Aqui em São Luis chove, desde a quinta-feira santa, sem parar, com pequenas alternações entre torô e garoa. Um espanto, pois, foi uma coisa que veio assim do nada... Sol quente na moleira e de repente... Dizem por aí que é a tal de zona de convergência inter tropical (?), mas eu não sei não, já que minha mente trabalhou muitos fatores.
A chuva forte encheu galerias, encontrou valas cheias de lixo, transbordou esgotos, transformou ruas sem asfalto em ringues de lama, mães com medo da dengue, febre amarela, rotavirus. A chuva deixou a cidade fedendo, precipitando algo de podre que estava escondido por detrás das belas palmeiras da Avenida Daniel de LaTouche, deu sentido a podridão que brota da Lagoa da Jansen, fez a urina das ruas e becos da Praia Grande rescender e fazer engulhar até o mais sujo cachorro. Só que ninguém percebeu os sinais, e continuávamos na frente da televisão vendo a previsão do tempo, formando musgo, e acreditando na zona de convergência.
Até que ontem a chuva parou por completo, mas o sol não saiu um instante. Céu cinza, de dar medo... Gritos, choros, palmas... A cavalaria abre caminho no meio da multidão convulsa em frente ao Palácio, dando passagem a ela... Só que a multidão não era nada, não éramos nós.
O maranhense não grita mais, e dos seus olhos nem uma lagrima e apenas a expressão atônita da descrença na vida, como quem se entrega pra morrer, pois seu jumento caiu de sede, e 40 km caminhando o individuo não acha mais força nas pernas. Fecha os olhos e não quer mais abrir, com medo do amanhã. Já que sensação que dá é que o nosso Estado é um quadrado fechado, e todos os seus habitantes claustrofóbicos arranham as paredes sem saída... Quando alguém estende a mão o maranhense, cansado de sofrer acredita e vai, mas não depois de muito tempo descobre que a luz era um artifício... Formiga sendo queimada com a lupa... Preferimos acreditar na zona, nossa esperança de que o cheiro podre vinha da chuva transbordando as fezes dos esgotos.
Ela veio de cabelo corte chanel, sorriso amarelo, oca por dentro... Veio com a pá de cal, com a benção do seu pai todo poderoso. Veio triunfante com o epitáfio do povo na mão.
Mas Esperança, sem a ultima, há de erguer a mão da terra para puxar o seu pé.
Dançar com a ausência, aproveitar companhias, queimar com paixões, viver o instante sem desistir de mudar o mundo. Fabio Rocha.
17 abril 2009
As chuvas de São Luis
30 março 2009
Falando do falo

Depois de uma conversa que tive ontem pelo msn (esse povo que fica falando besteira ao invés de ir dormir), me senti no dever de defender esta classe tão subestimada.
Se você é daqueles que se sente chateado com certos spans no seu email, que prometem aumentar o tamanho do seu pênis, este post é para você querido amigo.
Grande maioria de 14, 17 cm... Sintam-se amados e homenageados por esta pessoa que vos fala, e por todas as mulheres que lhes usam diariamente, oh! Sejam felizes.
Tudo isso porque eu já estou de saco cheio dessa história de que pênis grande, de 20cm pra cima(sem trocadilhos, ou com, se você quiser), é que faz bem o caqueado. E eu só queria saber quem foi o megalômaniaco que deu início a essa história, e com isso deixou um bando de homens inculcados com uma coisa nada a ver.
O homem nasce feliz, sente-se vitorioso quando aprende a fazer xixi sem molhar a beirada do vaso sanitário (e tem gente que não consegue nunca), e em certo momento quando está brincando com a priminha se dá conta do seu diferencial. Aí quando ele tá naquela fase de voz fina, voz grossa, voz fina, voz grossa... Entra um pentelho no banheiro na hora do recreio, e diz que o pênis dele é do tamanho do seu dedo mindinho. Aí acabou-se a graça.
Por essas e outras que muitas vezes eu penso que quem realmente gosta de pênis grande são os homens. Ou você nunca foi brechado num banheiro público? Nunca me lembro de mulher falando no banheiro "tu viu os grandes lábios dela!?" ou "nossa, que depilação legal"... Essas coisas são típicas de homens que acham o máximo menosprezar o outro e ficar afirmando sua masculinidade centímetro a centímetro. Grande bobagem.
Como eu estava dizendo ontem, no fim das contas o tamanho não é nada se você não souber fazer um bom uso da coisa. Afinal me diga homem super dotado(?!), quantas vezes você já perguntou pra sua namorada se ela gosta do seu pênis? Ou você acha ele tão fantástico que tem certeza absoluta que ela possui um altar onde venera a foto do seu amigão?! Atitudes como estas só deixam a mulher irritada. E eu confesso que esse mito também é muito alimentado por nós... Vamos falar sério, quantos Príncipes Zulus você já pegou na vida? E ainda anda falando por aí do que não sabe, menosprezando o nosso arroz com feijão de cada dia, que satisfaz tão bem...
