03 novembro 2008

Formigas e pensamentos esdruxulos


Coisas estranhas estão acontecendo comigo, e tem como principais protagonistas as formigas. Sim esses seres minusculamente extraordinários tem chamado, e muito, minha atenção de uns tempos pra cá.
Tudo começou quando, não mais que derrepente, olho para o monitor do meu celular e lá encontro andando serelepe uma formiga. Tentei chuta-lá delicadamente para fora dali com meu dedo, mas qual não foi a minha surpresa ao constatar que ela estava não em cima, e sim dentro do monitor.

Questionamento 1 - como essa louca entrou ai?

Questionamento 2 - e agora como eu vou tirar essa louca dai?

Sim, eu me importei com a formiga gente, sempre tenho a mania de pensar se por acaso fosse eu ali pressa, e essa historia de se colocar no lugar dos outros faz você analisar pacientemente cada atitude a ser tomada, e também por que os outros fazem certas coisas. Como o meu professor de Antropologia gostava de dizer - Descolorir nossas lentes, e recolorir com as cores do outro.
Então tentei desmontar o celular, só que que não consegui abrir o vidro - Diacho de formiga doida! - e ela andava de um lado para o outro - Caraca o oxigênio ai deve ser mínimo! - a luz do monitor devia estar lhe incomodando, ou ela também estava procurando um meio de sair.
Foram quase duas horas de agônia (creio que mais dela do que minha) até que um certo momento ela parou num canto, e eu percebi que aquele era o fim. E até hoje ela está lá no canto, transformando o meu celular em um ataúde tecnológico. E sempre que eu atendo uma ligação vejo ela, um cadáver no meu telefone, e me sinto uma completa inútil por não saber desmontar um aparelho. Mas será que se fosse eu no lugar dela, ela sentiria tanto assim? Pra mim toda vida tem uma função e um significado, e a morte desta formiga asfixiada no meu monitor me fez pensar se pra todo ser humano a vida faz realmente algum sentido.
As vezes não sabemos por que cargas d'água estamos neste mundo, se estamos realmente para além dos fins de procriação, se estamos com essa bola toda, ou se na realidade somos um bando de babacas. Muitas vezes até temos oportunidade de fazer algo que realmente importe e faça a diferença para além dos nossos interesses, só que preferimos ficar mega confortáveis no nosso sofá, na frente do nosso computador. Nós, como a pobre formiguinha, estamos cercados de luzes, esplendor e tecnologia, mas até que ponto essa atração é realmente compensatória?
Nós pensamos! Contudo vejo o homem mais animalesco que os ditos irracionais. E nesses momentos tenho inveja da formiga, pois ela podia ser uma operaria, porém tinha o seu valor reconhecido no seu meio, e vivia em uma sociedade que sempre prioriza o bem comum onde as hierarquias não funcionam como mecanismos de opressão, e sim como uma divisão harmônica do trabalho que deve ser feito por todos, com grandes recompensas.


6 comentários:

daniel disse...

coitada! da formiga...

esse post me lembrou da "Paixão segundo G H", da Clarice.

Gerussol disse...

Eu nunca li, mas já ovi falar. E pensando bem, até que lembra mesmo.

Juliana Dacoregio disse...

Uau... Pensando bem, nossa situação não é mesmo muito diferente da situação da formiga. Como diria Raulzito, "a formiga só trabalha porque não sabe cantar". Ah, eu também teria pena da formiga. Mas ia achar legal. Ontem uma taça com um restinho de vinho ficou em cima da mesa. Hoje tinha um besourinho dentro dela. Vivo, porém trôpego. E eu botei mais umas gotinhas de vinho e deixei ele lá.

Léo e só disse...

olá Gerussol


Por que será que formigas dão ótimas geradoras de fábulas?

bom, pelo menos ela nuca será esquecida( tá, eu sei meio horror essa frase, mas...)

abs e ate

camila chaves disse...

nooosa! que análise! *-*

de início, ri aos montes com a história da formiga. mas, com o passar dos caracteres, foi me batendo uma calmaria, acho que de tristeza, afinal... teria sido para ela o fim.

no todo, foi bom saber da tua preocupação com a tal da formiguinha. eu me achava louca por pensar que era a única. também me ponho no lugar dela e, isso é um exercício extraordinário. afinal, se conseguimos nos transpor à alma de uma formiga e sentir sua angústia e dor, conseguimos fazer isso, e muito bem, com os nossos semelhantes. tão bem a ponto de não conseguir ficar parado e partir para a organização da luta com fins na transformação.

há um tempo quero escrever sobre formigas. acreditas que descobri que na história do maranhão existe um episódio intitulado "o processo das formigas"? hahaha. eram padres que, assim como nós, se preocupavam com as formigas, só que bem diferente da gente, não era para o bem. os danados moveram na justiça um processo contra as danadas, acusando de roubo e alguma coisa referente a pôr risco de desabamento a um prédio. hahaha. parece piada, mas juro que é verdade! um dia, lá no meu blog, tu ainda vais encontrar meus caracteres sobre essa história.

outra coisa... quando te encontrar, quero ver teu celular. ver e lembrar dessa história toda que li por aqui. recordar os momentos de preocupação, mas quero recordar com felicidade, afinal, foram momentos de companheirismo e preocupação com o outro, mesmo que o outro se tratava, nesse caso, de uma formiga. (=

Gerussol disse...

Ela inda tá aqui no meu celular, bem no cantinho.