luzes, esplendor e tecnologia, mas até que ponto essa atração é realmente compensatória?
Nós pensamos! Contudo vejo o homem mais animalesco que os ditos irracionais. E nesses momentos tenho inveja da formiga, pois ela podia ser uma operaria, porém tinha o seu valor reconhecido no seu meio, e vivia em uma sociedade que sempre prioriza o bem comum onde as hierarquias não funcionam como mecanismos de opressão, e sim como uma divisão harmônica do trabalho que deve ser feito por todos, com grandes recompensas.


16 setembro 2008

Desejando Bethânia ardentemente


Ganhei de aniversário um DVD com o show da turnê "Tempo, tempo, tempo, tempo" de Maria Bethânia (muito bom, recomendo). E pela pura falta de tempo, ou até preguiça mesmo sabe, eu deixei ele lá na estante, carente da minha atenção. E nesse sábado passado, sem dinheiro nem pro pão nem pra cachaça do Seu Batista, resolvi assistir. Que tonta eu fui...

Um fato não nos foge e o de que Bethânia possui uma unanimidade concedida a poucos artistas neste mundo, pois você pode nem gostar das coisas dela, mas a respeita solenemente e nem sabe por que assume esta postura. É algo quase cultural, praticamente instituído em nosso país admirar essa mulher, um costume tão bem aceito que pouca gente se pergunta, pois já virou algo natural. Perguntei a um amigo que gosta de Heavy Metal o que ele achava sobre cantores como a Bethânia - Gosto não sabe, mas respeito pra caramba- foi o que ele me respondeu.


Se você por acaso está achando que eu vou falar mal dela pode esquecer, Bethânia não merece. Depois de passar quase uma hora e meia hipnotizada com a voz dela fiquei incapaz de falar alguma coisa, e assim que o êxtase foi embora acabei por me maldizer de passar tanto tempo se dar atenção devida ao DVD abandonado na estante. No fim de tudo pensei - O que ela tem?


No outro dia, com calma e olhar atento, assisti novamente o DVD, só no intuito de buscar a resposta para a admiração que esta mulher causa. Antes de tudo olhe, mire, veja esta foto e me diga se não se remete no seu inconsciente a uma divindade que povoa o imaginário brasileiro e é cultuada pelas religiões de origem africana como a rainha do mar. Repare na suavidade dos pés descalços, na fluidez do tecido sobre o corpo, e na agilidade sensual mostrada por este.

Não vou falar de sua voz, isso todos reconhecem, mas nem todos reparam o quanto Maria Bethânia é dotada de uma sensualidade latente, um quê de sereia da beira da praia, com seus cabelos longos, sua cortesia, seu olhar de gato, o jeito de postar as mãos na cintura, muito senhora de si, ciente do poder exercido sobre os demais. E mesmo assim não mostra intuito explicito de se aproveitar da situação, porque o público também a seduz.

Só que o melhor da Bethânia sensual é que esta condição lhe cai tão bem, e exercida por ela de maneira tão natural quanto fazer xixi, que beleza física se torna algo totalmente segundo plano (mas vamos combinar que ela tá enxutessíma!). Vejo que quando a mulher amadurece ela cria uma percepção muito maior de si e do seu poder de dominar o mundo (sim, nós conspiramos...) que as imposições ridículas da nossa sociadede e as relações feitas por esta entre sensualidade e beleza física padrão vão para um buraco qualquer, bem longe da nossa cabeça.
A Bethânia não premedita sua sensualidade, ela simplesmente exerce sua condição de mulher livremente e isso faz dela sensual por excelência. E o mais legal e que quando vemos sua performance no palco, não ligamos sua figura em momento algum a menções de vulgaridade ou utilização do corpo da mulher como um objeto sexual, como se costuma fazer por ai com as ditas "sexy" e afins. Ela se apropriou tanto de si que ninguém pode usa-la, ninguém pode dizer nem A nem B. Só vemos dela o que ela quer que vejamos. Está ai a explicação de tanta admiração por ela.

E eu acredito que se alguem chegar pra Bethânia um dia e dizer - nossa como você é sensual! - com certeza ela vai dizer - Que isso... Mas obrigada, você é muito delicado - Então você fica lá, babando em êxtase. Por essas e outras não adianta mulher, você viver no salão de beleza (como já dizia o Baleiro nos seus versos, há menos beleza no salão de beleza) , se dentro de si não possui o impulso vital (quem sabe uterino) da sensualidade. Minha mãe sempre me diz que maquiagem só realça o que temos de bonito, então de que adianta o batom se você não sorri?

