30 março 2009

Falando do falo


Depois de uma conversa que tive ontem pelo msn (esse povo que fica falando besteira ao invés de ir dormir), me senti no dever de defender esta classe tão subestimada.
Se você é daqueles que se sente chateado com certos spans no seu email, que prometem aumentar o tamanho do seu pênis, este post é para você querido amigo.
Grande maioria de 14, 17 cm... Sintam-se amados e homenageados por esta pessoa que vos fala, e por todas as mulheres que lhes usam diariamente, oh! Sejam felizes.
Tudo isso porque eu já estou de saco cheio dessa história de que pênis grande, de 20cm pra cima(sem trocadilhos, ou com, se você quiser), é que faz bem o caqueado. E eu só queria saber quem foi o megalômaniaco que deu início a essa história, e com isso deixou um bando de homens inculcados com uma coisa nada a ver.
O homem nasce feliz, sente-se vitorioso quando aprende a fazer xixi
sem molhar a beirada do vaso sanitário (e tem gente que não consegue nunca), e em certo momento quando está brincando com a priminha se dá conta do seu diferencial. Aí quando ele tá naquela fase de voz fina, voz grossa, voz fina, voz grossa... Entra um pentelho no banheiro na hora do recreio, e diz que o pênis dele é do tamanho do seu dedo mindinho. Aí acabou-se a graça.
Por essas e outras que muitas vezes eu penso que quem realmente gosta de pênis grande são os homens. Ou você nunca foi brechado num banheiro público? Nunca me lembro de mulher falando no banheiro "tu viu os grandes lábios dela!?" ou "nossa, que depilação legal"... Essas coisas são típicas de homens que acham o máximo menosprezar o outro e ficar afirmando sua masculinidade centímetro a centímetro. Grande bobagem.
Como eu estava dizendo ontem, no fim das contas o tamanho não é nada se você não souber fazer um bom uso da coisa. Afinal me diga homem super dotado(?!), quantas vezes você já perguntou pra sua namorada se ela gosta do seu pênis? Ou você acha ele tão fantástico que tem certeza absoluta que ela possui um altar onde venera a foto do seu amigão?! Atitudes como estas só deixam a mulher irritada. E eu confesso que esse mito também é muito alimentado por nós... Vamos falar sério, quantos Príncipes Zulus você já pegou na vida? E ainda anda falando por aí do que não sabe, menosprezando o nosso arroz com feijão de cada dia, que satisfaz tão bem...
Se você chegar em uma roda de 10 mulheres, e pedir pra elas falarem sinceramente a sua preferência de tamanho vai ouvir coisas do tipo "normal, que proporcionam um encaixe perfeito, que me deixam confortável". Pois o que interessa mesmo pra gente é a atenção que você homem dá a nós, e não a que você dá ao seu pênis. O carinho e a performance sim, são os essenciais e não abrimos mão deles.
Mas sempre terão aquelas que gostam dos pênis grandes, pois, como diria uma amiga minha " toda mulher tem o pinto que lhe convêm".

Update: mudei o titulo do post, de A você, querido amigo para Falando do falo, pelo simples fato de ter lembrado do nosso amigão Freud.

Update 2: essa imagem ficou perfeita!


27 fevereiro 2009

Melãozinho

Eu estou aqui em THE (vulgo Teresina). Ando foragida da minha ex-chefe, da minha monografia, passando uns dias na casa da Sanara, minha amiga de São Luis, que acabou de se mudar. Desliguei o telefone, não disse nada pra ninguém (isso não abarca os meus pais), comprei a passagem e vim. Estou agora entre caixas mal desempacotadas, com um notebook no colo, me impressionando do simples fato de que esta cidade é um ovo...

Mais cedo eu pensava só na minha vontade de beber; no abafado da cidade; do por que diacho eu vim bater perna nesse Riverside, que nem ar condicionado tem.
Paro numa revistaria (mas eu tava mesmo era com fome!), dou uma folheada na nova edição da Caros amigos, dou uma olhada nos vestidos do Oscar na CARAS...

