21 junho 2009

Minhas Revoluções Culturais

O Daniel fez um post de mesmo titulo, lá no Razbliuto, e propôs aos seus leitores que fizessem o mesmo em seus respectivos blogs. E cá estou eu, a montar uma cronologia que se segue abaixo, com as minhas pretensas revoluções culturais.

1993 - Eu fiz em um único ano as duas etapas da educação infantil. Tinha cinco anos, e já sabia ler e escrever muito bem para a minha idade, então a professora decidiu que eu estava perdendo tempo ficando ali, e me adiantou, no meio do ano, para a
turminha do Infantil III. Lembro que a minha mãe ficou toda orgulhosa, as professoras me adoravam e os alunos me odiavam... Mas o mais legal era que na escola do meu irmão mais novo tinha uma biblioteca, e toda semana ele trazia um livro diferente pra mim. Também lembro de quando ia a casa da minha tia, que era professora, eu gostava de ficar lendo os livros da Marina Colasanti, ao invés de ir brincar com os outros.

1995 - Começo a frequentar a
APAE, para tratamento de crises de ansiedade. E aos sete anos tinha como grande passatempo ler bulas de remédio e analisar os índices do meu eletroencefalograma, além é claro dos gibis da turma da Mônica, que eu fazia a minha mãe comprar sempre íamos as consultas.
A minha medica dizia que eu era normal, só precisava ser criança. Também
conheci gente da minha idade com Síndrome de Down e Hiperatividade, aprendendo desde cedo que todo mundo pode ser diferente, e nem por isso deixa de ser normal. Também começo a usar óculos, o que virou outro inferno na minha vida, pois além de ser chamada de perna longa (sempre fui maior que os outros) passo também a ser chamada de quatro olhos. Os problemas de ansiedade não afetam o meu rendimento escolar, ou seja, ainda sou odiada.
Outra parte legal era assistir Cavaleiros do
Zodíaco todas as tardes, e juntar dinheiro para enriquecer o cara da banca de revista comprando a Herói para saber tudo sobre os episódios.

1997 - Saio da escola particular e começo a estudar em uma escola pública da periferia da cidade (Anjo da Guarda é periferia,
Carlos!?). Por conta da minha altura sou mandada pela professora a sentar no fundo da sala, a fim de não atrapalhar a visão dos demais. Comecei a conhecer uns tipos interessantes, e toda semana a gente tinha um evento para comentar, tipo que tio de Fulano levou uma facada, ou irmão de Sicrano tinha roubado uma casa, e aprendo aos oito anos que maconha não se cheira e sim se fuma, graças aos moleques da 8ª serie que levavam baseado pra fumar escondido na hora do recreio. Minha mãe me ensina a dar graças a Deus todos os dias por ter uma família estruturada, pois sou a única na sala de aula que não tem país separados. E apesar de conviver com uma realidade totalmente diferente da qual eu estava acostumada, o meu rendimento escolar continua bom, e sou mais odiada ainda por que além de estudar, tenho uma família legal( e a essas alturas isso já tava ficando chato).

2001 - Começo a me interessar mais por literatura e parto para os grandes Clássicos. Amava Shakespeare do fundo do meu coração, e também ganhei do meu pai os três tomos de As mil e uma noites, que me tomaram bastante o tempo. Também tinha em casa
vários volumes das Edições Vaga Lume.
Outro fato interessante foi o surto das
boy-bands, o que me tornou uma consumidora assídua de Revista Capricho e telespectadora da MTV. Mas como fui sempre única mulher no meio de três homens (irmãos) e vários homens (amigos) e uma prima doidinha que gostava de Legião Urbana, não tive como escapar de ouvir as coisas clássicas do Rock, como Beatles, Led Zeppelin, AC/DC, Nirvana... E pra ajudar uma amiga a conquistar um namorado, comecei a ouvir uma banda que o cara gostava, chamada Red Hot Cili Peppers. ela não consegui o namorado, mas eu ganhei uma banda pra gostar, tanto que eu desesperei quando eles vieram no Rock in Rio e eu ainda não era uma mulher assim, dona do meu nariz.

2002- Eu começo a perceber que, além de inteligente, eu estava criando uns atributos
físicos interessantes (tipo super peitos) e que isso me seria muito útil algum dia. Entro no ensino médio e percebo que os óculos foram essenciais para a formação da minha identidade. Ouço pela primeira vez a História da Revolução Russa, através de um professor entusiasta de Lenin, Marx e Trotski, e resolvo que vou ser de Esquerda e admirar o Socialismo até o fim da minha vida.