Como diz Bethânia "Quem não é reconcávo não pode ser reconvexo".

06 setembro 2008

Eu não sou seu...

O que temos em mente quando pensamos em relacionamento aberto? Eu juro que não sei muito o que pensar, creio que é por conta disso que eu pergunto, que estudo(não sei por que insisto que o estudo me dará a resposta). E depois de tanto perguntar, parei e me indaguei - será que estamos preparados para esse tipo de relacionamento?
Não meu povo, isso não quer dizer que estou namorando, ou pensando em manter um relacionamento aberto(até segunda ordem estou querendo mesmo é distancia), mas de tanto eu ver gente dizendo que mantêm um relacionamento aberto, e ver tantos destes fracassando, fico em duvida se realmente sabemos conduzir essa situação.
É muito bonitinho, tá na ultima moda, mas o essencial para se ter um relacionamento aberto, na minha visão, ainda não é cultivado pela maioria. Esse essencial se materializa no respeito e na abolição do outro como uma posse sua.
Por exemplo, muitos homens hoje adoram essa história e vêem esse tipo de relacionamento como um consentimento da namorada pra sair por ai "pegando a mulherada" a vontade, sem a culpa institucional de traição(se é que ele se sentia culpado). E a maioria das mulheres hoje aceita o relacionamento aberto, mas se sente traída se sabe que o outro estava com outra. Mas ainda tem a terceira pessoa, qual é o papel desta na situação?
Ah! Eu não ligo se ele já tinha outra antes de mim - MENTIROSA! Lógico que você liga, fala a verdade vai. Talvez até não ligasse mesmo, se muitos não tivessem a atitude de usar a terceira pessoa como um estepe para as horas que não tem mais o que fazer, ou porque brigou com o outro, enfim, achando que aquela pessoa é algo da sua estante.
O que eu quero dizer é que na sociedade de hoje, onde as relações de propriedade são o norte das situações, se torna uma saga quase impossivel ter um relacionamento aberto, pois algo deste tipo requer um desprendimento ao qual ainda não estamos acostumados. Se você não aprende na escola a compartilhar o brinquedo, tão pouco vai conseguir fazer isso nas relações afetivas. Enquanto houver a possibilidade de magoa, vai se anulando a possibilidade de uma relação saudável, e isso vale para qualquer "modalidade" afetiva.
Por isso digo que antes de sair por ai aceitando ou engendrando um relacionamento aberto, ou qualquer tipo de relacionamento, devemos buscar o verdadeiro sentido da convivência, do entendimento, do respeito mutuo, da liberdade principalmente.
Devemos ter em mente que o melhor da relação é o que podemos viver e aprender com o outro, e não simplesmente possuir o outro. Acho que quando enfim descobrirmos isso, a sociedade não vai mais precisar de definições, classificações e nomenclaturas.