Se você chegar em uma roda de 10 mulheres, e pedir pra elas falarem sinceramente a sua preferência de tamanho vai ouvir coisas do tipo "normal, que proporcionam um encaixe perfeito, que me deixam confortável". Pois o que interessa mesmo pra gente é a atenção que você homem dá a nós, e não a que você dá ao seu pênis. O carinho e a performance sim, são os essenciais e não abrimos mão deles.
Mas sempre terão aquelas que gostam dos pênis grandes, pois, como diria uma amiga minha " toda mulher tem o pinto que lhe convêm".
Update: mudei o titulo do post, de A você, querido amigo para Falando do falo, pelo simples fato de ter lembrado do nosso amigão Freud.
Update 2: essa imagem ficou perfeita!
Se você é daqueles que se sente chateado com certos spans no seu email, que prometem aumentar o tamanho do seu pênis, este post é para você querido amigo.
Grande maioria de 14, 17 cm... Sintam-se amados e homenageados por esta pessoa que vos fala, e por todas as mulheres que lhes usam diariamente, oh! Sejam felizes.
Tudo isso porque eu já estou de saco cheio dessa história de que pênis grande, de 20cm pra cima(sem trocadilhos, ou com, se você quiser), é que faz bem o caqueado. E eu só queria saber quem foi o megalômaniaco que deu início a essa história, e com isso deixou um bando de homens inculcados com uma coisa nada a ver.
O homem nasce feliz, sente-se vitorioso quando aprende a fazer xixi sem molhar a beirada do vaso sanitário (e tem gente que não consegue nunca), e em certo momento quando está brincando com a priminha se dá conta do seu diferencial. Aí quando ele tá naquela fase de voz fina, voz grossa, voz fina, voz grossa... Entra um pentelho no banheiro na hora do recreio, e diz que o pênis dele é do tamanho do seu dedo mindinho. Aí acabou-se a graça.
Por essas e outras que muitas vezes eu penso que quem realmente gosta de pênis grande são os homens. Ou você nunca foi brechado num banheiro público? Nunca me lembro de mulher falando no banheiro "tu viu os grandes lábios dela!?" ou "nossa, que depilação legal"... Essas coisas são típicas de homens que acham o máximo menosprezar o outro e ficar afirmando sua masculinidade centímetro a centímetro. Grande bobagem.
Como eu estava dizendo ontem, no fim das contas o tamanho não é nada se você não souber fazer um bom uso da coisa. Afinal me diga homem super dotado(?!), quantas vezes você já perguntou pra sua namorada se ela gosta do seu pênis? Ou você acha ele tão fantástico que tem certeza absoluta que ela possui um altar onde venera a foto do seu amigão?! Atitudes como estas só deixam a mulher irritada. E eu confesso que esse mito também é muito alimentado por nós... Vamos falar sério, quantos Príncipes Zulus você já pegou na vida? E ainda anda falando por aí do que não sabe, menosprezando o nosso arroz com feijão de cada dia, que satisfaz tão bem...
Se você chegar em uma roda de 10 mulheres, e pedir pra elas falarem sinceramente a sua preferência de tamanho vai ouvir coisas do tipo "normal, que proporcionam um encaixe perfeito, que me deixam confortável". Pois o que interessa mesmo pra gente é a atenção que você homem dá a nós, e não a que você dá ao seu pênis. O carinho e a performance sim, são os essenciais e não abrimos mão deles.
Mas sempre terão aquelas que gostam dos pênis grandes, pois, como diria uma amiga minha " toda mulher tem o pinto que lhe convêm".
Update: mudei o titulo do post, de A você, querido amigo para Falando do falo, pelo simples fato de ter lembrado do nosso amigão Freud.
Update 2: essa imagem ficou perfeita!
27 fevereiro 2009
Melãozinho
Eu estou aqui em THE (vulgo Teresina). Ando foragida da minha ex-chefe, da minha monografia, passando uns dias na casa da Sanara, minha amiga de São Luis, que acabou de se mudar. Desliguei o telefone, não disse nada pra ninguém (isso não abarca os meus pais), comprei a passagem e vim. Estou agora entre caixas mal desempacotadas, com um notebook no colo, me impressionando do simples fato de que esta cidade é um ovo...
Mais cedo eu pensava só na minha vontade de beber; no abafado da cidade; do por que diacho eu vim bater perna nesse Riverside, que nem ar condicionado tem.
Paro numa revistaria (mas eu tava mesmo era com fome!), dou uma folheada na nova edição da Caros amigos, dou uma olhada nos vestidos do Oscar na CARAS...