- Péssima troca... Me disse um cara que estava ao lado.

-Ãh? Não entendi! - E levantei um pouco o rosto pra tentar ver suas feições, mas ele se mantinha de cabeça baixa, olhando uma revista, a qual não pude distinguir.

- Muito ruim você ter largado a Caros Amigos e pegar essa CARAS aí. Perda de tempo por página folheada...

- Hahahahahaha! Ah é!? Quer dizer que tu não és o tipo de pessoa que perde tempo com essas coisas?

- Não - E levantou o rosto com uma expressão um tanto quanto debochada.

- Bom saber que... Espera um pouco, tua cara não me é estranha...

- Bem, tenho certeza que na CARAS você nunca viu minha cara! hahahahaha

Olhei os olhos dele...
- Daniel!?

- De onde eu te conheço? Tu estudou comigo?

- Não idiota! Sou eu, Gerusa...

-Reconheci a partir da palavra idiota... Ele parou de olhar a revista, colocando-a em cima das outras, afim de me dar um pouco mais de atenção. Migrou do ar de deboche para o de leve espanto.
- O que tu anda fazendo por aqui?

- Olhando vestidos do Oscar na CARAS, oras!hahahahaha

- Sem graça! Quero saber o que tu andas fazendo aqui em THE... trabalho, passeio...

- Fuga! Disse eu, também largando a revista em cima das outras.

- Sabia que um dia tu ainda matava alguem. Espera só um pouco, enquanto eu vou pagar a revista, e ai a senhorita me explica direitinho que delitos cometeu.

Olhei pro relógio, eram quase seis da tarde, e a San me disse que ia sair um pouco mais tarde do trabalho, pra gente passar lá naquele bar mexicano, que eu sempre me esqueço o nome...

- Então me diga, quem foi a vitima!? Disse o Daniel com a sacola da revista na mão.

- Foi o tédio... Minhas ferias estavam acabando, minha amiga me convidou... E eu vim pra este braseiro, que agora com esses dias chuvosos tá mais pra ferro a vapor!

- Hahahaha! E fica até quando na chaleira? perguntou enrolando as alças da sacola entre os dedos e deixando a cabeça ir atrás de uma menina bonita que acabou de passar...

- Tem jeito mesmo não pequeno! Disse dando um tapa na cabeça dele.

- Eita que já levei porrada! que diacho foi que eu fiz?

- Ficou olhando pra bunda da pobre... E voltando a pergunta, não me demoro muito não. Coisa de três dias já pego o caminho de volta.

- Hum, sei. E o que tu vai fazer mais tarde?

- Vou com a minha amiga num bar que tem temática mexicana, sei lá...

- Sua cachaceira! Sempre procurando uma coisa pra beber. Mas, eu tava pensando em te levar lá em casa...

- E que diacho eu vou fazer na tua casa Daniel? Olha que essa conversa furada de mostrar os teus livros não cola comigo!

Ele me olhou com um ar de riso, e as feições de deboche foram ressurgindo no seu rosto.

- Eu sei sua doida, e não tô querendo te passar conversa. Só que hoje é meu aniversário e...

- Ai meu Deus! Desculpa Dan, eu não tava me lembrando...

- Então, como eu dizia, hoje é meu aniversário, e a minha mãe, que gosta de inventar coisinhas, chamou um pessoal pra jantar lá em casa...

Convencida, entrei no ônibus, e sem muita demora cheguei na casa onde somos recepcionados por gatos quando abrimos o portão. O Daniel disse que eu podia colocar a minha bolsa em cima do sofá, sem problemas, e foi até o quarto deixar a sacola com a revista.


- Vêm ver a minha humilde biblioteca - Me disse ele entrando em uma sala onde havia uma mesa um tanto quanto desarrumada, em contraste com a estante com livros impecavelmente alinhados.

- Onde é que estão os teus pais? E a tua irmã, aquela santa que te livrou de uns tapas por achar aquele presente que eu te dei, e tu perdeste?

- Não sei. devem ter saído pra resolver alguma coisa...