25 agosto 2008

Devaneios e Creme de Galinha

Hoje acordei com uma certeza em meu coração: sou uma falsa otimista.
Eu posso até enganar as pessoas, mas infelizmente não sou tão ardilosa comigo mesma, e isso é triste pois eu queria realmente sempre enxergar o lado bom das coisas. E o mais engraçado de tudo é que estas síncopes fatalistas sempre tem data marcada para acontecer - 25 de Agosto, dia que completo anos de vida.
Não, meus poucos(porém prestimosos) leitores, isso vai passar e com certeza amanhã estarei bem feliz, só que os aniversários tem um quê de revival melancólico, e coisas deste tipo me deixam mais sensibilizada que de costume com minhas propias mazelas.Eu abro meu orkut e vejo minha caixa de mensagens cheia de votos de felicidades e muitos anos de vida, todas vindas de grandes amigos, de companheiros de luta, de alguns amores, ex-amores e quem sabe alguns futuros amores...Mas sempre me pego pensando, se este fosse o meu ultimo aniversário?
Fui ajudar minha mãe no almoço, cozinhar me relaxa e hoje nós duas decidimos experimentar fazer creme de galinha(aliás um beijão pra Dona Eurides, que é com certeza um amor de pessoa, e quem gentilmente me cedeu esta receita). E enquanto desfiávamos os pedaços de peito de frango cozido, eu pensava em tudo o que me aconteceu até eu estar ali, naquele momento corriqueiro na cozinha, minha mãe lavando o arroz...Minha mãe, será que ela estava pensando que eu finalmente cresci? Será que eu finalmente cresci?
Só sei que cada vez que o tempo passa eu me sinto mais confortável, pois finalmente posso assumir meu estado de espírito favorito, alheio e distante, cerebral, com uma pitada de humor esdrúxulo, que muitas vezes beira o ridículo. Ainda me preocupo, mas estou cada vez menos ligada aos pensamentos das outras pessoas. Talvez isso possa ser a definição de crescer - ter cada vez mais consciência de si.
Afirmo com toda certeza que me sinto bem melhor agora do que na minha adolescência. Que época pavorosa onde você necessita ser aceito, estar em um grupo, ser o tal, e isso é muito cruel.
Lembrei de quando eu tinha 16 anos e comprei uma revista, e nela tinha uma entrevista(que me marcou muito, tanto que me veio na memoria hoje) com uma banda de rock que eu gosto bastante. A repórter perguntou ao vocalista o que eles sentiam ao saber que tinham fãs na faixa dos 16 anos, e estes responderam que achavam gratificante ver que a música que fazem ultrapassa uma barreira de idades. Então a repórter emenda e pergunta se eles se consideram eternos adolescentes...Já pensou que pesadelo?Diz o vocalista - você ficar eternamente preso a uma idade e não ter a possibilidade de crescer com as experiências que a maturidade pode te proporcionar, me parece mais um filme de terror...
Pega o molho e bate no liquidificador junto com a maisena... Minha mãe me dá um abraço, deseja que todos os meus sonhos se realizem. Já pensou minha filha - me diz ela - que poucos estão onde você está com 21 anos?
Não quis pensar nisso... põe o molho junto com o frango desfiado no fogo, acrescente meia lata de creme de leite e uma lata de milho verde...Olhei para o quintal e as borboletas amarelas estavam voando em grande quantidade. Meu primo me disse que uma borboleta vive no máximo duas semanas, dai pensei o quanto deve ser intensa a vida destes seres, que passam um bom tempo se rastejando na forma de largatas, e depois de um tempo de maturação saem lindas voando pelo mundo, polenizando as flores,ajudando a vida a seguir seu curso.
Me indaguei como pode haver tanta filosofia de "carpe diem" dentro de um ser tão frágil? Me indaguei também de onde eu tirei tanta força em certas horas pra lutar, resistir ao cansaço. De onde vem essa certeza de um dia realizar grandes feitos? Mais perguntas ao vento...
Já tá no ponto mãe, será que ficou bom?Prova aqui Alex, vê se ficou gostoso... Meu amigo me diz que eu só tenho 21 anos mal feitos, sinal de muito tempo pra tudo, inclusive pra acertar na receita.

13 julho 2008

Fetiche intelectual


Eu gosto de cérebros! Pronto, falei. Acho que as coisas que nos atrai para as pessoas vão se formando com o tempo, como por exemplo a minha predileção por homens magrelos, meio desajeitados e com cara de cachorro chutado na rua foi se formando com as experiências destes meus curtos 20 anos...Mas desde que me entendo como um ser que pode gostar de outros, já tinha comigo uma atração irressistivel por massas cinzentas musculosas.
Se fossemos agora fazer como Bourdieu e categorizar a aquisição de conhecimentos científicos e culturais como um capital igual a aquisição de bens econômicos, poderíamos dizer que sou atraída por homens dotados de cérebros bem ricos de inteligência. Assim eu seria uma verdadeira intelectual interesseira! Credo!hahahahaaha.
Mas vamos falar a verdade...Não sei as outras que gostam de músculos mais visíveis, só que gosto mais daqueles que me façam desafios mentais, que me mostrem perspectivas novas, coisas fora do comum. Adoro ficar vendo quantos livros nos lemos, quanto temos a capacidade de explicar as coisas um pro outro. Também gosto quando eles falam sobre as noticias dos jornais e dos assuntos do cotidiano embasando sua conversa teoricamente, citam exemplos de livros enormes, tiram poemas da manga, ou cantam (muito mau admito) musicas otimas. Só eles tem um humor fino, umas sacadas únicas, uns trocadilhos infames (porém não idiotas), contando piadas que poucos entendem. E mesmo assim travam brigas diárias com a timidez, incompreensão alheia e propia, e muitos até lutam para conseguir músculos visíveis... Pra quê? Vocês são lindos assim!
Acho que respondi por que não ando suspirando por todos os homens convencionalmente bonitinhos... Só depois de uma hora de conversa quem sabe?