- Péssima troca... Me disse um cara que estava ao lado.
-Ãh? Não entendi! - E levantei um pouco o rosto pra tentar ver suas feições, mas ele se mantinha de cabeça baixa, olhando uma revista, a qual não pude distinguir.
- Muito ruim você ter largado a Caros Amigos e pegar essa CARAS aí. Perda de tempo por página folheada...
- Hahahahahaha! Ah é!? Quer dizer que tu não és o tipo de pessoa que perde tempo com essas coisas?
- Não - E levantou o rosto com uma expressão um tanto quanto debochada.
- Bom saber que... Espera um pouco, tua cara não me é estranha...
- Bem, tenho certeza que na CARAS você nunca viu minha cara! hahahahaha
Olhei os olhos dele...
- Daniel!?
- De onde eu te conheço? Tu estudou comigo?
- Não idiota! Sou eu, Gerusa...
-Reconheci a partir da palavra idiota... Ele parou de olhar a revista, colocando-a em cima das outras, afim de me dar um pouco mais de atenção. Migrou do ar de deboche para o de leve espanto.
- O que tu anda fazendo por aqui?
- Olhando vestidos do Oscar na CARAS, oras!hahahahaha
- Sem graça! Quero saber o que tu andas fazendo aqui em THE... trabalho, passeio...
- Fuga! Disse eu, também largando a revista em cima das outras.
- Sabia que um dia tu ainda matava alguem. Espera só um pouco, enquanto eu vou pagar a revista, e ai a senhorita me explica direitinho que delitos cometeu.
Olhei pro relógio, eram quase seis da tarde, e a San me disse que ia sair um pouco mais tarde do trabalho, pra gente passar lá naquele bar mexicano, que eu sempre me esqueço o nome...
- Então me diga, quem foi a vitima!? Disse o Daniel com a sacola da revista na mão.
- Foi o tédio... Minhas ferias estavam acabando, minha amiga me convidou... E eu vim pra este braseiro, que agora com esses dias chuvosos tá mais pra ferro a vapor!
- Hahahaha! E fica até quando na chaleira? perguntou enrolando as alças da sacola entre os dedos e deixando a cabeça ir atrás de uma menina bonita que acabou de passar...
- Tem jeito mesmo não pequeno! Disse dando um tapa na cabeça dele.
- Eita que já levei porrada! que diacho foi que eu fiz?
- Ficou olhando pra bunda da pobre... E voltando a pergunta, não me demoro muito não. Coisa de três dias já pego o caminho de volta.
- Hum, sei. E o que tu vai fazer mais tarde?
- Vou com a minha amiga num bar que tem temática mexicana, sei lá...
- Sua cachaceira! Sempre procurando uma coisa pra beber. Mas, eu tava pensando em te levar lá em casa...
- E que diacho eu vou fazer na tua casa Daniel? Olha que essa conversa furada de mostrar os teus livros não cola comigo!
Ele me olhou com um ar de riso, e as feições de deboche foram ressurgindo no seu rosto.
- Eu sei sua doida, e não tô querendo te passar conversa. Só que hoje é meu aniversário e...
- Ai meu Deus! Desculpa Dan, eu não tava me lembrando...
- Então, como eu dizia, hoje é meu aniversário, e a minha mãe, que gosta de inventar coisinhas, chamou um pessoal pra jantar lá em casa...
Convencida, entrei no ônibus, e sem muita demora cheguei na casa onde somos recepcionados por gatos quando abrimos o portão. O Daniel disse que eu podia colocar a minha bolsa em cima do sofá, sem problemas, e foi até o quarto deixar a sacola com a revista.
- Vêm ver a minha humilde biblioteca - Me disse ele entrando em uma sala onde havia uma mesa um tanto quanto desarrumada, em contraste com a estante com livros impecavelmente alinhados.
- Onde é que estão os teus pais? E a tua irmã, aquela santa que te livrou de uns tapas por achar aquele presente que eu te dei, e tu perdeste?
- Não sei. devem ter saído pra resolver alguma coisa...
- Palhaço! Mas, infelizmente não vou poder ficar mais para conhece-los, pois minha amiga está me esperando.
- Tudo bem, ao menos fostes apresentada aos gatos.
- Pois é... Vou indo, senão me atraso mais. Amanhã eu te ligo e a gente se fala direitinho . Beijos, e boa noite.
- Besos, e que os anjos te cuidem!
- Essa é boa! se tu acreditasse em anjos...
- Mas eu acredito em Bellow e Coetzee... Eles velam meu sono todas as noites.
Isso é ficção viu, meu povo!
Mais cedo eu pensava só na minha vontade de beber; no abafado da cidade; do por que diacho eu vim bater perna nesse Riverside, que nem ar condicionado tem.