- Palhaço! Mas, infelizmente não vou poder ficar mais para conhece-los, pois minha amiga está me esperando.

- Tudo bem, ao menos fostes apresentada aos gatos.

- Pois é... Vou indo, senão me atraso mais. Amanhã eu te ligo e a gente se fala direitinho . Beijos, e boa noite.

- Besos, e que os anjos te cuidem!

- Essa é boa! se tu acreditasse em anjos...

- Mas eu acredito em Bellow e Coetzee... Eles velam meu sono todas as noites.






Isso é ficção viu, meu povo!







13 fevereiro 2009

Santa Maria


Meu trabalho me faz andar um pouco, e a minha mãe me faz andar muito. Uniu-se o útil ao agradável, e fomos a rua, andar.
Ela tinha que ir buscar o Alex na escola, mas era só mais tarde, por isso tínhamos que dar um tempo por ali. E eu lembrei que tinha de ir na Pastoral da Criança, tentar marcar uma entrevista, e também comprar Multi mistura pra mim (isso faz muito bem). Então traçamos uma linha reta.Cruzamos a Sete de Setembro, A Rua Grande, da Paz e do Sol, até chegarmos a Rua dos Afogados.
Quando eu era pequena passava muito por essa Rua, e tinha medo, por causa do nome, pois morrer afogado deve ser uma coisa horrivel, e aquele lugar, pelo plural, estava cheio deles na minha fértil cabecinha infantil. Porém, quanto mais perto eu chegava da esquina, mais essas ideías eram substituídas pelo cheiro de pão quentinho que vinha da Santa Maria.
E eu senti esse mesmo cheiro essa semana, e enchi meu olhos de lágrimas com o sabor da minha infância. De quando eu acordava seis horas da manhã, com o som de um sabiá que tinha seu ninho na árvore do quintal, proximo a minha janela, e o meu pai que sempre me perguntava se o sabiá dele (que sou eu) sabia assobiar.
Era ele quem me arrumava pra ir a escola, pois a mamãe quase sempre ficava de plantão na clínica (ela era auxiliar de enfermagem). E me fazia umas tranças tortas que eu odiava; vestia minha camisa; amarrava meu tênis; deixava eu levar minhas bonecas de porcelana pra escola; me fazia suco de groselha, daqueles de pacotinho (que eu também odiava); e comprou pra mim, uma menina, a mochila com o logotipo do Batman.
Eu me lembrei, a cada passo dado rumo a praça de Santo Antônio, de como tudo era grandioso, e o percurso de agora era antes mais longo, e as ruas tão largas hoje mal me cabem.

E a praça a perder de vista, onde uma vez eu desmaiei no meio de uma missa, e onde o Padre Antônio Vieira deu o seu famoso Sermão aos Peixes, hoje era vencida com três pernadas.
Meu horizonte outrora grandioso, ficou feito mosquito na minha mão... Mas onde está o prédio que ficava a minha escola? Ei moço, onde fica mesmo a Pastoral da Criança?
O guardador de carros apontou com o braço um muro alto e um portão de ferro, e qual não foi a minha surpresa a verificar que detrás dali ficava o que foi um dia minha velha escola. E com três passos venci o jardim, já dentro da construção tão pequena, onde antes eu andava o mundo inteiro para poder visitar o Tony, que fazia o Jardim III.
E enquanto a mulher foi buscar os saquinhos com a Multi mistura eu via o meu infinito sumir, como aquelas roupas baratas que encolhem depois da máquina de lavar. E saí de lá costurando os retalhos, minha mãe apertou a minha mão - Nem parece que faz tanto tempo, lembra que o Seu Zequinha morava aqui?
E o cheiro da Santa Maria (agora sem o seu velho português) ainda estava lá, me chamando. Quando entrei, e vi os biscoitinhos salgados que eram minha alegria na volta pra casa, de minha infância de tranças tortas, percebi que por mais que o tempo nos roube os anos, a inocência, o medo, a pureza... Mesmo assim, o que é bom estará presente em todas as lembranças de nossa vida.