16 junho 2008

Pedido de Boa noite


Ando querendo pessoas que gostem de coisas simples, pessoas simples para uma vida descomplicada. Alguém que saiba o quanto é legal passar os pés nas plantinhas "dormideiras" e vê-las se fechando devagar, assim como achar um máximo quando você vai passando e uma manga cai do seu lado.Alguém que goste da dor de cabeça que fica quando se toma guaraná da amazonia gelado, de achar a passa enquanto se saboreia o sorvete, ou de lamber a bacia onde o bolo foi batido.
Quero que goste de preguiçar na cama esticando os dedos dos pés, e de ficar com dois travesseiros cheirando o lençol recém lavado. De assistir filmes bobos. Quero pessoas com a capacidade de se emocionar com os "Nascidos em bordeis", que acolham todas as dores do mundo sem jamais perder a capacidade de sorrir, e que de vez em quando me ceda o seu ombro pra eu dar um choro necessário, ou para simplesmente ter seu ombro.
Quero abraços apertados, conversas descompromissadas, mas sem serem fúteis.Pessoas dotadas de paixão, de ideal, de sonhos. Que gostem de sentir o pêlo do cachorro, de admirar borboletas voando,ou como o vento faz um redemoinho no meio da tarde.
Procuro pessoas que não tenham medo de se sujar, que acreditam que os outros não precisam de maquiagem, de salto alto, de mascaras. Desejo alguém que adore pulseirinhas no pé, saias rodadas, camisas largas, havaianas e bolsas de palha.
Quero gente que goste de um bom tambor, de um frevo e de uma cachacinha, de ficar rolando na rua até mais tarde, mas que no fim das contas não troque sua casa por nada.
Quero quem queira uma casa no campo, com varanda, janelas, horta e bicho. Goste do cheio de mistura de chuva com terra, de meter o pé no riachinho.
Quero coisas simples, quero uma vida simples, quero uma pessoa simples.

29 abril 2008

Sobre pensar em demasia...


Estava eu pensando sobre pensar demais (?)...hahahahaha, pode parecer loucura mas realmente estava estes dias pensando sobre pensar e cheguei a conclusão que em certas proporções te faz muito mal.

É mais ou menos assim:

Você se vê com uma certa situação. Ai começa a pensar nela, e passa horas com ela na cabeça, faz altas conjecturas sobre o que poderá acontecer, conversa com outros sobre o assunto, dorme e acorda com a merda do problema na sua frente (pois depois de tanto pensar ele já virou um).Isso te deixa mal de uma tal forma que chegam os sintomas físicos.

Ai você se dá conta de que tem que se livrar disso...Mas como?


Simples: pare de pensar nisso oras!


O ato de pensar demais em certas situações faz com que vejamos pelos em ovos, e leva coisas tão simples a proporções totalmente angustiantes. Fazer das coisas um problema sem fim as vezes é mais fácil para alguns do que simplesmente deixar que elas aconteçam de maneira natural. É preciso ter consciência de que devemos aproveitar as situações, vive-las!E não perder tempo pensando demais nelas.
Quanto mais analisamos a vida que levamos, mais sentimos vontade de nos acovardar e de enfiar a cabeça na terra feito avestruz (se é que eles fazem isso...) e as vezes com razão pois ela(a vida...) não é fácil. Mas como você vai saber lidar com situações se não as vive?
Nunca é demais pensar no que será de nós, mas se não vivermos nunca saberemos se foi realmente aquilo que pensamos.

"Sem contar que se preocupar em demasia faz mal pro coração.Seria melhor se você ouvisse ele de vez em quando..."