Paro numa revistaria (mas eu tava mesmo era com fome!), dou uma folheada na nova edição da Caros amigos, dou uma olhada nos vestidos do Oscar na CARAS...
- Péssima troca... Me disse um cara que estava ao lado.
-Ãh? Não entendi! - E levantei um pouco o rosto pra tentar ver suas feições, mas ele se mantinha de cabeça baixa, olhando uma revista, a qual não pude distinguir.
- Muito ruim você ter largado a Caros Amigos e pegar essa CARAS aí. Perda de tempo por página folheada...
- Hahahahahaha! Ah é!? Quer dizer que tu não és o tipo de pessoa que perde tempo com essas coisas?
- Não - E levantou o rosto com uma expressão um tanto quanto debochada.
- Bom saber que... Espera um pouco, tua cara não me é estranha...
- Bem, tenho certeza que na CARAS você nunca viu minha cara! hahahahaha
Olhei os olhos dele...
- Daniel!?
- De onde eu te conheço? Tu estudou comigo?
- Não idiota! Sou eu, Gerusa...
-Reconheci a partir da palavra idiota... Ele parou de olhar a revista, colocando-a em cima das outras, afim de me dar um pouco mais de atenção. Migrou do ar de deboche para o de leve espanto.
- O que tu anda fazendo por aqui?
- Olhando vestidos do Oscar na CARAS, oras!hahahahaha
- Sem graça! Quero saber o que tu andas fazendo aqui em THE... trabalho, passeio...
- Fuga! Disse eu, também largando a revista em cima das outras.
- Sabia que um dia tu ainda matava alguem. Espera só um pouco, enquanto eu vou pagar a revista, e ai a senhorita me explica direitinho que delitos cometeu.
Olhei pro relógio, eram quase seis da tarde, e a San me disse que ia sair um pouco mais tarde do trabalho, pra gente passar lá naquele bar mexicano, que eu sempre me esqueço o nome...
- Então me diga, quem foi a vitima!? Disse o Daniel com a sacola da revista na mão.
- Foi o tédio... Minhas ferias estavam acabando, minha amiga me convidou... E eu vim pra este braseiro, que agora com esses dias chuvosos tá mais pra ferro a vapor!
- Hahahaha! E fica até quando na chaleira? perguntou enrolando as alças da sacola entre os dedos e deixando a cabeça ir atrás de uma menina bonita que acabou de passar...
- Tem jeito mesmo não pequeno! Disse dando um tapa na cabeça dele.
- Eita que já levei porrada! que diacho foi que eu fiz?
- Ficou olhando pra bunda da pobre... E voltando a pergunta, não me demoro muito não. Coisa de três dias já pego o caminho de volta.
- Hum, sei. E o que tu vai fazer mais tarde?
- Vou com a minha amiga num bar que tem temática mexicana, sei lá...
- Sua cachaceira! Sempre procurando uma coisa pra beber. Mas, eu tava pensando em te levar lá em casa...
- E que diacho eu vou fazer na tua casa Daniel? Olha que essa conversa furada de mostrar os teus livros não cola comigo!
Ele me olhou com um ar de riso, e as feições de deboche foram ressurgindo no seu rosto.
- Eu sei sua doida, e não tô querendo te passar conversa. Só que hoje é meu aniversário e...
- Ai meu Deus! Desculpa Dan, eu não tava me lembrando...
- Então, como eu dizia, hoje é meu aniversário, e a minha mãe, que gosta de inventar coisinhas, chamou um pessoal pra jantar lá em casa...
Convencida, entrei no ônibus, e sem muita demora cheguei na casa onde somos recepcionados por gatos quando abrimos o portão. O Daniel disse que eu podia colocar a minha bolsa em cima do sofá, sem problemas, e foi até o quarto deixar a sacola com a revista.
- Vêm ver a minha humilde biblioteca - Me disse ele entrando em uma sala onde havia uma mesa um tanto quanto desarrumada, em contraste com a estante com livros impecavelmente alinhados.
- Onde é que estão os teus pais? E a tua irmã, aquela santa que te livrou de uns tapas por achar aquele presente que eu te dei, e tu perdeste?
- Não sei. devem ter saído pra resolver alguma coisa...
- Palhaço! Mas, infelizmente não vou poder ficar mais para conhece-los, pois minha amiga está me esperando.
- Tudo bem, ao menos fostes apresentada aos gatos.
- Pois é... Vou indo, senão me atraso mais. Amanhã eu te ligo e a gente se fala direitinho . Beijos, e boa noite.
- Besos, e que os anjos te cuidem!
- Essa é boa! se tu acreditasse em anjos...
- Mas eu acredito em Bellow e Coetzee... Eles velam meu sono todas as noites.
Isso é ficção viu, meu povo!
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