2004 - Me mudo com os meus pais para o
município de São João dos Patos, onde até então só ia passar ferias, e acho tudo uma droga. Na escola todo mundo me acha estranha pelo fato de eu andar de sandália de dedo e calça rasgada. Aprendo sotaque piaiuense, a dançar forró e a beber "maranhense" sem fazer cara feia. Começo amar o Chico Buarque, o Guimarães Rosa, leio Franz Kafka pela primeira vez, e começo a odiar o Paulo Coelho. Faço amizade com os tipos mais esquisitos da cidade, que atendem pelo nome de Markyran, Dowglas e Raul, e aprendo a tirar sarro da cara dos outros, normas técnicas de aviação, fofocar... E me torno cada vez pior.

2005- Depois de pensar em ser advogada,
designer, Professora de Literatura e Jornalista... Além de uma crise existencial que quase me fez desistir do vestibular, passo em ultimo lugar para o Curso de Pedagogia da UFMA. E ao entrar na universidade fico cada vez pior (na concepção da minha ), largo de ir a Igreja, entro para o Movimento Estudantil e, graças a esta experiência, me torno de vez a pessoa que todos conhecem hoje.
As minhas notas cairam (finalmente!), mas eu não me importei, pois não deveria deixar a vida academica atrapalhar a minha formação, o que no fim deu certo, já que mesmo não tendo o melhor coeficiente, andava aprendendo coisas muito mais uteis. Mais tarde compro o meu computador e começo a fazer o que eu mais gosto: baixar filmes, livros e músicas.

2007 - Entro na Plataforma Blogger e crio este blog que você lê no momento. Conheço um cara chamado Daniel, através do blog do
Dowglas, e começo uma relação muito vantajosa com ele, que me vende livros em francês a preço de banana. Sem falar nos momentos de notivagos no msn, falando besteira.
Conheço o
Professor Romildo Silva, meu futuro orientador, e arranjo além de alguém para admirar na Universidade, um grande amigo e colaborador. Faço parte da Organização do 27º Encontro nacional de Estudantes de Pedagogia, e tenho o meu primeiro esgotamento físico e mental, ficando de cama por semanas.

2008 - Viajo pelo interior do Maranhão em pesquisa sobre o fenomêno da Violência Sexual Infanto - Juvenil, através de um projeto do Governo Federal. Ando pelos municipios onde há bairros em que tudo falta, vou a povoados distantes e aprendo, na prática como as coisas funcionam por aqui. Percebendo de perto as causas que fazem do Maranhão o Estado mais pobre do Brasil. Tenho o meu segundo esgotamento físico e mental, não conseguindo pensar em nada durante dias.

2009- Vivo o que chamo de desespero
acadêmico, estudando e fazendo o meu trabalho de conclusão de curso. O que me tomou um pouco da minha vida pessoal.


5 comentários:

Fóssil disse...

Adorei isso! Sim, Anjo da Guarda é periferia :D Quantas revoluções se passa na vida... eu também passei por algumas, não tantas nem tão significativas, creio eu, e também eu não saberia enumerá-las e ordená-las cronologicamente. Uma pena! =/

Gerusa disse...

Eu levei HORAS pra fazer isso Carlos! Não é tão facil assim se lembrar de coisas que aconteceram contigo.

Ana disse...

Parabéns pelo blog, muit bom mesmo!
acessem:
Atelier do Sofá
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Contabilidade Mantiqueira

Anyel disse...

Li teu BLOGUXO e talz - mentira, dei uma passada de olho em um o outro post, mas não iporta, não gostei de qualquer forma =] -, mas na verdade só cheguei aqui pelo seu comentário nessa parada aqui ó: http://www.amalgama.blog.br/05/2009/dr-house-faz-sua-propria-lei/ na verdade, comentam coisas interessantes, mas, NA REAL, às vezes penso se eles realmente acompanham a série... Não sei, em alguns instantes, me dá a impressão que o GOZO deles é o falar por falar. O seu completemento foi exatamente uma das coisas que eu pensei a respeito e apesar disso não fazer diferença nenhuma, vim aqui registrar. Sorte!

Monster disse...

hoje em dias as pessoas não tem mais personalidade própria, seguem tendências.Numero e grau.
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