PS: Só pra constar eu tô ouvindo "relax" do Mika!hahahahahaha

20 abril 2008

Vamos lavar os trens Geruza

As 16hs do dia 19 de Abril, eu me tornei a ultima Gerusa da família Ribeiro Silva, legado este deixado por Geruza Francisca, minha avó que sentiu o alivio da partida por deixar aqui toda dor que estava sentindo.
Bem verdade que minha prima Iane também se chama Gerusa, mas a opção do nome que iria ser seu foi feita desde pequena assim como eu abdiquei do nome Flávia que trago em minha certidão.
O nome que significa nascida em Jerusalém veio junto com minha avó do interior do Piauí, que me dizia ser neta de índia.Ela que foi abandonada pelo pai na casa de uma desconhecida que a criou, e depois se casou aos dezoito anos com João Velho, sempre velho desde menino, e terminou de criar os filhos, seus irmãos, que o pai trouxe quando voltou pra morrer, fugido da seca desgraçada e da vida sem rumo do sertão.
Depois vieram os filhos seus, todos negros como João, os homens alegres e mansos como ele, as mulheres também alegres mas com a agonia breve de Geruza, que alegria teve poucas na vida e com isso já se conformara de muito.Dos dez filhos que teve, dois se foram pequenos, mortos pelas doenças da infância, e o mais velho morreu longe dela nas vésperas da comemoração das bodas de ouro de se casamento com João. Muitos do que ficaram fizeram sua vida e famila perto dela, já outros como meu pai deixaram a casa cedo e foram para outras paragens distantes da cidade de São João dos Patos.
Eu sempre cresci sendo chamada de Geruzinha, e quando pequena só vi minha vó uma vez da qual não lembro bem, mas me dizem que eu imitava seu jeito de andar e de cochilar depois do almoço.Meu pai sempre mandava eu escrever cartas pra ela, que mandava junto com as dele, e eu caprichava com desenhos de como eu imaginava ser essa família que não conhecia, essa Geruza que me tinha dado seu nome.
Ela só veio ficar mais próxima de nós quando meu avó se foi por conta de um derrame que lhe comprometera o movimento das pernas.E quando meu pai ficou sem emprego fui morar com ela durante um ano.Ai conheci a força da Geruza que não chorava, que não dava carinho, que se enchia de uma teimosia de vencer a morte e os obstáculos que a velhice trazia, que não queria mudar sua maneira. Mas que de vez em quando se pegava com lágrimas nos olhos cheia de saudade dos filhos e do João,e que quando íamos viajar mandava matar o capão pra fazer o frito, e ia aprumar as roscas, os bolos cacete e os beijus de tapioca enrolados na folha de bananeira.
A geruza só sabia amar assim.
A ultima vez que a vi foi no final do ano passado, onde ela estava muito feliz de ter seus netos amados perto dela. Ela nunca mudou e apesar de ter vivido comigo um ano nunca aceitou e se acostumou com minhas horas malucas de comer e dormir, mas aprendeu a deixar a porta aberta pra não perturbar seu sono. As vezes eu a fazia rir.
Quando me despedi dela disse que queria vê-la passando uns meses lá em casa,e que viríamos todos no próximo final de ano. Mas ela se foi aos oitenta e um anos sem ter a chance de colocar no colo a filha do seu neto favorito, meu irmão.
E agora só ficou a Gerusa nova, cheia de uma responsabilidade de honrar o nome de mulher que por tudo lutou.Eita vó que você vai fazer uma falta danada no final do ano, mas eu vou manter a promessa que estaremos todos juntos e felizes em sua casa.Tentaremos.

18 março 2008

Dona Dezi voltou!

Minhas duas ultimas semanas foram um caos.Tudo isso porque minha mãe viajou pra São João dos Patos, já que uma coisa é você viajar, outra e sua mãe viajar e te deixar em casa. Terrível minha gente.
Logo de cara digo que não sei passar café, o que é um sacrilégio pra uma viciada na bebida, mas eu não sei, e o café de papai não é igual ao café dela.Resultado: duas semanas no achocolatado. Sem falar no problema ao acordar de manhã, já que meu despertador toca, porém é Dona Dezi que vai lá e me dá uns cascudos pra eu levantar da cama na hora.Resultado:duas semanas chegando atrasada no trabalho.
As roupas amontoaram e eu tinha preguiça de cozinhar feijão e todo mundo reclamava da falta dele nas refeições, sem contar que o esquema da "janta" ficou cada um por si.Resultado: o estoque de miojo acabou.
Sempre admiti que não sei nada sobre minha casa, já que esse reino é exclusivo da minha mãe.Ela odeia que a gente se meta na cozinha, que mude as coisas de lugar, comanda tudo e briga com todo mundo se as coisas não saem do jeito dela. É por isso que nem eu, nem ninguém, consegue viver aqui civilizadamente sem te-la por perto pra dizer o que fazer. Talvez quando eu tiver a minha casa eu vá agir de forma diferente, mas aqui o negocio é com Dezimar.
Isso tudo é culpa dela que estragou a todos nós com aquelas coisas que só mãe faz, como separar o teu pedaço preferido do frango ou fazer doce de leite e pudim quando tu faz aquela cara de manhoso.Preparar almoços maravilhosos e gostar de todos os teus amigos e aturar eles na sua casa rindo das doidices que a gente diz.
Eu estava analizando e cheguei a conclusão que pra competir com a minha mãe de igual pra igual só mesmo a Dona Eurides que é muito fofa. Mas mesmo assim ainda voto na mamãe.
Que bom que ela já chegou e fez feijão pro almoço.

