02 dezembro 2008

Todos os anos, todos os erros

Já é Dezembro, e aquela sensação de fim de ano, tão incomôda, está chegando. Assim como chega os resfriados, devido a mudança térmica causadas pelas chuvas do período aqui em São Luis, e tão certo como as propagandas de natal, os chocottones ,e a música mais-que-repetitiva da Simone.
Dai começam os pseudos sentimentos solidários, a preocupação da mamãe com os presentes, o inferno de pessoas na Rua Grande, as avaliações da sua vida medíocre... E você vê que tudo gira, e volta pro mesmo lugar no fim do ano.
Aqui em casa tá uma bagunça, pois acharam uma boa ideia empreender uma reforma. Aliás, meu pai achou que já era hora de eu ter um quarto só meu, mas eu acho que já é tarde pra isso na casa dos meus pais, como já é tarde pra muitas coisas. Mas reformas são sempre bem-vindas, pois nunca se sabe quando o filho vai se separar e voltar pra casa, ou quando a filha vai cair numa fúria insana de ir embora...Nunca se sabe, mas deve-se estar preparado. Este ano, por exemplo, eu não estava preparada pra perder duas avós, e deixar ir embora da minha vida, sem suspeita de possível volta, alguém que se tornou todas as coisas do mundo. Eu não estava preparada.
Mas você não pode se abater querida! Pois o mundo está girando, e você tem que deixar o seu cabelo crescer, fazer os exames rotineiros, pintar as unhas na cor vinho reserva, entregar os relatórios, pagar o cartão de credito, comprar um vestido pro casamento do irmão (de novo), contribuir com as contas da casa, beber com os amigos, fazer aulas de frânces, usar creme facial com filtro solar, acordar cedo, tirar a maquiagem do rosto depois da festa, rir, ser sociavel, não dar uma de periguete, ouvir os conflitos amorosos das amigas, mediar as discussões (?) dos pais, levar os sobrinhos na exposição de arte contemporânea, ir a palestras, dar palestras, brigar, não cair do salto, estar presente nas aulas, ler os textos, fazer projetos... Você tem que ser querida, você tem que ser... Tudo em 365 dias, e as vezes você não dá conta.
E sempre tem aquelas horas em que você não aguenta ser quem é, ou quem você se fez ser, e quer mais é chutar tudo, t-u-d-i-n-h-o-m-e-s-m-o. Então você caminha com os pés descalços na areia, chora bicas e diz "como eu queria voltar atrás". E será que voltar atrás iria adiantar de alguma coisa? Continuaríamos cometendo erros, senão os já cometidos, outros diversos, mas sempre erros, sempre irá ter uma magoa. É um fato que não podemos evitar, e como diz um amigo meu " é fazendo merda que se aduba a vida".
Tão certo como o ar que eu respiro (aleluia) 2009 vai chegar, e vamos dizer "ano novo, vida nova", mas no Dezembro que virá estaremos aqui lamentando os infortúnios inúmeros que tivemos.
E vai ser tão gostoso quanto está sendo agora reclamar de todas as cagadas que fizemos, ou que fizeram com a gente, e de como esta vida sufoca, mas é nossa. E de como não erraremos mais, de como seremos bons, justos, autruistas, lindos-de-capa-de-revista. Remendados e prontos para os novos erros, ou os já velhos, mas em edição de luxo, com capa dura.

2 comentários:

Dianne Nogueira disse...

Eita! Respeite! Um senhor desabafo!

Fóssil disse...

Um senhor desabafo [2]
Não é fácil "ter que ser"... eu já até tentei desistir disso, mas...