08 março 2008

Da Mundoca à Gerusa


Eu já ouvi alguem dizendo que todo dia é dia da mulher...Achei isso muito piegas. Lembro que quando era pequena, na escola eles falavam muito superficialmente do por quê desta data.Superficial pelo fato de dizerem muito pouco sobre a luta das operarias por direitos trabalhistas, luta que terminou de maneira trágica, e enfatizar nos beijinhos e nos parabéns que você tinha que dar pra mamãe neste dia, além das rosas é claro! As rosas não podem faltar.
E eu sempre dava rosas pra minha mãe, ia num livro e copiava um poema pra recitar pra ela, coisa que a deixava emocionada. Mas pra mim sempre faltava algum esclarecimento maior sobre aquilo tudo. Então perguntei:

Por que não tem dia do homem também mamãe?

"Por que o homem tem oportunidades de fazer o que bem entende todos os dias, coisa que a mulher não tem minha filha."

No tempo da minha mãe era tudo muito diferente, não tinha essa história de direitos iguais. Ela e as irmãs aprenderam com a minha avó, que aprendeu com a mãe dela, que as filhas eram do pai até o momento de se tornarem do marido.Nunca eram delas. Meu avô era um homem rude, nunca foi carinhoso com ninguem, e minha avó que sempre foi uma fina flor, sofreu muito com isso. Sofria calada pois foi educada pra isso, pra nunca levantar a voz, nunca reclamar. Ela, semi- alfabetizada, trabalhava muito pra custear a educação dos filhos já que meu avô sempre dizia que não sabia ler e mesmo assim continuava vivo, mas ela não queria o mesmo destino pra minha mãe e meus tios e tias.
Elas tiveram que sair de casa, passar vexames nas casas dos outros. Minha mãe e minhas tias tiveram que trabalhar em troca da roupa, da comida e do teto, além da oportunidade de estudar, perderam a infância cuidando dos filhos dos outros. E quando queriam voltar pra casa minha avó dizia que não, que lá elas não teriam nada.
Longe da casa dos pais minha mãe foi aos poucos descobrindo o mundo, descobrindo que podia falar, de fazer muitas coisas, de casar com quem queria e não com quem meu avô desejava. E decidiu pelo meu pai, casou sem ninguem saber, e por ser a mais velha terminou de criar todos os irmãos.Ainda me lembro dos meus tios mais novos morando aqui.
Dona Maria Dezimar, minha mãe, sempre me ensinou muitas coisas, nunca me escondeu nada sobre a vida e sobre as pessoas. Sempre disse que eu deveria estudar muito, que meu melhor marido era minha inteligencia, meu trabalho, as coisas que eu poderia conquistar com o meu esforço, sem depender de ninguem. Ela não me mandava calar a boca, e Dona Mundoca, minha avó, sempre dizia que isso era mau.Pobre Mundoca, que só agora, depois da morte do meu avô sentiu que podia falar. Pobre Benedito, meu avô, que somente quando sentiu que ia morrer admitiu que sempre nos amou e conseguiu chorar. E nós choramos com ele.
Hoje eu tenho vinte anos, tenho consciência do papel dado a mulher na sociedade, e de que eu não quero me enquadrar neste papel. Os livros me ensinaram muito, mas se não fosse minha mãe eles não teriam chegado até mim. E mesmo quando eu não tinha a noção total da magnitude que este dia deve representar na luta de tantas mulheres, eu tinha a secreta certeza de que minha avó, minha mãe e todas as minhas tias, por tudo que elas passaram mereciam minha gratidão e homenagem pelo exemplo dado.


PS: Só pra constar ,nesse dia da foto a Mundoca tava me dizendo "pra eu parar de molecagem".Essa mão no cantinho e da minha mãe.